Série - Os Sacramentos - Eucaristia

Série - Os Sacramentos - Eucaristia

Esta presença chama-se "real", não por exclusão como se as outras não fossem "reais", mas por antonomásia porque é substancial, quer dizer, por ela está presente, de fato, Cristo completo, Deus e homem. (Conc. Trento)

“Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.” (Mt 26, 26-28)

 

Quando estudamos sobre o tema Eucaristia que é o Sacramento dos Sacramentos, pois estamos falando da presença adorável de Nosso Senhor, temos fontes das mais diversas que confirmam esta doutrina nas Sagradas Escrituras, na Tradição, no Magistério e no ensinamento dos Santos e Doutores da Igreja.

Mas existe uma diferença muito grande entre todos os outros sacramentos, por isso que á Eucaristia é chamada de Santíssimo Sacramento, pois nos outros 6 sacramentos nos é dado através da Igreja um penhor de graça, na Eucaristia recebemos toda a graça, nos outros sacramentos nos é conferido a posse de um bem, na Eucaristia esta todo o bem, poderíamos dizer que todos os outros sacramentos estão para a Eucaristia e é a Eucaristia que nos dá todos os outros sacramentos, pois ali esta Cristo verdadeiramente presente. “Os restantes sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam.” (Presbyterorum ordinis 5)

 

O nosso Salvador instituiu na última ceia, na noite em que foi entregue, o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue, para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até voltar, o sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da glória futura. (SC 47)

 

É fundamental antes de qualquer “meditação” sobre a Eucaristia, entender o fundamento sacrifical da presença de Cristo no Sacramento, nas próprias palavras da instituição: “Meu corpo entregue... Meu sangue derramado...” E não se trata somente de uma presença gloriosa de Cristo ressuscitado, mas uma presença sacrifical, imolada, cordeiro que tira o pecado do mundo!

 

Temos visto algumas “correntes” dentro da Igreja, tornando da Missa o show dos milagres, como se a presença de Jesus no Sacramento, fosse à presença do “milagreiro”, criando até as “Missas” de Cura e Libertação, muito cuidado com isso, pois se a doutrina Católica, diz que toda a Missa é a atualização do Único e Eterno Sacrifício de Cristo no Calvário, toda Missa é de Cura (cura da alma), ou seja, isto é uma corrente materialista que infunde graça no físico somente, como se a presença de Cristo no Sacramento se provasse pelos “milagres” e não por suas santas palavras ao dizer: ISTO É!

 

Voltemos ao nosso estudo, aqui foi só um adendo.

 

“A nossa maneira de pensar está de acordo com a Eucaristia: e, por sua vez, a Eucaristia confirma a nossa maneira de pensar” (Santo Irineu)

 

A tradição Católica utiliza de vários nomes para o Sacramento:

 

- Eucaristia – ação de graças a Deus.

- Ceia do Senhor – as bodas do Cordeiro (Ap 19,9).

- Fração do Pão – pois é típico da própria refeição judaica.

- Assembleia Eucarística – synaxxis – porque a Eucaristia é expressão visível da Igreja.

- Memorial da Paixão e Ressurreição do Senhor.

- Santo Sacrifício, porque atualiza o único sacrifício de Cristo Salvador e inclui a oferenda da Igreja; ou ainda santo Sacrifício da Missa, Sacrifício de louvor, Sacrifício espiritual, Sacrifício puro e santo, pois completa e ultrapassa todos os sacrifícios da Antiga Aliança.

- Santa e divina Liturgia – centro de toda a vida da Igreja.

- Santa Missa - porque a liturgia em que se realiza o mistério da salvação termina com o envio dos fiéis (missio: missão, envio), para que vão cumprir a vontade de Deus na sua vida quotidiana.

 

Vós também quereis ir embora? (Jo 6, 67)

Dos quatro evangelhos o único que não narra a Instituição da Eucaristia é o Evangelista João, pois no capitulo 6 nos dá uma aula sobre os fundamentos do ensinamento de Jesus, sobre sua presença real e verdadeira no Sacramento de seu Corpo e Sangue. Foi proposital? Vamos meditar um pouco dos trechos de João Capitulo 6.

