O PAI NOSSO - “O resumo de todo Evangelho”

O PAI NOSSO - “O resumo de todo Evangelho”

“A oração dominical é verdadeiramente o resumo de todo o Evangelho” (Tertuliano)

 

“Percorrei todas as orações que existem na Sagrada Escritura; não creio que possais encontrar uma só que não esteja incluída e compendiada nesta oração dominical” (Sto Agostinho)

“Pai nosso”

“...ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo.” (Mt 11, 27)

“A expressão Deus Pai nunca tinha sido revelada a ninguém. Quando o próprio Moisés perguntou a Deus quem era, ouviu um nome diferente. A nós, este nome foi revelado no Filho; porque este nome (de Filho) implica o nome de Pai” (Tertuliano)

Em Cristo reconhecemos a paternidade de Deus e nesta, o acolhimento de olharmos para Ele e exclamarmos Abbá! Fomos acolhidos em seu Filho único e nos tornamos pelo batismo, cristos (“ungidos”).

“Deus, que nos predestinou para a adoção de filhos, tornou-nos conformes ao corpo glorioso de Cristo. Doravante, pois, participantes de Cristo, sois com todo o direito chamados "cristos"” (S. Cirilo de Jerusalém)

É por meio desta adoção que somos acolhidos e também reconhecemos quem nos acolhe e o chamamos de Pai.

“Ó homem, tu não ousavas levantar o teu rosto para o céu, baixavas os teus olhos para a terra, e de repente recebeste a graça de Cristo: todos os pecados te foram perdoados, de mau servo tornaste-te bom filho [...]. Portanto, ergue os olhos para o Pai que te resgatou pelo seu Filho e diz: Pai nosso [...]. Mas não reivindiques para ti algo de especial. Só de Cristo é que Ele é Pai de modo especial, de todos nós é Pai em comum; porque só a Ele gerou, ao passo que a nós, criou-nos. Portanto, por graça, diz também tu "Pai nosso", para mereceres ser filho” (Sto Ambrósio)

Quando repetimos a oração ensinada pelo Senhor ... “Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos” (Lc 11,1) não estamos somente relembrando palavras ou formas ensinadas, mas reconhecendo nesta oração á mais perfeita de todas as orações bíblicas e todo um fundamento desta Revelação que exige de nós um reconhecimento profundo de filiação.

Este dom gratuito da adoção exige da nossa parte uma conversão contínua e uma vida nova. Orar ao nosso Pai deve desenvolver em nós duas disposições fundamentais: O desejo e a vontade de nos parecermos com Ele. Criados à sua imagem é pela graça que a semelhança nos é restituída e a ela devemos corresponder. (CIC 2784)

Existe um comprometimento de vida, na oração, não são palavras jogadas a esmo, mas palavra que meditadas revelam a nós um Deus que é Pai, ama seus filhos e espera de seus filhos o mesmo amor:

“Devemos lembrar-nos de que, quando chamamos a Deus de «nosso Pai», temos de nos comportar como filhos de Deus” (S. Cipriano)
“Vós não podeis chamar vosso Pai ao Deus de toda a bondade se conservar um coração cruel e desumano; porque, nesse caso, já não tendes a marca da bondade do Pai celeste” (S. João Crisóstomo)
“Devemos contemplar incessantemente a beleza do Pai e impregnar dela a nossa alma”
(S. Gregório de Nissa)

Os batizados não podem dizer Pai «nosso», sem levar até junto d'Ele todos aqueles por quem Ele deu o seu Filho bem-amado. O amor de Deus é sem fronteiras; a nossa oração deve sê-lo também. (CIC 2793)

“Que estais no céu”

Esta expressão bíblica não significa um lugar («o espaço»), mas um modo de ser; não é o distanciamento de Deus, mas a sua majestade. (CIC 2794)

“É com razão que estas palavras: "Pai nosso que estais nos céus" se referem ao coração dos justos, nos quais Deus habita como em seu templo. Por isso, também aquele que reza desejará ver morar em si Aquele a quem invoca” (Sto Agostinho)

