Série - Os Sacramentos - Ordem

Série - Os Sacramentos - Ordem

Prólogo

Como as força naturais, mas em um grau incomparavelmente superior, os sacramentos são realidade, e realidade operante. Tem a virtude de elevar o homem acima de si mesmo e de toda a ordem natural, na esfera do divino, ou seja, de fazer com que o homem mesmo sendo uma criatura frágil devido à realidade do pecado original imprimido nele desde as origens, o faça saborear já aqui na terra aquilo que será vivido por ele por toda a eternidade. Os sacramentos, não só infundi nele a vida divina, como também o conserva e aumenta de modo que o homem nascido de Deus, não é mais somente criatura, mas como diz o Apóstolo das gentes, “filhos no Filho”,co-herdeiros de Cristo, com um título próprio para a vida eterna, para a visão beatífica e para a posse perfeita de Deus.

Neste maravilhoso rio de graça sacramental(o batismo, a confirmação ,a eucaristia, a penitência, a unção dos enfermos, a ordem e o matrimônio) , se sobressai o verdadeiro e real sacerdócio do Novo Testamento; o sacerdote do Senhor Jesus Cristo que com sua palavra perdoa os pecados e oferece o sacrifício de Cristo, por todos os tempos e lugares, igualmente real, igualmente presente, igualmente vivo.

Portanto, os que recebem o Sacramento da Ordem são consagrados, para ser, em nome de Cristo, “pela palavra e pela graça de Deus, os pastores da Igreja”(Papa Pio XII,carta apostólica aos párocos e quaresmalistas,17 de fevereiro de 1945).

Depois dessa breve introdução sobre a força e o efeito do sacramento na alma e na vida de todos os cristãos batizados, falaremos a seguir de uma forma muito breve a respeito desse sacramento que “atestado pela Escritura e pela Tradição Apostólica e pelo unânime consenso dos Padres, que pela sagrada ordenação, ministrada com palavras e sinais exteriores, se confere a graça, e que ninguém deve duvidar que a Ordem seja verdadeira e propriamente um dos sete sacramentos da santa Igreja (Conc. Trento,Sessão XXIII (15-7-1563)”.

O que é o Sacramento da Ordem?

Segundo a definição do catecismo a Ordem “ é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja, até ao fim dos tempos: é, portanto, o sacramento do ministério apostólico. E ela compreende três graus: o episcopado. o presbiterado e o diaconado(CIC 1536)”.

Por que sacramento da Ordem?

Na antiguidade romana, chamava-se “ordem” a um corpo, um grupo de pessoas que tinham uma determinada responsabilidade ou um determinado tipo de vida, chamava-se assim sobretudo ao grupo dos que governavam, portanto, ordem, na linguagem civil romana, era um grupo de pessoas que exerciam as mesmas funções, reconhecidas publicamente. A entrada de uma pessoa em uma determinada ordem era chamada de “ordenação”. Pois bem, na Igreja, desde os primeiros séculos, tornou-se costume chamar de “ordem” ao grupo dos ministros sagrados. Assim, desde os tempos antigos, encontramos nos documentos e nos livros litúrgicos da Igreja as expressões como ordo episcoporum-ordem dos bispos, ordo presbyterorum-ordem dos presbíteros , ordo diaconorum-ordem dos diáconos. Mas, é bom observar que também chamavam-se ordem aos vários outros grupos de pessoas no interior da comunidade: a ordem das virgens, a ordem dos monges, a ordem dos confessores (aqueles que haviam sofrido torturas por causa da fé). Aos poucos, a palavra ordem foi sendo reservada para o grupo dos ministros ordenados. Como um ministro da Igreja deve receber um sacramento para ter as condições de exercer seu ministério, esse mesmo sacramento passou a ser chamado de Sacramento da Ordem, quer dizer, o sacramento pelo qual a pessoa é inserida na ordem dos ministros sagrados. A Igreja achou por bem conservar esse termo “ordem” porque, além de ser costume no mundo antigo, tinha respaldo na Sagrada Escritura. Por exemplo: Cristo é, várias vezes, chamado sacerdote eterno “segundo a ordem de Melquisedec” (cf. Sl 110,4; Hb 5,6; 7,11). A nomenclatura ficou, então, assim: “ordem” é o nome do sacramento e “ordenação” é a celebração do sacramento

O sacramento da Ordem na economia da Salvação

Vejamos um pouco como este sacramento foi aparecendo na Sagrada Escrituradesde o antigo Testamento e como ele está ligado a Cristo e aos apóstolos.

