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O Pecado

O Pecado

Existe uma importância dentro da Doutrina Cristã muito grande de entender a origem do pecado, assim como sua consequência, pois é por esta narrativa que entramos no mistério de amor de Deus, na redenção. 

No relato do Gênesis capitulo 3 vemos a sedução, o desejo, o ato e a consequência do pecado:

A serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que Javé Deus havia feito. Ela disse para a mulher: É verdade que Deus disse que vocês não devem comer de nenhuma árvore do jardim? A mulher respondeu para a serpente: Nós podemos comer dos frutos das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: 'Vocês não comerão dele, nem o tocarão, do contrário vocês vão morrer. Então a serpente disse para a mulher: De modo nenhum vocês morrerão. Mas Deus sabe que, no dia em que vocês comerem o fruto, os olhos de vocês vão se abrir, e vocês se tornarão como deuses, conhecedores do bem e do mal. Então a mulher viu que a árvore tentava o apetite, era uma delícia para os olhos e desejável para adquirir discernimento. Pegou o fruto e o comeu; depois o deu também ao marido que estava com ela, e também ele comeu. Então abriram-se os olhos dos dois, e eles perceberam que estavam nus. Entrelaçaram folhas de figueira e fizeram tangas.”  

O livro do Gênesis nos da a conhecer o que o magistério ensina como o pecado original é um relato cheio de alegorias, que define o erro inicial do homem no não cumprimento da vontade de Deus.

No século V da era cristã a Igreja precisou combater uma heresia que surgiu com Pelágio, que segundo ele, o pecado de Adão não teve outra consequência para seus descendentes senão a de ter dado um mau exemplo. Além disso, um e outros eram mortais antes do pecado e nascem em igualdade de condições. Adão e seus descendentes – para Pelágio – podiam salvar-se só com o esforço da vontade, sem que, para Adão, fosse necessária a graça, e, para as crianças, necessário o Batismo. Esta apresentação do pelagianismo foi profundamente combatida pela Igreja e por Santo Agostinho. 

Contra o pelágianismo (Séc. V) “Indiculus”- São Próspero de Aquitânia

Foi decidido por todos os bispos (…), reunidos no santo Concílio da Igreja, que: quem disser que Adão, o primeiro homem, foi criado mortal, de modo que, pecasse ou não pecasse, teria de morrer corporalmente isto é, que sairia do corpo não por castigo do pecado, mas por necessidade da natureza, – seja anátema.

Porque aquilo que diz o Apóstolo: “Por um só homem entrou o pecado no mundo, e com o pecado a morte, e assim a morte passou a todos os homens, pois nele todos pecaram” (Rm 5, 12), não deve ser entendido de modo diferente de como sempre o entendeu toda a Igreja Católica. E é, com efeito, por esta regra de Fé que também as criancinhas, incapacitadas ainda de cometer pecados pessoais, são verdadeiramente batizadas para a remissão dos pecados, a fim de que, na regeneração [batismal], se purifique nelas o que pela geração contraíram..

No Catecismo da Igreja demonstra em síntese de como a Igreja interpreta o mistério, de por um só homem, o pecado ter entrado na criação e desmente a tese pelagiana e a tese protestante.

Como é que o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes? Todo o género humano é, em Adão, «sicut unum corpus unius hominis – como um só corpo dum único homem». Em virtude desta «unidade do género humano», todos os homens estão implicados no pecado de Adão, do mesmo modo que todos estão implicados na justificação de Cristo. Todavia, a transmissão do pecado original é um mistério que nós não podemos compreender plenamente. Mas sabemos, pela Revelação, que Adão tinha recebido a santidade e a justiça originais, não só para si, mas para toda a natureza humana; consentindo na tentação, Adão e Eva cometeram um pecado pessoal, mas este pecado afeta a natureza humana que eles vão transmitir num estado decaído. É um pecado que vai ser transmitido a toda a humanidade por propagação, quer dizer, pela transmissão duma natureza humana privada da santidade e justiça originais. E é por isso que o pecado original se chama «pecado» por analogia: é um pecado «contraído» e não «cometido»; um estado, não um ato. (CIC 404)