Este é o desejo que esta na alma de todo o cristão que reza, e “sofre” por ainda não estar em plena comunhão com Deus, o tanto que sua alma deseja, mas o corpo a priva. Por isso, suspiramos neste nosso estado, desejosos de revestir o nosso corpo celeste” (2Cor 5, 2)

“Os cristãos estão na carne, mas não vivem segundo a carne. Passam a vida na terra, mas são cidadãos do céu” (Carta a Diogneto)

OS SETE PEDIDOS

Os primeiros 3 pedidos são teologais, pois manifestam a Glória de Deus e os 4 últimos. Como caminhos para Ele, oferecem nossa miséria à sua Graça.

“Santificado seja [...]. Venha [...]. Seja feita...”. Estas três súplicas já foram atendidas no sacrifício de Cristo salvador, mas agora estão orientadas, na esperança, para o seu cumprimento final, enquanto Deus ainda não é tudo em todos. (CIC 2804)

“Dai-nos [...], perdoai-nos [...], não nos deixeis [...], livrai-nos...”. A quarta e quinta petições dizem respeito à nossa vida, como tal, quer para alimentá-la, quer para curá-la do pecado. As duas últimas dizem respeito ao nosso combate pela vitória da vida, que é o próprio combate da oração. (CIC 2805)

I – Santificado seja vosso Nome

A palavra «santificar» deve ser entendida, aqui, antes de mais, não no seu sentido causativo (só Deus santifica, torna santo), mas, sobretudo num sentido estimativo: reconhecer como santo, tratar de um modo santo. (CIC 2807)

Jesus revela-nos a santidade do nome de Deus e convida em nós a santifica-lo no mundo, isto não quer dizer que Deus será “mais ou menos” Santo, visto que nossa oração não acrescenta nem tira nada de Deus, que é perfeito em si, mas o “santificar seu nome” esta muito mais relacionado ao benefício para o homem que glorifica á Deus no mundo.

“Por quem poderia Deus ser santificado se é Ele próprio quem santifica? Mas porque Ele mesmo disse: "sede santos, porque Eu sou santo" (Lv 14, 44), nós que fomos santificados no Batismo, pedimos e rogamos para perseverar no que começamos a ser. E isso nós o pedimos todos os dias. Precisamos de uma santificação quotidiana para que, incorrendo em faltas todos os dias, todos os dias sejamos delas purificados por uma santificação assídua [...] Portanto, oramos para que esta santificação permaneça em nós.” (São Cipriano)

E santificar o nome de Deus não é somente oracional, mas também a ação em defesa desta santidade:

“Pedimos a Deus que o seu nome seja santificado, porque é pela santidade que Ele salva e santifica toda a criação. [...] Este é o nome que dá a salvação ao mundo perdido. Mas nós pedimos que este nome de Deus seja santificado em nós pela nossa atuação. Porque se nós agirmos bem, o nome de Deus é bendito; mas é blasfemado se agirmos mal. Escuta o que diz o Apóstolo: "O nome de Deus é blasfemado entre as nações, por causa de vós" (Rm 2, 24) Nós, portanto, pedimos para merecermos ter nos nossos costumes tanta santidade, quanto é santo o nome de Deus.” (S Pedro Crisólogo)

II – Venha a nós o vosso Reino

Somos cidadãos do céu, mas isso não exime de nós compactuar para o bem da civilização humana, clamar o Reino, nunca é uma alienação a vida terrena, mas antes um súplica do grande anseio de “estar” no Reino o quanto antes, MARANA THA! O Reino de Deus existe antes de nós.