 No Antigo Testamento, Deus escolheu um povo, Israel. O povo eleito foi constituído por Deus como “um reino de sacerdotes e uma nação consagrada” (Ex 19, 6). Mas, dentro do povo de Israel, Deus escolheu uma das doze tribos, a de Levi, separada para o serviço litúrgicoe o próprio Deus é a sua parte na herança. Um rito próprio consagrou as origens do sacerdócio da Antiga Aliança. Nela, os sacerdotes são “constituídos em favor dos homens, nas coisas respeitantes a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados”.Este povo era um povo real (pois era o povo escolhido por Deus para, através dele, anunciar o seu Reino), um povo de profetas (pois era o povo pelo qual Deus anunciava a sua palavra) e um povo sacerdotal (pois era o povo consagrado ao serviço do louvor do Senhor no culto divino). Mas, no meio desse povo, Deus escolhia pessoas para exercerem funções específicas para o bem de seus irmãos: eram os pastores do povo! Quem eram tais pastores? Fundamentalmente, os sacerdotes, os profetas e os reis. Vejamos um pouco:

a) os reis eram consagrados, ungidos com óleo, símbolo do Espírito do Senhor, para serem guias do povo de Deus (cf. 1Sm 10,1; 16,13; 26,9; 2Rs 9,6). Em Israel somente o Senhor é rei; o rei descendente de Davi é o servo de Deus: ele deve liderar seu povo, defendê-lo dos inimigos externos e, sobretudo, velar pelo cumprimento da lei do Senhor, fazendo justiça aos pobres.

b) os profetas, em geral, não eram ungidos com óleo para exercerem sua missão. A unção era espiritual: o Senhor os marcava diretamente com a força do Espírito e o selo da vocação. Basta recordar a vocação profética como é descrita em Isaías: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu” (61,1). Sua missão era anunciar a Palavra do Senhor e denunciar tudo aquilo que na vida do povo era contrário à vontade de Deus. Os profetas também consolavam e animavam o povo de Israel nos seus momentos de provação.

c) os sacerdotes são o terceiro grupo de pastores do povo. Eles eram da tribo de Levi, da família de Aarão. Sua missão era cuidar do serviço do Senhor no culto divino e orientar o povo no cumprimento da lei. Cabia aos sacerdotes ensinar ao povo a lei do Senhor e guia-lo na observância de seus preceitos (cf. Lv 4,5; 8,12; 16,32; Ex 28,41; 40,15; 30,22s.30-33).

O ÚnicoSacerdócio de Cristo

Todas as prefigurações do sacerdócio da Antiga Aliança encontram a sua realização em Jesus Cristo, “único mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2, 5). Melquisedec, “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14, 18), é considerado pela Tradição cristã como uma prefiguração do sacerdócio de Cristo, único “Sumo-Sacerdote segundo a ordem de Melquisedec” (Heb5, l0; 6, 20), “santo, inocente, sem mancha” (Heb 7, 26), que “com uma única oblação, tornou perfeitos para sempre os que foram santificados” (Heb 10, 14), isto é, pelo único sacrifício da sua cruz (CIC 1544).

O sacrifício redentor de Cristo é único, realizado uma vez por todas. E no entanto, é tornado presente no sacrifício eucarístico da Igreja. O mesmo se diga do sacerdócio único de Cristo, que é tornado presente pelo sacerdócio ministerial, sem diminuição da unicidade do sacerdócio de Cristo: «e por isso, só Cristo é verdadeiro sacerdote, sendo os outros seus ministros (CIC 1545).