A doutrina da Igreja sobre a transmissão do pecado original adquiriu precisão, sobretudo no século V, em especial sob o impulso da reflexão de Santo Agostinho contra o pelagianismo, e no século XVI, em oposição à Reforma protestante. Pelágio sustentava que o homem podia, pela força natural de sua vontade livre, sem a ajuda necessária da graça de Deus, levar uma vida moralmente boa; limitava assim à influência da falta de Adão à de um mau exemplo. Os primeiros Reformadores protestantes, ao contrário, ensinavam que o homem estava radicalmente pervertido e sua liberdade anulada pelo pecado original: identificavam o pecado herdado por cada homem com a tendência ao mal ("concupiscência"), que seria insuperável. A Igreja pronunciou-se especialmente sobre o sentido do dado revelado no tocante ao pecado original no segundo Concílio de Oranges, em 529, e no Concílio de Trento em 1546. (CIC 406)

É a partir do pecado de nossos pais, que tinham sido criados “imaculados e imunes á morte” que todos nós desde o nosso nascimento contraímos também o pecado original e consequentemente a morte.

São Leão Magno nos diz a respeito da permissão de Deus, para que o primeiro homem cometesse o pecado: "A graça inefável de Cristo deu-nos bens melhores do que aqueles que a inveja do Demônio nos havia subtraído". E Santo Tomás de Aquino complementa: Nada obsta a que a natureza humana tenha sido destinada a um fim mais elevado após o pecado. Com efeito, Deus permite que os males aconteçam para tirar deles um bem maior. Donde a palavra de São Paulo: “Onde abundou o pecado superabundou à graça” (Rm 5,20). E o canto do Exultet: Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor.

Fundados no ensinamento da Igreja é que entendemos a causa do pecado no mundo e o desvio do homem.

Este mistério do pecado sempre nos remete ao mistério maior da redenção, o Evangelho é a revelação de Jesus Cristo, da misericórdia de Deus para com os pecadores. “O anjo assim o disse a José: Pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mt 1, 21)

Santo Agostinho afirma: “Deus nos criou sem nós, mas não quis salvar-nos sem nós.” A salvação em Cristo e pelos seus méritos é um ato de adesão também da vontade humana, assim como o pecado é um ato e uma vontade.

Mas para realizar a sua obra, a graça tem de pôr a descoberto o pecado, para converter o nosso coração e nos obter “a justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 5, 21). Como um médico que examina a chaga antes de lhe aplicar o penso, Deus, pela sua Palavra e pelo seu Espírito, projeta uma luz viva sobre o pecado:

A conversão requer o reconhecimento do pecado. Contém em si mesma o juízo interior da consciência. Pode ver-se nela a prova da ação do Espírito de verdade no mais íntimo do homem. Torna-se, ao mesmo tempo, o princípio dum novo dom da graça e do amor: "Recebei o Espírito Santo". Assim, neste "convencer quanto ao pecado". Descobrimos um duplo dom: o dom da verdade da consciência e o dom da certeza da redenção. O Espírito da verdade é o Consolador. (DeV 31)

Definição do Pecado

A etimologia da palavra pecado, no hebraico “chata’th” e “hamartia”, no grego  tem o significado de “errar o alvo propositalmente” ou “desviar de rumo”, não de forma passiva, mas intencional e no latim Peccatum “tropeçar”, “ andar vacilante” “de pé caindo”.