O Reino de Deus está diante de nós. Aproximou-se no Verbo encarnado, foi anunciado através de todo o Evangelho, veio na morte e ressurreição de Cristo. O Reino de Deus vem desde a santa ceia e, na Eucaristia, está no meio de nós. O Reino virá na glória, quando Cristo o entregar a seu Pai. (CIC 2816)

“É mesmo possível [...] que o Reino de Deus signifique o próprio Cristo, a Quem todos os dias desejamos que venha e cuja Vinda queremos que aconteça depressa. Do mesmo modo que Ele é a nossa ressurreição, pois n'Ele ressuscitamos, assim também pode ser Ele próprio o Reino de Deus, porque n'Ele reinaremos” (S. Cipriano)

Correntes heréticas com a Teologia da Libertação querem dar um fundamento ao Reino de Deus, como se fosse somente Paz e Justiça Social e contrapõem o ensinamento bíblico: “O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e gozo no Espírito Santo.” (Rm 14,17) e “Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo.” (Tt 2,12-13)

“Só um coração puro pode dizer com confiança: "Venha a nós o vosso Reino". É preciso ter passado pela escola de Paulo para dizer: "Que o pecado deixe de reinar no vosso corpo mortal" (Rm 6, 12). Quem se conserva puro nos seus atos, pensamentos e palavras é que pode dizer a Deus: “Venha a nós o vosso Reino!" (S. Cirilo de Jerusalém)

III – Seja feita a vossa Vontade assim na terra como no céu

 Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade.” (2Tm 2, 3-4) Foi em Cristo e pela sua vontade humana que a vontade do Pai se cumpriu perfeitamente e duma vez para sempre. Só Jesus pode dizer: “Faço sempre o que lhe agrada” (Jo 8, 29)

A vontade de Deus é plenamente cumprida no Céu e este pedido para que sua vontade se realize na Terra é uma entrega e adesão à esta Suprema Vontade.

“Aderindo a Cristo, podemos tornar-nos um só espírito com Ele e assim cumprir a sua vontade; desse modo, ela será feita na terra como no céu.” (Origenes)

Dizer a oração e principalmente este pedido ...sua Vontade... não se exclui de realizar: Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem lhe presta culto e faz a sua vontade.”(Jo 9,31) A inconformidade de uma vida (na vontade) de Deus tira os méritos da oração.

“Considerai como Jesus Cristo nos ensina a ser humildes, fazendo-nos ver que a nossa virtude não depende só do nosso trabalho, mas da graça de Deus. Aqui, Ele ordena a todo o fiel que ora a fazê-lo de modo universal, por toda a terra. Porque não diz "seja feita a vossa vontade" em mim ou em vós, mas "em toda a terra": para que dela seja banido o erro e nela reine a verdade, o vício seja destruído e a virtude refloresça, e para que a terra deixe de ser diferente do céu.” (S. João Crisóstomo)

Tal é o poder da oração da Igreja feita em nome do seu Senhor, sobretudo na Eucaristia; ela é comunhão de intercessão com a santíssima Mãe de Deus e com todos os santos que foram «agradáveis» ao Senhor por não terem querido senão a sua vontade. (CIC 2827)

IV – O pão nosso de cada dia nos dai hoje

«Dai-nos»: como é bela a confiança dos filhos, que tudo esperam do Pai! «Ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e chover sobre justos e injustos» (Mt 5, 45); dá a todos os seres vivos «de comer a seu tempo» (Sl 104, 27). É Jesus quem nos ensina esta petição que, de fato, glorifica o nosso Pai porque é o reconhecimento de quanto Ele é bom, acima de toda a bondade. (CIC 2828)

Pedir à Deus que nos dê, não é de forma alguma uma passividade, antes uma total confiança que tudo de bom vem Dele: Intimamos-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que eviteis a convivência de todo irmão que leve vida ociosa e contrária à tradição que de nós tendes recebido. Sabeis perfeitamente o que deveis fazer para nos imitar. Não temos vivido entre vós desregradamente, nem temos comido de graça o pão de ninguém. Mas, com trabalho e fadiga, labutamos noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não porque não tivéssemos direito para isso, mas foi para vos oferecer em nós mesmos um exemplo a imitar. Aliás, quando estávamos convosco, nós vos dizíamos formalmente: Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer. Entretanto, soubemos que entre vós há alguns desordeiros, vadios, que só se preocupam em intrometer-se em assuntos alheios. A esses indivíduos ordenamos e exortamos a que se dediquem tranquilamente ao trabalho para merecerem ganhar o que comer. Vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.” (2Ts 3, 6-13) E tão pouco pode ser um convite a omitir se do trabalho e da labuta.