No entanto, por causa da infidelidade de seus pastores e um bom exemplo disso pode ser encontrado em tantos textos do Antigo Testamento. Por exemplo: os reis fracassaram pela sua impiedade (cf. 1Rs 11,1-13; 2Rs 16,2ss; 23,31ss; Os 8,4), os profetas também fracassaram na sua missão (cf. Is 9,15; Jr 2,8; 5,31; 6,13; 23,11.13-17.21-33) e os sacerdotes foram incapazes de corresponder ao que Deus esperava deles (cf. Os 4,4-11; 5,1-7; Jr 2,26ss; Ez 22,26; Mq 3,11; 2Rs 12,5-9; Ml 2,1-9) que diante dessa realidade, Deus promete que enviaria um verdadeiro rei, justo, santo, fiel. Esse rei, verdadeiro filho de Davi, seria o Messias, verdadeiro pastor de Israel, Jesus, chamado Cristo (ungido) (cf. Jo 1,49; 18,33.37; Mt 21,5; Lc 19,38; Mc 15,2). Deus também leva à plenitude o profetismo de Israel, enviando o seu próprio Filho: ele é a própria Palavra do Pai, o revelador perfeito de Deus e de sua vontade (cf. Mt 13,13ss. 57; 23,37s; Jo 1,21; 7,40; Mc 6,4; Hb 1,1). No Novo Testamento o verdadeiro pastor de Israel é Jesus: “Eu sou o bom Pastor; conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem, como o Pai me conhece e eu conheço o Pai” (Jo 10,14s). Ele é o verdadeiro rei, o verdadeiro profeta, o verdadeiro sacerdote, ungido pelo Pai com o Espírito Santo no batismo e na ressurreição. Nele, tudo quanto o Antigo Testamento preparou e prometeu realizou-se e chegou à plenitude. É somente tendo bem presente essa realidade que poderemos compreender o sacramento da ordem.

Então, deixando bem claro: Cristo é o verdadeiro sacerdote, o verdadeiro profeta, o verdadeiro rei do Novo Testamento. Nele, tudo quanto Deus prometeu se cumpriu e se realizou. Ele é o único sacerdote, o único profeta, o único rei da nova e eterna aliança!

Os Três graus do Sacramento da Ordem

“O ministério eclesiástico, instituído por Deus, é exercido em ordens diversas por aqueles que, desde a antiguidade, são chamados bispos, presbíteros e diáconos”. A Doutrina Católica, expressa na liturgia, no Magistério e na prática constante da Igreja, reconhece que existem dois graus de participação ministerial no sacerdócio de Cristo: o episcopado e o presbiterato. O diaconato destina-se a ajudá-los e a servi-los. Por isso, o termo “sacerdos” designa, no uso atual, os bispos e os presbíteros, mas não os diáconos. Todavia, a Doutrina Católica ensina que os graus de participação sacerdotal (episcopado e presbiterato) e o grau de serviço (diaconato), todos três são conferidos por um ato sacramental chamado “ordenação”, ou seja, pelo sacramento da Ordem (CIC 1554).

“Reverenciem todos os diáconos como a Jesus Cristo e de igual modo o bispo que é a imagem do Pai, e os presbíteros como o senado de Deus e como a assembleia dos Apóstolos: sem eles, não se pode falar de Igreja” (Santo Inácio de Antioquia,Trall.,3.1).

O Episcopado - A plenitude do Sacramento

O primeiro grau é o episcopado. Trata-se do grau mais importante, grau primordial, do qual procedem os outros dois: “Entre os vários ministérios que desde os primeiros tempos são exercitados na Igreja, segundo o testemunho da Tradição, ocupa o primeiro lugar o ofício daqueles que, constituídos no episcopado, pela sucessão que remota às origens, possuem a herança da raiz apostólica” (Catecismo, n. 1555). O Bispo, na sua Igreja particular, isto é, na sua diocese, é verdadeiro vigário (representante) de Cristo e sucessor dos apóstolos; “ele tem a plenitude do sacramento da Ordem” (LG,21). Na Igreja ele exerce em plenitude neste mundo o pastoreio de Cristo como “sacerdote (é ele o primeiro presidente da Eucaristia e dos demais sacramentos, ele é quem disciplina a prática sacramental de sua Igreja, ele é quem envia os presbíteros como seus colaboradores, ele é o primeiro responsável pela oração da Igreja)”, “como profeta (é o Bispo o primeiro responsável pela pregação do Evangelho e pela conservação da integridade da fé católica e apostólica”), é ele o primeiro evangelizador. Daí na igreja mãe da diocese estar acadeira, a cátedra do Bispo, que indica que ele é mestre do Evangelho. Da cátedra vem o nome “catedral” – a Igreja na qual está a cadeira episcopal), “como rei, isto é, como ministro do Cristo pastor (é o Bispo o guia principal da Igreja, a autoridade maior”. Cabe a ele discernir e coordenar os diversos ministérios e as diversas atividades diocesanas). Por tudo isso, o episcopado é o primeiro grau da Ordem, a fonte de todos os outros graus”.