Jesus alimenta uma grande multidão (Jo 6, 1-15)

Logo no inicio deste capitulo, João vai narrar o milagre da multiplicação dos pães, onde uma multidão de 5000 homens sem contar crianças e mulheres, serão alimentados. Neste texto esta já uma alusão ao verdadeiro alimento, mas um versículo em especial, neste momento nos chama atenção: Estando eles saciados, disse aos discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca. Este versículo em especial vai nos remeter ao zelo com o milagre, aqui se trata de um pão abençoado e distribuído, quanto mais ao pão eucarístico, que nada se perca! Santa Catarina de Sena vai dizer: “Se quebrarmos um espelho grande em diversos pedaços, todos eles, grandes ou pequenos, refletirão uma única imagem, independente do seu tamanho, assim é com o pão eucarístico, fragmentos grandes ou pequenos todo ele contém o Cristo todo.”

Jesus anda sobre o mar (Jo 6, 16,21)

Poderiam nos dizer; o que tem a ver o milagre de Jesus andar sobre as águas com a Eucaristia? Respondo: Tudo! João vai descrevendo neste capitulo uma aula de doutrina eucarística, não são fatos colhidos e a esmo montados neste capítulo é consciente que o descreve.

Aqui vemos que Jesus sobre põe os limites físicos e anda sobre a agua, ou seja, Ele realiza com seu corpo oque bem entender, não há limites, para sua divindade. Jesus vai dizer para seus discípulos assustados: Sou eu, não temais! (Jo 6, 20)

Jesus, o pão da vida (Jo 6, 22-71)

A multidão ainda perplexa com o milagre da multiplicação vai até Jesus para indagá-lo sobre as escrituras e ainda não entendiam que a fé e a vida devem estar unidas. Eles acreditavam que o pão do céu era o maná, mas, Jesus vai dizer que o verdadeiro pão de Deus é aquele que vem do céu e dá a vida ao mundo, o que nos remete novamente a linguagem sacrifical. (6, 22-33)

Todos querem sempre deste pão que sacia e dá a vida e Jesus diz: EU SOU! Quem descobre esta dádiva eucarística, descobre porque o Pai enviou e deu ao Filho e o Filho não rejeita nenhum daqueles que o Pai deu a conhecer o mistério eucarístico.  (6, 34-40)

Os judeus que viram todos os milagres ainda sim murmuravam em torno de Jesus, pois não bastava contemplar todas as suas obras e racionalizavam seu discurso dizendo: Este não é o filho de José?

Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne? Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente. (Jo 6, 47-58)

Notem que não se trata de uma parábola ou um simbolismo, Jesus era muito claro quando utilizava uma linguagem metafórica ou um conto, nos seus ensinamentos. Pois se o discurso de Jesus tivesse sido metafórico não causaria o espanto em diversas pessoas que mesmo vendo os milagres de Jesus, após este discurso se afastaram, pois acharam duras suas palavras, “comer minha carne, beber o meu sangue.”

Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir? Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza?  Que será, quando virdes subir o Filho do Homem para onde ele estava antes?... O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida. Mas há alguns entre vós que não crêem... Pois desde o princípio Jesus sabia quais eram os que não criam e quem o havia de trair. Ele prosseguiu: Por isso vos disse: Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lho for concedido. Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele. Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus! Jesus acrescentou: Não vos escolhi eu todos os doze? Contudo, um de vós é um demônio!...Ele se referia a Judas, filho de Simão Iscariotes, porque era quem o havia de entregar não obstante ser um dos Doze. (Jo 6, 60-71)

Não é possível acreditar no fundamento eucarístico sem acreditar na sua Cruz, um e outro fazem parte do mesmo mistério, a glorificação de Jesus se dá na sua elevação e de lá brotará o dom do Espirito Santo e entender esta glorificação se faz necessário para entender sua Eucaristia.

João é muito especifico em dizer que aquele “um” entre vós é um demônio, pois este não entende e não entenderá, é o ministério da iniquidade, que ainda nos permeia naqueles que dizem ser dos nossos, mas suas atitudes de infidelidade ao mistério são obras do demônio.