“Àqueles que procuram o Reino e a justiça de Deus, Ele promete dar tudo por acréscimo. Com efeito, tudo pertence a Deus: nada faltará àquele que possui a Deus se ele próprio não faltar a Deus.” (São Cipriano)

Mas a presença daqueles que têm fome por falta de pão revela outra profundidade desta petição. O drama da fome no mundo chama os cristãos que oram com sinceridade a assumir uma responsabilidade efetiva em relação aos seus irmãos, tanto nos seus comportamentos pessoais como na solidariedade para com a família humana. (CIC 2831) Veja a parábola do Juízo Final (Mt 25, 31-46).

“Ora et Labora” (S. Bento) “Rezai como se tudo dependesse de Deus, e trabalhai como se tudo dependesse de vós” (S. Inácio de Loyola)

A fome que paira sobre a terra é, sobretudo a fome da palavra de Deus e devido a esta fome que, a falta do alimento corporal estigmatiza a tantos. “Virão dias - oráculo do Senhor Javé - em que enviarei fome sobre a terra, não uma fome de pão, nem uma sede de água, mas (fome e sede) de ouvir a palavra do Senhor. (Am 8,11)

“Hoje” é outra expressão de confiança. É o Senhor que no-la ensina; a nossa presunção não poderia inventá-la. Tratando-se, sobretudo da sua Palavra e do corpo do seu Filho, este «hoje» não é somente o do nosso tempo mortal: é o «Hoje» de Deus. (CIC 2836)

“Se em cada dia recebes o pão, cada dia é hoje para ti. Se Cristo é para ti hoje, todos os dias Ele ressuscita para ti. Como é isso? "Tu és o Meu Filho, Eu hoje Te gerei" (Sl 2, 7). Hoje quer dizer: quando Cristo ressuscita.” (S. Ambrósio)

“De cada dia” tomada à letra (epiousios, «supersubstancial»), designa diretamente o Pão da Vida, o corpo de Cristo, remédio de imortalidade. (CIC 2837)

“A Eucaristia é o nosso pão de cada dia [...]. A virtude própria deste alimento é a de realizar a unidade a fim de que, reunidos no corpo de Cristo, tornados seus membros, sejamos o que recebemos. [...] E também são pão de cada dia as leituras que em cada dia ouvis na igreja; e os hinos que escutais e cantais, são pão de cada dia. Estes são os mantimentos necessários para a nossa peregrinação.” (S. Agostinho)

V – Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido

Este “como” é profundamente incomodo, pois exige de nós uma ação também, não é somente pedir o perdão á Deus, mas aprender Dele “como” perdoar. E diversas vezes no NT  nos questiona com o “como”: “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48); “sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36); “dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 13, 34) “perdoando-nos mutuamente como Deus nos perdoou em Cristo” (Ef 4, 32). O que faz de nós “réus” daquilo que rezamos!

O perdão é o cume da oração cristã; o dom da oração só pode ser recebido num coração em sintonia com a compaixão divina. O perdão testemunha também que, no nosso mundo, o amor é mais forte que o pecado. Os mártires de ontem e de hoje dão este testemunho de Jesus. O perdão é a condição fundamental da reconciliação (127) dos filhos de Deus com o seu Pai e dos homens entre si. (CIC 2844)

“Deus não aceita o sacrifício do dissidente e manda-o retirar-se do altar e reconciliar-se primeiro com o irmão: só com orações pacíficas se podem fazer as pazes com Deus. O maior sacrifício para Deus é a nossa paz, a concórdia fraterna e um povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo.” ( S. Cipriano)