O Presbiterado -Cooperadores dos Bispos

O segundo grau é o presbiterato.Os presbíteros são conhecidos popularmente como “padres”, que significa “pai”.“Cooperadores esclarecidos da Ordem episcopal, sua ajuda e instrumento, chamados para o serviço do povo de Deus, os presbíteros constituem com o seu bispo um único presbyterium com diversas funções. Onde quer que se encontre uma comunidade de fiéis, eles tornam de certo modo, presente o bispo, ao qual estão associados, de ânimo fiel e generoso, e cujos encargos e solicitude assumem, segundo a própria medida, traduzindo-os na prática do cuidado quotidiano dos fiéis. Os presbíteros só podem exercer o seu ministério na dependência do bispo e em comunhão com ele. A promessa de obediência, que fazem ao bispo no momento da ordenação, e o ósculo da paz dado pelo bispo no final da liturgia de ordenação, significam que o bispo os considera seus colaboradores, filhos, irmãos e amigos e que, em contrapartida, eles lhe devem amor e obediência (CIC 1567)”.

“Embora os presbíteros não possuam o ápice do pontificado e no exercício de seu poder dependam dos Bispos, estão, contudo com eles unidos na dignidade sacerdotal. Em virtude do sacramento da Ordem, segundo a imagem de Cristo, sumo e eterno sacerdote, eles são consagrados para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento (LG 28)”.

O Diaconado- O Serviço

No terceiro grau, porém inferior (e não entenda aqui num sentido pejorativo da palavra) da hierarquia estão os diáconos,aos quais também foram impostas as mãos, "não para o sacerdócio, mas para o serviço"(Santo Hipólito).”Os diáconos participam de modo especial na missão e na graça de Cristo. O sacramento da Ordem marca-os com um selo (carácter) que ninguém pode fazer desaparecer e que os configura com Cristo, que se fez “diácono”, isto é, o servo de todos(CIC 1570).Para a ordenação do diaconato, só o bispo é que impõe as mãos, significando com isso que o diácono está especialmente ligado ao bispo nos encargos próprios da sua “diaconia”.

Como já dito acima neste terceiro grau os diáconos não têm a função sacerdotal.Por isso mesmo não podem presidir à Eucaristia, nem administrar a Confirmação ou a Penitência nem a Unção dos Enfermos,é um ministério voltado mais para o serviço da pregação e da caridade fraterna e, portanto” pode ser conferido a homens casados,  e constitui um enriquecimento importante para a missão da Igreja. Com efeito, é apropriado e útil que homens, cumprindo na Igreja um ministério verdadeiramente diaconal, quer na vida litúrgica e pastoral, quer nas obras sociais e caritativas, “sejam fortificados pela imposição das mãos, transmitida desde os Apóstolos, e mais estreitamente ligados ao altar, para que cumpram o seu ministério mais eficazmente por meio da graça sacramental do diaconato( CIC 1571)”.

Então, enquanto no sacramento da Ordem há três graus, somente dois deles, o primeiro e o segundo, são sacerdotais!

A celebração do sacramento

Já que os ministros sagrados são para o serviço da Igreja local (a diocese), a ordenação deverá ser preferencialmente na catedral, que é a igreja mãe da diocese, a igreja do bispo. O sacramento é sempre conferido dentro da celebração da missa, ao fim da liturgia da palavra e antes da liturgia eucarística. O rito essencial para a ordenação é a imposição das mãos sobre o eleito e a oração consecratória, pedindo o dom do Espírito Santo, que vai configurar o que será ordenado ao Cristo cabeça e esposo da Igreja. Primeiramente o eleito é apresentado ao Bispo ordenante que, depois de se certificar da aprovação do povo, expressa por um aplauso, e depois da homilia, faz algumas perguntas ao eleito, para certificar-se de seus propósitos ao receber este sacramento de serviço ao povo de Deus. Depois, com o eleito prostrado por terra, a Igreja canta a ladainha, pedindo aos santos dos céus que intercedam pelo que será ordenado. Ao terminar a ladainha, vem a ordenação propriamente dita: a imposição das mãos e a oração pedindo que o Pai derrame sobre o eleito o Espírito Santo do Cristo Jesus. Na ordenação episcopal todos os bispos presente impõem as mãos sobre o eleito; na ordenação sacerdotal, o bispo e todos os padres presentes impõem as mãos; na ordenação do diácono somente o bispo impõe as mãos. Depois disso, vem um gesto muito belo: a unção, símbolo da ação do Espírito. Na ordenação episcopal, é ungida a cabeça do novo bispo e na ordenação presbiteral são ungidas as mãos do novo padre. Na ordenação diaconal não há unção. Após a unção, aquele que foi ordenado é revestido com as vestes próprias de seu ministério: o bispo recebe a mitra, o anel e o báculo, símbolos de seu ofício de pastor e de seu compromisso com a Igreja diocesana que ele vai assumir; o padre é revestido com a estola em torno do pescoço e com a casula e o diácono recebe a estola a tiracolo e a dalmática. O sacerdote recebe ainda a patena com o pão e o cálice com o vinho; o diácono recebe o livro dos evangelhos, que ele deverá proclamar.