O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a reta consciência. É uma falha contra o verdadeiro amor para com Deus e para com o próximo, por causa dum apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e atenta contra a solidariedade humana. Foi definido como uma palavra, um ato ou um desejo contrários à Lei eterna. (CIC 1849)

 

Pecado mortal e pecado venial

“Se alguém vê o seu irmão cometer um pecado que não leva à morte, que ele reze, e Deus dará a vida a esse irmão. Isso quando o pecado cometido não leva para a morte. Existe um pecado que leva para a morte, mas não é a respeito desse que eu digo para se rezar. Toda injustiça é pecado, mas existe pecado que não leva para a morte.” (1 Jo 5,16-17)

O efeito do pecado mortal no homem é destrui a caridade no coração, por uma infração grave a lei de Deus e o desvia de Deus, em troca de um bem inferior.

O pecado venial deixa subsistir a caridade, mas feri e ofendi.

O pecado mortal ataca o principio vital da caridade no coração do homem e exigi de Deus uma nova iniciativa de misericórdia e uma conversão do homem, através do Sacramento da Reconciliação.

Quando [...] a vontade se deixa atrair por uma coisa de si contrária à caridade, pela qual somos ordenados para o nosso fim último, o pecado, pelo seu próprio objeto, deve considerar-se mortal [...], quer seja contra o amor de Deus (como a blasfémia, o perjúrio, etc.), quer contra o amor do próximo (como o homicídio, o adultério, etc.) [...] Em contrapartida, quando a vontade do pecador por vezes se deixa levar para uma coisa que em si é desordenada, não sendo, todavia contrária ao amor de Deus e do próximo (como uma palavra ociosa, um risco supérfluo, etc.), tais pecados são veniais. (Suma Theológica I-II,88,2)

Para que o pecado seja mortal requer três condições:

1º Matéria Grave – infligir os 10 mandamentos.

2º Conhecimento – saber que o ato é pecaminoso.

3º Consentimento – a escolha pessoal de cometer o delito.

A ignorância involuntária pode diminuir, ou mesmo desculpar, a imputabilidade duma falta grave. Mas parte-se do princípio de que ninguém ignora os princípios da lei moral, inscritos na consciência de todo o homem. Os impulsos da sensibilidade e as paixões podem também diminuir o carácter voluntário e livre da falta. O mesmo se diga de pressões externas e de perturbações patológicas. O pecado cometido por malícia, por escolha deliberada do mal, é o mais grave. O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, tal como o próprio amor. Tem como consequência a perda da caridade e a privação da graça santificante, ou seja, do estado de graça. E se não for resgatado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, originará a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no Inferno, uma vez que a nossa liberdade tem capacidade para fazer escolhas definitivas, irreversíveis. No entanto, embora nos seja possível julgar se um ato é, em si, uma falta grave, devemos confiar o juízo sobre as pessoas à justiça e à misericórdia de Deus. (CIC 1860-1861)

O pecado venial é cometido quando em matéria leve, a medida da lei moral, ou quando se desobedece a lei moral em matéria grave, mas sem pleno conhecimento ou consentimento. Ele enfraquece a caridade, aumenta o apego aos bens criados, impede o progresso nas virtudes e a prática do bem moral. O pecado venial não priva da amizade com Deus, mas se esse fica sem arrependimento nos leva pouco a pouco á cometer um pecado mortal.

Enquanto vive na carne, o homem não é capaz de evitar totalmente o pecado, pelo menos os pecados leves. Mas estes pecados, que chamamos leves, não os tenham por insignificantes. Se os tens por insignificantes quando os pesas, treme quando os contas. Muitos objetos leves fazem uma massa pesada; muitas gotas de água enchem um rio; muitos grãos fazem um monte. Onde, então, está a nossa esperança? Antes de mais, na confissão... (Santo Agostinho)

“Todo o pecado ou blasfémia será perdoado aos homens, mas a blasfémia contra o Espírito não lhes será perdoada” (Mt 12, 31)

O pecado contra o Espirito Santo é não confiar na misericórdia de Deus e na sua capacidade de perdoar. Não há limites para a misericórdia de Deus, mas quem recusa deliberadamente receber a misericórdia de Deus, pelo arrependimento, rejeita o perdão dos seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo. (DeV 46)

A proliferação do pecado 

Com a prática constante do pecado, sem o arrependimento o pecador se torna escravo, pois o pecado o vicia e um vicio de duas mortes, terrena e eterna.

