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Série - Os Sacramentos - Batismo (Parte 2)

Série - Os Sacramentos - Batismo (Parte 2)

 2. Batismo e Salvação

Inseridos que estamos em uma sociedade relativista afirmar verdades de fé torna-se uma urgência e uma em nossa caminhada de batizados. Faz-se mister então dizer categoricamente que o Batismo é o único sacramento indispensável para salvação.

Jesus é explícito quanto a isso: “Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.” (Jo 3,5), para tanto ordena aos seus discípulos que anunciem o Evangelho e batizem.

A Santa Igreja seguindo os ensinamentos de Cristo afirma que o “Batismo é necessário, para a salvação, para aqueles aos quais o Evangelho foi anunciado e que tiveram a possibilidade de pedir este sacramento. A Igreja não conhece outro meio senão o Batismo para garantir a entrada na bem-aventurança eterna”. Visto que dos efeitos do Batismo tem-se justamente a graça santificante que nos reabre a possibilidade do convívio com Deus e o direito a herança que é a bem-aventurança eterna em Deus, a necessidade do Batismo é uma consequência lógica para salvação.

2.1 – No que diz respeito aos que morrem sem ter recebido o sacramento, brevemente pode-se dizer:

- Aos que morreram em razão da fé, receberam o Batismo de Sangue, morrendo por  e com Cristo, lhes é garantida a Salvação

- Aos catecúmenos que morreram lhes é garantida a salvação pelo seu desejo explícito de receber o batismo, em união ao arrependimento sincero de seus pecados e caridade.

- Aos que morreram sem ter conhecido o Evangelho de Cristo, podem ser salvos pela procura da verdade e prática da vontade de Deus segundo seu conhecimento.

- “às crianças mortas sem Batismo, a Igreja só pode confiá-las à misericórdia de Deus, como o faz no rito das exéquias por elas. Com efeito, a grande misericórdia de Deus, "que quer que todos os homens se salvem" (1Tm 2,4), e a ternura de Jesus para com as crianças, que o levou a dizer: "Deixai as crianças virem a mim, não as impeçais" (Mc 10,14), nos permitem esperar que haja um caminho de salvação para as crianças mortas sem Batismo. Eis por que é tão premente o apelo da Igreja de não impedir as crianças de virem a Cristo pelo dom do santo Batismo.”

Por fim, deve-se entender que embora Deus tenha vinculado a salvação ao Batismo, Ele não está vinculado aos sacramentos, e que, portanto  o Espírito Santo oferece a todos, de forma conhecidas somente por Deus e inimagináveis aos homens, maneiras de associarem-se ao Mistério Pascal.

3. Batismo de Crianças

O Batismo ministrado a crianças pode ser fundamentado sob diversos aspectos e dessa forma sanar uma dúvida sempre presente entre os não-católicos e também entre os filhos da Igreja.

Encontra-se desde os tempos mais remotos relatos e orientações acerca do batismo infantil ou de neonatais. Não é encontrado em nenhum dos Padres nenhum escrito que renegue o Batismo às crianças ou restrinja o sacramento para alguma idade, pelo contrário já no século II Santo Irineu afirmava: “Porque veio salvar a todos. E digo 'todos', isto é, àqueles tantos que por Ele renascem para Deus, sejam recém-nascidos, crianças, adolescentes, jovens ou adultos” (Contra as Heresias) . Corroboram esta doutrina, Orígenes (sec. III), que dentre inúmeros textos  destaca-se: “A Igreja recebeu dos Apóstolos o costume de administrar o batismo inclusive às crianças, pois aqueles a quem foram confiados os segredos dos mistérios divinos sabiam muito bem que todos carregam a mancha do pecado original que deve ser lavada pela água e pelo espírito” (In. Rom. Com. 5,9: EH 249); Santo Hipólito (séc. III):“Ao cantar o galo, se começará a rezar sobre a água, seja a água que flui da fonte, seja a que flui do alto. Assim se fará, salvo em caso de necessidade. Portanto, se houver uma necessidade permanente e urgente, se empregará a água que se encontrar. Se desnudarão e se batizarão primeiro as crianças. Todas as que puderem falar por si mesmas, que falem; quanto às que não puderem, falem por elas os seus pais ou alguém da sua família. Se batizarão em seguida os homens e, finalmente, as mulheres...”.