O ministro do sacramento da Ordem

Já que o sacramento da Ordem é sacramento do ministério apostólico, compete aos bispos validamente ordenados (isto é, os que estão na verdadeira sucessão apostólica) e somente a eles ordenar. No caso da ordenação episcopal são necessários pelo menos três bispos, significando que o novo bispo é acolhido no seio do Colégio episcopal que tem como cabeça o Papa, Bispo de Roma.

Quem pode ser ordenado

Segundo a fé da Igreja, pode receber validamente o sacramento da Ordem, somente os batizados do sexo masculino. Como o Senhor escolheu somente homens para o grupo dos Doze e os Apóstolos escolheram somente homens para suceder-lhes, a Igreja se reconhece vinculada a esta escolha do Senhor e dos Apóstolos, de modo que, segundo a fé católica, não é possível a ordenação de mulheres. Apesar da polêmica muitas vezes surgida em torno do tema, o magistério da Igreja é claro. Na Carta Apostólica OrdinatioSacerdotalis, o Papa João Paulo II ensina com autoridade apostólica: “Embora a doutrina sobre a ordenação sacerdotal que deve reservar-se somente aos homens se mantenha na Tradição constante e universal da Igreja e seja firmemente ensinada pelo Magistério nos documentos mais recentes, todavia atualmente em diversos lados continua-se a considerá-la como discutível, ou então atribui-se um valor meramente disciplinar à decisão da Igreja de não admitir as mulheres à ordenação sacerdotal. Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”. Então, segundo a fé católica, a ordenação sacerdotal de mulheres não é possível por vontade do próprio Senhor, de modo que a Igreja não tem autoridade para modificar isso. A Igreja no Ocidente (não no Oriente) exige o celibato dos candidatos ao sacerdócio e, conseqüentemente, ao episcopado. No entanto, o celibato sacerdotal é uma realidade apenas disciplinar. Certamente tem um belo sentido teológico o padre solteiro por amor do Reino dos Céus, mas a Igreja pode, no futuro, permitir o celibato facultativo. No Oriente, homens casados podem receber o sacramento da Ordem nos graus de diácono e padres. No entanto, depois de ordenados, não podem mais receber o sacramento do matrimônio. Quanto aos bispos, são sempre escolhidos entre padres solteiros.

Os efeitos do sacramento

Quem recebe o sacramento da Ordem é, pela potência do Espírito Santo, configurado a Cristo cabeça e esposo da Igreja, que habilita para sempre o que foi ordenado, através de uma marca indelével (o caráter), para agir representando o Cristo Senhor. Assim, como o Batismo e a Confirmação, o sacramento da Ordem não pode ser repetido. Mesmo que alguém seja dispensado do ministério, continuará sempre diácono, padre ou bispo, ainda que não exerça seu ofício. Isso porque o chamado e os dons de Deus são irrevogáveis!

Portanto:

Cân. l. Se alguém disser que no Novo Testamento não há sacerdócio visível e externo, ou que não há poder algum de consagrar e oferecer o verdadeiro Corpo e Sangue do Senhor, bem como de perdoar e reter os pecados, mas há apenas um simples ministério de pregar o Evangelho, ou que aqueles que não pregam não são absolutamente sacerdotes — seja excomungado [cfr. n° 957, 960].

Cân. 4. Se alguém disser que pela sagrada ordenação não se confere o Espírito Santo, e que assim debalde dizem os bispos: Recebe o Espirito Santo; ou que por ela não se imprime caráter; ou que aquele chegou a ser sacerdote se pode outra vez fazer leigo — seja excomungado [cfr. n° 852].

Cân. 6. Se alguém disser que na Igreja Católica não há hierarquia eclesiástica estabelecida por ordem de Deus, que se compõe de bispos, presbíteros e ministros — seja excomungado [cfr. n° 960].

 

Por Walter Silva

 

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