A fé da Igreja permanece inabalável no mistério Eucarístico, desde os primórdios do Cristianismo (veja A Eucaristia nos primeiros séculos) até os dias de hoje, assim nos assegura o Magistério da Igreja e a Sagrada Tradição á luz das Escrituras, mesmo e apesar de inúmeros “falsos” teólogos com ideologias contrárias á fidelidade da Igreja, pregarem contra, recomendamos fique com a Igreja, esta não erra, e tem a assistência sempre do Espirito Santo!

Porque este pão e este vinho foram, segundo a expressão antiga, eucaristizados, chamamos a este alimento Eucaristia; e ninguém pode tomar parte nela se não acreditar na verdade do que entre nós se ensina, se não recebeu o banho para a remissão dos pecados e o novo nascimento e se não viver segundo os preceitos de Cristo. (São Justino - Século I)

 

A Eucaristia é o Memorial da Paixão Morte e Ressurreição de Cristo!

“Fazei isto em memoria de mim!”

 

No sentido da Sagrada Escritura memorial, não é uma lembrança, mas um tornar se presente, proclamar as maravilhas de Deus ao seu povo como vemos no livro do Êxodo, 13,3: “Moisés disse ao povo: Conservareis a memória deste dia, em que saístes do Egito, da casa da servidão, porque foi pelo poder de sua mão que o Senhor vos fez sair deste lugar; não comereis pão fermentado.”

 

O memorial recebe um sentido novo no Novo Testamento. Quando a Igreja celebra a Eucaristia, faz memória da Páscoa de Cristo, e esta torna-se presente: o sacrifício que Cristo ofereceu na cruz uma vez por todas, continua sempre atual: Todas as vezes que no altar se celebra o sacrifício da cruz, no qual "Cristo, nossa Páscoa, foi imolado", realiza-se a obra da nossa redenção. (CIC 1364)

 

Cristo nosso Deus e Senhor [...], ofereceu-Se a Si mesmo a Deus Pai uma vez por todas, morrendo como intercessor sobre o altar da cruz, para realizar em favor deles [homens] uma redenção eterna. No entanto, porque após a sua morte não se devia extinguir o seu sacerdócio (Heb 724-27), na última ceia, "na noite em que foi entregue" (1 Cor 11, 13). [...] Ele [quis deixar] à Igreja, sua esposa bem-amada, um sacrifício visível (como o exige a natureza humana), em que fosse representado o sacrifício cruento que ia realizar uma vez por todas na cruz, perpetuando a sua memória até ao fim dos séculos e aplicando a sua eficácia salvífica à remissão dos pecados que nós cometemos cada dia. (Conc. Trento: DS 1740)

 

O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício: É uma só e mesma vítima e Aquele que agora Se oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora Se ofereceu a Si mesmo na cruz; só a maneira de oferecer é que é diferente. E porque neste divino sacrifício, que se realiza na missa, aquele mesmo Cristo, que a Si mesmo Se ofereceu outrora de modo cruento sobre o altar da cruz, agora está contido e é imolado de modo incruento [...], este sacrifício é verdadeiramente propiciatório (Conc. Trento DS 1743).

 

O Concilio Tridentino veio ao encontro das heresias de Lutero, que tiravam da Missa seu valor sacrifical, Lutero em suas farsas nominalistas, não acreditava no Sacrifício material e espiritual, que se oferece no altar da Cruz e perpetua a Paixão e Ressurreição de Cristo, mas pregava uma representatividade. E a Igreja confirma o que sempre foi matéria de fé, que na Eucaristia, o sacrifício de Cristo se torna também o sacrifício dos membros de seu Corpo.

O Concílio de Trento resume a fé católica declarando: Porque Cristo, nosso Redentor, disse que o que Ele oferecia sob a espécie do pão era verdadeiramente o seu corpo, sempre na Igreja se teve esta convicção que o sagrado Concílio de novo declara: pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação. (DS 1642)

Após a Consagração e enquanto subsistirem as espécies (pão e vinho) Cristo esta presente inteiramente em seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, na eucaristia.

