Instrução Geral do Missal Romano– Comentado (parte 1)

Instrução Geral do Missal Romano– Comentado (parte 1)

A seguir veremos trechos relevantes da Intrução Geral do Missal Romano e verificar o que realmente deve ser seguido e poder comparar com algumas “ações” anti litúrgicas e sem aval da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, que afrontam diretamente a Doutrina da Igreja.

Visto a importancia do texto, recomendamos á leitura na integra, pois, neste texto que será dividido em partes, pontuaremos somente algumas questões, link com o texto completo segue abaixo.

MISSAL ROMANO

RESTAURADO POR DECRETO DO CONCÍLIO

ECUMÊNICO VATICANO II,

PROMULGADO PELA AUTORIDADE DE PAULO VI

E REVISTO POR MANDADO DO PAPA JOÃO PAULO II

Tradução portuguesa para o Brasil da separata da terceira edição típica preparada sob os cuidados da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. ROMA 2002.

http://www.clerus.org/clerus/dati/2007-11/23-13/01MISSALROMANO.html

 

PROÊMIO

1.         Quando ia celebrar com seus discípulos a ceia pascal, onde instituiu o sacrifício do seu Corpo e Sangue, o Cristo Senhor mandou preparar uma sala ampla e mobiliada (Lc 22,12). A Igreja sempre julgou dirigida a si esta ordem, estabelecendo como preparar as pessoas, os lugares, os ritos e os textos, para a celebração da Santíssima Eucaristia. Assim, as normas atuais, prescritas segundo determinação do Concílio Vaticano II, e o Novo Missal, que a partir de agora será usado na Igreja de Rito romano para a celebração da Missa, são provas da solicitude da Igreja, manifestando sua fé e amor imutáveis para com o supremo mistério eucarístico, e testemunhando uma contínua e ininterrupta tradição, ainda que algumas novidades sejam introduzidas.

C: Verificamos que no primeiro ponto da instrução a Igreja já recorda que a preparação do ambiente para a Missa é: bíblica e necessária.

Testemunho de fé inalterável

2.        A natureza sacrificial da Missa, solenemente afirmada pelo Concílio de Trento[1], de acordo com toda a tradição da Igreja, foi mais uma vez formulada pelo II Concílio do Vaticano, quando, a respeito da Missa, proferiu estas significativas palavras: “O nosso Salvador, na última Ceia, instituiu o sacrifício eucarístico do seu Corpo e Sangue, com o fim de perpetuar através dos séculos, até à sua vinda, o sacrifício da cruz e, deste modo, confiar à Igreja, sua amada Esposa, o memorial da sua Morte e Ressurreição” [2].

Deste modo, no novo Missal, a norma da oração (lex orandi) da Igreja está em consonância perfeita com a perene norma de fé (lex credendi). Esta ensina-nos que, exceto o modo de oferecer, que é diverso, existe perfeita identidade entre o sacrifício da cruz e a sua renovação sacramental na Missa por Cristo Senhor instituída na última Ceia, ao mandar aos Apóstolos que a celebrassem em memória d’Ele. Consequentemente, a Missa é ao mesmo tempo sacrifício de louvor, de ação de graças, de propiciação e de satisfação.

C: A fé da Igreja no Sacrifício de Cristo ainda é a mesma, e em total comunhão com a Tradição e os ensinamentos Conciliares anteriores, temos o dever de honestidade de notar que a Igreja não muda em nada sua fé. Precisamos saber distinguir o que é a Fé da Igreja e o que é a falta de Fé de alguns ministros em relação ao Sacrifício de Cristo.

A Missa no Novo Ordo não perde seu “significado” sacrifical e nem deixa de ser, é preciso entender que a Doutrina não mudou, mas a “falta” de doutrina tenta mudar a lex orandi da lex credendi.

3.          O mistério admirável da presença real do Senhor sob as espécies eucarísticas, reafirmado pelo II Concílio do Vaticano[6] e outros documentos do Magistério da Igreja[7], no mesmo sentido e com a mesma doutrina com que o Concílio de Trento o tinha proposto à nossa fé[8], é também claramente expresso na celebração da Missa, não só pelas próprias palavras da consagração, em virtude das quais Cristo se torna presente por transubstanciação, mas também pela forma como, ao longo de toda a liturgia eucarística, se exprimem os sentimentos de suma reverência e adoração. É este o motivo que leva o povo cristão a prestar culto peculiar de adoração a tão admirável Sacramento, na Quinta-Feira da Ceia do Senhor e na solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.