VI – Não nos deixeis cair em tentação

Esta petição atinge a raiz da precedente, porque os nossos pecados são fruto do consentimento na tentação. Nós pedimos ao nosso Pai que não nos «deixe cair» na tentação. “Deus não é tentado pelo mal, nem tenta ninguém” (Tg 1, 13) Pelo contrário, Ele quer livrar-nos do mal. O que Lhe pedimos é que não nos deixe seguir pelo caminho que conduz ao pecado. Nós andamos empenhados no combate «entre a carne e o Espírito». Esta petição implora o Espírito de discernimento e de fortaleza. (CIC 2846)

“Deus não quer impor o bem, quer seres livres [...]. Para alguma coisa serve a tentação. Ninguém, senão Deus sabe o que a nossa alma recebeu de Deus, nem nós próprios. Mas a tentação manifesta-o para nos ensinar a conhecermo-nos e desse modo descobrir a nossa miséria e obrigar-nos a dar graças pelos bens que a tentação nos manifestou” (Orígenes)

Antes de tudo a tentação permite lutarmos para estar sempre dispostos a vontade de Deus, e Ele sabe nos santificar por meio desta luta, pois amadurece a disposição do tentado, em se manter de pé diante de Deus, sabendo que somente por sua graça o conseguimos. “Portanto, quem pensa estar de pé veja que não caia. Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela.” (1Cor 10, 12-13)

Ora tal combate e tal vitória só são possíveis pela oração. Foi pela oração que Jesus venceu o Tentador desde o princípio (138) e no último combate da sua agonia. Foi ao seu combate e à sua agonia que Cristo nos uniu nesta petição ao nosso Pai. A vigilância do coração é lembrada com insistência em comunhão com a sua. A vigilância é a «guarda do coração» e Jesus pede ao Pai que «nos guarde em seu nome». O Espírito Santo procura incessantemente despertar-nos para esta vigilância. (CIC 2849)

“Olhai que vou chegar como um ladrão: feliz de quem estiver vigilante!” (Ap 16, 15).

VII – Mas livrai-nos do mal

“Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno.” (Jo 17, 15)

A oração do Senhor não cessa de nos abrir às dimensões da economia da salvação. A nossa interdependência no drama do pecado e da morte transforma-se em solidariedade no corpo de Cristo, em «comunhão dos santos». (RP 16)

O Maligno é uma pessoa, Satanás, e neste pedido, nosso e de toda a Igreja, está a certeza de que Cristo o venceu e nós estamos sob o refúgio do Senhor, contra as ciladas e maldades do divisor, que mesmo vencido não deixa de “tentar” os eleitos para a perdição. “Sabemos que aquele que nasceu de Deus não peca; mas o que é gerado de Deus se acautela, e o Maligno não o toca. Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno.” (1Jo 5,18-19)

“Assassino desde o princípio, [...] mentiroso e pai da mentira” (Jo 8, 44), “Satanás, que seduz o universo inteiro” (Ap 12, 9), foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo, e é pela sua derrota definitiva que toda a criação será “liberta do pecado e da morte”. (MR, oração eucarística IV)

“O Senhor, que tirou o vosso pecado e perdoou as vossas faltas, tem poder para vos proteger e guardar contra as insídias do Diabo que vos combate, para que não vos surpreenda o inimigo que tem o hábito de engendrar a culpa. Mas quem a Deus se entrega não tem medo do Diabo. Porque "se Deus está por nós, quem contra nós?"(Rm 8, 31) (S. Ambrósio)

Ao pedirmos para sermos libertados do Maligno, pedimos igualmente para sermos livres de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador. Nesta última petição, a Igreja leva à presença do Pai toda a desolação do mundo. (CIC 2854)

“Livrai-nos de todo o mal, Senhor, e dai ao mundo a paz em nossos dias, para que, ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e de toda a perturbação, enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo nosso Salvador” (MR, Embolismo)

 

 

Por Junior Mathias