O pecado arrasta ao pecado; gera o vício, pela repetição dos mesmos atos. Daí resultam as inclinações perversas, que obscurecem a consciência e corrompem a apreciação concreta do bem e do mal. Assim, o pecado tende a reproduzir-se e reforçar-se, embora não possa destruir radicalmente o sentido moral. (CIC 1865)

Os vícios são contrários às virtudes, São Gregório Magno e São João Cassiano chamam estes Pecados de Capitais, e a tradição cristã os segue, pois geram outros pecados:

1º Orgulho (Soberba) – contrário da Humildade.

2º Avareza – contrário da Generosidade.

3º Inveja – contrário da Caridade.

4º Ira – contrário da Paciência.

5º Luxúria (Impureza) – contrário da Castidade.

6º Gula – contrário da Esperança.

7º Preguiça – contrário da Diligência.

“Javé detesta seis coisas, e a sétima ele abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina planos perversos, pés que correm para a maldade, testemunha falsa que profere mentiras, e aquele que semeia discórdia entre irmãos.” (Prov 6,16-19)

A tradição catequética lembra que existem os pecados que Brandam os céus e a ira de Deus, contra os que o cometem, são eles:

1º Homicídio voluntário... o sangue de Abel. (Gn 4,10)

2º Pecado sensual contra a natureza... o pecado dos sodomitas. (Gn 18,20; 19,13)

3º Oprimir os pobres, órfãos e viúvas... (Ex 3,7-10; 22,20-22)

4º Negar o justo salário aos que trabalham... ( Dt 24, 14-15; Tg 5,4)

O pecado é um ato pessoal. Mas, além disso, nós temos responsabilidade nos pecados cometidos por outros, quando neles cooperamos... Assim, o pecado torna os homens cúmplices uns dos outros, faz reinar entre eles a concupiscência, a violência e a injustiça... As estruturas de pecado são expressão e efeito dos pecados pessoais e induzem as suas vítimas a que, por sua vez, cometam o mal... (CIC 1868-1869)

Todo pecado cometido geram duas coisas a Culpa e a Pena:

- A culpa é perdoada através do arrependimento sincero e mediante a acusação da falta diante do sacerdote. Morrer com a Culpa a consequência é a Pena eterna.

- A pena é uma consequência do pecado, a pena eterna e a pena temporal, pois todo pecado gera um desordem que é penalizada, a pena temporal (do pecado remido) pode ser cumprida através da penitência/conversão e pelas indulgências.

Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos. (Manual de Indulgências Norma 1)

Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, deve ter-se presente que o pecado tem uma dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, portanto, torna-nos incapazes da vida eterna, cuja privação se chama «pena eterna» do pecado. Por outro lado, todo o pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado às criaturas, o qual precisa de ser purificado, quer nesta vida quer depois da morte, no estado que se chama Purgatório. Esta purificação liberta do que se chama «pena temporal» do pecado. Estas duas penas não devem ser consideradas como uma espécie de vingança, infligida por Deus, do exterior, mas como algo decorrente da própria natureza do pecado. Uma conversão procedente duma caridade fervorosa pode chegar à total purificação do pecador, de modo que nenhuma pena subsista. (CIC 1472)

O mistério do pecado é análogo ao mistério da redenção; o pecado chega a Adão pelo sim de Eva á serpente; Jesus vem ao mundo pelo sim de Maria ao Anjo; Adão e Eva comeram do fruto da árvore do pecado; nós comemos do fruto da árvore da cruz, o corpo e o sangue de Nosso Senhor para nossa salvação; a desobediência de Adão trouxe a morte, pela obediência até a morte de Jesus a vida.

“Deus encerrou todos na desobediência, para a todos fazer misericórdia.” (Rm 11,32)

 

Por Junior Mathias



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