São diversos relatos e escritos dos primeiros séculos da Igreja ratificando esta prática da Igreja, tal tradição chegou até aos nossos dias sendo confirmada pelo magistério da Igreja no Catecismo da Igreja: “Por nascerem com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, também as crianças precisam do novo nascimento no Batismo, a fim de serem libertadas do poder das trevas e serem transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus, para a qual todos os homens são chamados. A gratuidade pura da graça da salvação é particularmente manifesta no Batismo das crianças.”

Reforça a necessidade do Batismo de crianças a própria Sagrada Escritura já que o próprio Senhor define este sacramento da Nova Aliança como condição para salvação, “Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.” (Jo 3,5)”. ora como negar então o que é essencial para salvar-se a quem quer seja ?

Entretanto, se o questionamento acerca do Batismo infantil vir através da seguinte passagem: "Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer será condenado" (Mc 16,16) portanto neonatais não podem crer e consequentemente não deve ser batizados” então poder-se-ia perguntar: “Então todas as crianças até a idade da razão que morrerem estarão condenadas?”. Certamente que não, pois o próprio Senhor pede: “Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham.” (Mt 19,14).

O fato é que em nenhum momento na Sagrada Escritura proíbe esta prática, pelo contrário indica que famílias inteiras eram batizadas : “Uma mulher, chamada Lídia, da cidade dos tiatirenos, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava. O Senhor abriu-lhe o coração, para atender às coisas que Paulo dizia.

 Foi batizada juntamente com a sua família. (At 16,14-15a)

Então, naquela mesma hora da noite, ele[o carcereiro] cuidou deles [Paulo e Silas]e lavou-lhes as chagas. Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família. (At 16,33). Não há dúvidas que em uma família inteira certamente haveria ao menos uma criança, o que nos leva a constatar logicamente que desde os apóstolos o batismo era ministrado a todas as idades, conforme ordenou o próprio Senhor: "Ide, pois ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".(Mt 28,19).

Não se espera que uma criança comece a falar para pedir ou discernir que precisa de alimento, não cabível esperar, portanto que uma criança chegue a idade da razão para escolher que quer ser salva ou ainda, que precisa ter a culpa do pecado original apagada - já que todos pecaram e estão destituídos da graça e, necessitam do batismo para receber a graça regenerativa.  Soma-se a esta necessidade fundamental o fato das crianças, ainda sem o uso da razão, estarem em uma condição na qual não criam qualquer obstáculo à graça, e assim possuírem as melhores condições para recepção do Sacramento.

Por fim, das diversas prefigurações deste sacramento da Nova Aliança encontramos a Circuncisão da Antiga Lei, que era exigida por Deus que fosse realizada oito dias após o nascimento da criança afim de que esta fosse reconhecida como membro do seu povo, muito mais então o Batismo, a circuncisão da Nova Aliança, deve ser ministrado às crianças pois concede mais que a pertença a um povo, a filiação divina e participação do Corpo Místico de Cristo.

4. Diferenças entre o batismo de João e o Sacramento do Batismo.

É fundamental distinguir estes dois batismos a fim de compreender por completo a necessidade do Sacramento para salvação pois os dois possuem finalidades bem diferentes.

O batismo que João realizava no Jordão simbolizava e convidava à conversão pessoal  e penitência em preparação para vinda do Filho de Deus: “Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judéia. Dizia ele: Fazei penitência porque está próximo o Reino dos céus.