“O Senhor não disse: Isto é o símbolo do meu Corpo e isto é o símbolo do meu Sangue, mas Isto é o meu Corpo e o meu Sangue, ensinando-nos a não considerar a natureza visível que os sentidos atingem, mas a crer que ela pela ação da graça se mudou em carne e sangue.” (Santo Inácio Mártir)

 

Em cada Missa se atualiza o único e eterno sacrifício de Cristo na Cruz, a Igreja, sempre proclamou sua fé neste mistério e o vive e sabe que toda a catequese esta centrada neste mistério e é o ápice da fé Apostólica. Toda e qualquer pregação que não tenha um acorde com esta verdade esta desconexa com a realidade Católica e passa á ser herética.

O augustíssimo Sacramento é a santíssima Eucaristia, na qual o próprio Senhor Jesus Cristo se contém, se oferece e se recebe, e pela qual continua-mente vive e cresce a Igreja. O Sacrifício eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua através dos séculos o Sacrifício da Cruz, é a culminância e a fonte de todo o culto e da vida cristã, pelo qual se significa e se realiza a unidade do povo de Deus e se completa a edificação do Corpo de Cristo. Os demais sacramentos e todas as obras eclesiásticas de apostolado relacionam-se com a santíssima Eucaristia e para ela se ordenam. (CDC 897)

 

“TOMAI E COMEI DELE TODOS VÓS”: A COMUNHÃO

"A Humanidade estremeça, o Universo inteiro trema e o Céu exulte quando, sobre o altar, nas mãos do sacerdote, está o Cristo Filho de Deus vivo." (S. Francisco de Assis)

A Missa é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrificial em que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do corpo e sangue do Senhor. Mas a celebração do sacrifício eucarístico está toda orientada para a união íntima dos fiéis com Cristo pela comunhão. Comungar é receber o próprio Cristo, que Se ofereceu por nós. (CIC 1382)

Este dom de poder comungar do Corpo e Sangue de Cristo na Missa é maravilhoso, pois participando do mistério Pascal de Cristo, somos também convidados à nos alimentarmos da sua presença eucarística, para termos vida e vida em abundancia, recordando as palavra Dele: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.” Mas todos podem comungar? Vejamos no Código de Direito Canônico:

 

Cân. 912 — Qualquer batizado, que não esteja proibido pelo direito, pode e deve ser admitido à sagrada comunhão.

Cân. 913 — § l. Para que a santíssima Eucaristia possa ser administrada às crianças, requer-se que estas possuam conhecimento suficiente e preparação cuidadosa, de forma que possam compreender, segundo a sua capacidade, o mistério de Cristo e receber o corpo do Senhor com fé e devoção.

§ 2. Pode administrar-se a santíssima Eucaristia às crianças que se encontrem em perigo de morte, se puderem discernir o Corpo de Cristo do alimento comum e comungar com reverência.

Cân. 914 — Primeiramente os pais, ou quem fizer as suas vezes, e ainda o pároco têm o dever de procurar que as crianças, ao atingirem o uso da razão, se preparem convenientemente e recebam quanto antes este divino alimento, feita previamente a confissão sacramental; compete também ao pároco vigiar por que não se aproximem da sagrada comunhão as crianças que não tenham atingido o uso da razão ou aquelas que julgue não estarem suficientemente preparadas.

Cân. 915 — Não sejam admitidos à sagrada comunhão os excomungados e os interditos, depois da aplicação ou declaração da pena, e outros que obstinadamente perseverem em pecado grave manifesto.

Cân. 916 — Quem estiver consciente de pecado grave não celebre Missa nem comungue o Corpo do Senhor, sem fazer previamente a confissão sacramental, a não ser que exista uma razão grave e não tenha oportunidade de se confessar; neste caso, porém, lembre-se de que tem obrigação de fazer um acto de Contrição perfeita, que inclui o propósito de se confessar quanto antes.

Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos. (1Cor 11, 27-30)

E na divina liturgia de São João Crisóstomo, os fiéis oram no mesmo Espírito:

“Faz-me comungar hoje, ó Filho de Deus, na tua ceia mística. Porque eu não revelarei o segredo aos teus inimigos, nem te darei o beijo de Judas. Mas, como o ladrão, eu te suplico: Lembra-Te de mim, Senhor, no teu Reino.”

Como nos aproximamos para comungar? Primeiramente esta liturgicamente errado dizer: fila da comunhão, mas o correto é Procissão, pois é um ato solene até receber o Corpo de Nosso Senhor, por isso precisa ser um momento de oração, silêncio e adoração. O que em muitas paróquias não acontece, por pura falta de zelo, obediência e amor do sacerdote e equipe.

Ecce Agnus Dei, ecce Qui tollit peccatum mundi

Sempre que O recebemos, anunciamos a morte do Senhor. Se nós anunciamos a morte do Senhor, anunciamos a remissão dos pecados. Se, de cada vez que o seu sangue é derramado, é derramado para remissão dos pecados, eu devo recebê-lo sempre, para que sempre Ele perdoe os meus pecados. Eu que peco sempre, devo ter sempre um remédio. (Santo Ambrósio)

Os Frutos da Comunhão

A comunhão aumenta a nossa união com Cristo: O que o alimento material produz na nossa vida corporal, realiza-o a Comunhão, de modo admirável, na nossa vida espiritual.

A Comunhão afasta-nos do pecado: É por isso que a Eucaristia não pode unir-nos a Cristo sem nos purificar, ao mesmo tempo, dos pecados cometidos, e nos preservar dos pecados futuros. Tal como o alimento corporal serve para restaurar as forças perdidas, assim também a Eucaristia fortifica a caridade que, na vida quotidiana, tende a enfraquecer-se; e esta caridade vivificada apaga os pecados veniais (Conc. Trento DS 1638).

- Preserva dos pecados futuros: Quanto mais participarmos na vida de Cristo e progredirmos na sua amizade, mais difícil nos será romper com Ele pelo pecado mortal. A Eucaristia não está ordenada ao perdão dos pecados mortais. Isso é próprio do sacramento da Reconciliação. O que é próprio da Eucaristia é ser o sacramento daqueles que estão na plena comunhão da Igreja. (CIC 1395)

- A unidade do corpo místico: a Eucaristia faz a Igreja. Os que recebem a Eucaristia ficam mais estreitamente unidos a Cristo. Por isso mesmo, Cristo une todos os fiéis num só corpo: a Igreja.

“Se sois o corpo de Cristo e seus membros, é o vosso sacramento que está colocado sobre a mesa do Senhor, é o vosso sacramento que recebeis. Vós respondeis Amém [Sim, é verdade!] àquilo que recebeis e, ao responder, o subscreveis. Tu ouves esta palavra: «O corpo de Cristo»; e respondes: Amém, Então, sê um membro de Cristo, para que o teu Amém seja verdadeiro.” (Santo Agostinho).

A Eucaristia nos compromete com os mais pobres: “Saboreaste o sangue do Senhor e não reconheces sequer o teu irmão. Desonras esta mesa, se não julgas digno de partilhar o teu alimento aquele que foi julgado digno de tomar parte nesta mesa. Deus libertou-te de todos os teus pecados e chamou-te para ela; e tu nem então te tornaste mais misericordioso.” (S. João Crisóstomo)

Diante deste Mysterium Fidei nos prostramos em adoração e respeito, pois confiamos profundamente naquilo que foi transmitido por Nosso Senhor nas Sagradas Escrituras, pregado pelos apóstolos e defendido nos séculos pelo Magistério contra todas as heresias do tempo. Hoje existe uma corrente dentro da Igreja que presa mais pela filosofia (livre pensamento) do que pela doutrina, onde se prega uma teologia poética, distanciando da essência querida por Nosso Senhor, contra isto já nos alertava Santo Agostinho: “Os filósofos, falam livremente, sem medo de ferir os ouvidos das pessoas religiosas em coisas muito difíceis de entender. Nós, porém, devemos falar segundo uma regra determinada, para evitar que a liberdade de linguagem venha causar maneiras de pensar ímpias, mesmo quanto ao sentido das palavras.”

 

Por Junior Mathias