Pessoas de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a circunvizinhança do Jordão vinham a ele. Confessavam seus pecados e eram batizados por ele nas águas do Jordão. Eu vos batizo com água, em sinal de penitência, mas aquele que virá depois de mim é mais poderoso do que eu e nem sou digno de carregar seus calçados. (Mt 3,1-2.5-6.11)

Diferentemente, o Sacramento do Batismo, tendo origem no Mistério Pascal, age apagando os pecados de quem o recebe - pecado original os pecados cometidos por vontade própria  e suas penas como já dito anteriormente. Enquanto este batismo regenera espiritualmente e é verdadeiro instrumento de perdão, aquele é um simples rito, claramente simbólico.

 5. Validade do Batismo

Para que o Batismo seja válido são necessários alguns requisitos

- a fórmula utilizada deve ser aquela exigida pelo próprio Senhor Jesus que consiste na profissão da fé na Santíssima Trindade.

- a matéria utilizada deve ser a água

- a reta intenção de quem ministra e de quem recebe o sacramento.

É fato que a Santa igreja aceita o batismo conferido em algumas seitas, para isso é necessário que estes requisitos sejam requisitos  sejam cumpridos, logo não cabe o rebatismo àqueles que receberam nas denominações que tem o seu batismo validado pela Igreja. As aceitas, as que devem ser avaliadas com cautelas, as que são rejeitadas encontram-se na nota do Cânon 869.

6. Quem pode ser batizado e algumas exigências

O Código de Direito Canônico afirma: “É capaz de receber o batismo toda pessoa ainda não batizada, e somente ela.” (Cân. 864 ).

Neste tempo no qual os sacramentos, infelizmente, são encarados por grande parte dos fiéis como um ato social, e portanto esvaziados do Mistério e Sacralidade que os cabem , é importante dispensar algumas linhas para salientar algumas condições  para o primeiro Sacramento que o cristão recebe.

Embora em muitas paróquias tenha se instituído ministros de batismo deve-se lembrar que somente em casos especiais e urgentes o ministro do Batismo pode ser alguém que não o Bispo, presbítero ou diácono. (cf. CDC, Can. 861).

Ao mesmo tempo, não por ato social, a Igreja ensina que os pais tem a obrigação de cuidar que seus filhos sejam batizados nos primeiros dias de vida, visto toda a graça santificante e regeneradora que provém do batismo. Aos pais ainda cabe o dever de educar seus filhos na fé católica, com o risco de adiamento do batismo na falta de certeza desta educação.

Obviamente o  consentimento dos pais é também necessário exceto em risco de morte da criança.

Ao adulto que deseja receber o batismo é necessário confirmar a sua suficiente instrução na fé além do conhecimento de suas obrigações  de vida cristã além da prova de sua decisão de abraçar a fé católica através de sua própria vida.

Por fim não poderia deixar de se falar dos padrinhos, que ao longo do tempo perderam o seu verdadeiro função que consiste em  ajudar o batizado a viver uma vida de acordo com o batismo e a cumprir fielmente as obrigações própria da vida cristã.

Entretanto unido a este esvaziamento da missão dos padrinhos está a falta de comprometimento dos próprios pais de os escolherem coerentemente. Interessante notar que na maior parte dos casos as escolha, não é observado a necessidade de que o padrinho já tenha recebido o Santíssimo Sacramento e leve uma vida de acordo com a Fé Católica e a missão que assumirá. Ora, então não se pode e não será aceito alguém que não creia na Santa Igreja, que não creia em Cristo, que viva uma vida sem qualquer compromisso com Deus e seus mandamentos, que esteja fora da comunhão da Igreja; simplesmente porque não pode um cego guiar outro, pois ambos cairão.

Deve o Sacramento do Batismo, que abre as portas para todos os outros Sacramentos, ser encarado com todo o respeito, todo temor, toda admiração que lhe é devido, pois por ele nascemos de novo, renascemos como filhos de Deus.

Por Wellington Vieira


Leia mais : Batismo - Parte 1



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