C: Claramente esta instrução nos mostra que o valor da Missa não muda por causa do Rito, a doutrina permanece perene, assim como a natureza sacrifical da Missa, erram aqueles que assumem uma posição contrária ao valor da Missa neste Rito, visto que é claro que um é o Culto e uma Fé. Não podemos confundir a doutrina com o desvirtuamento que alguns causam e culpar o Novo Ordo, por algo que a culpa é na pessoa que interpretando sem uma comunhão com o Magistério, tira o valor de sacrifício da Missa.

6.            Ao enunciar os princípios que deveriam presidir à revisão do Ordo Missae, o II Concílio do Vaticano, servindo-se dos mesmos termos usados por S. Pio V na Bula Quo primum, que promulgava o Missal Tridentino de 1570, determina, entre outras coisas, que certos ritos sejam restaurados “em conformidade com a antiga norma dos Santos Padres” [11].

7.            Numa época particularmente difícil como aquela, em que estava em perigo a fé católica sobre o carácter sacrificial da Missa, sobre o sacerdócio ministerial, sobre a presença real e permanente de Cristo sob as espécies eucarísticas, o que mais preocupava S. Pio V era salvaguardar uma tradição, algo recente, é certo, mas injustamente atacada, e, consequentemente, introduzir o mínimo de alterações nos ritos sagrados.

C: Por 400 anos se celebrou a Missa no Rito S. Pio V, rito este que denota profundamente o caráter sacrifical da Missa e o sinal visível da celebração para Deus, o Missal de Paulo VI, não tinha a intenção que se perdesse este significado e verdade, apesar de ter "aberto" uma brecha à uma cultura modernista/protestante que desvinculasse o culto do sacrifício. A riqueza reconhecida no Rito de S. Pio V só agrega ao Rito de Paulo VI, qualquer fiel ou sacerdote pode perceber isso, desde que com o espirito imbuído desde caráter sacrifical participe da Missa Nova. O problema é que devido à falta de conhecimento e catequese sólida, sobre a natureza da Missa, fere no espirito do fiel, aquilo que ele contempla na Missa. Mas esse não é um erro somente dos fiéis da Nova Missa ou da Antiga Missa, mas um erro da falta de catequese e desejo de compreensão do mistério da fé.

IMPORTÂNCIA E DIGNIDADE DA CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA

16.          A celebração da Missa, como ação de Cristo e do povo de Deus hierarquicamente ordenado, é o centro de toda a vida cristã, tanto para a Igreja, quer universal quer local, como para cada um dos fiéis [22]. Nela culmina toda a ação pela qual Deus, em Cristo, santifica o mundo, bem como todo o culto pelo qual os homens, por meio de Cristo, Filho de Deus, no Espírito Santo, prestam adoração ao Pai[23]. Nela se comemoram também, ao longo do ano, os mistérios da Redenção, de tal forma que eles se tornam, de algum modo, presentes[24]. Todas as outras ações sagradas e todas as obras da vida cristã com ela estão relacionadas, dela derivam e a ela se ordenam[25].

C: A Missa é o ápice da fé cristã, tudo deve estar ordenado para a Missa, toda evangelização, pastoral, reuniões, ministérios, serviços... toda vida da Igreja se ordena para um fim... o Sacrifício de Cristo. Não existe uma paróquia que dê frutos, se tudo não estiver relacionado a esta centralidade da vida cristã, quando qualquer outra coisa, por mais piedosa, toma o lugar central na vida cristã, perde se a identidade católica.

19.        Embora nem sempre se consiga uma presença e uma participação ativa dos fiéis que manifestem com toda a clareza a natureza eclesial da celebração[29], a celebração eucarística tem sempre assegurada a sua eficácia e dignidade, por ser ação de Cristo e da Igreja, em que o sacerdote realiza a sua principal função e atua sempre para a salvação do povo.

Recomenda-se aos sacerdotes que, sempre que possível, celebrem o sacrifício eucarístico diariamente[30].

C: A Missa é da Igreja e para Deus, “perde” o fiel que não consegue participar ativamente desta realidade com a consciência dos mistérios e “perde” o sacerdote que deixa de celebrar e instruir o povo, ao objetivo de salvação da Missa.

ESTRUTURA DA MISSA, SEUS ELEMENTOS E SUAS PARTES

28.       A Missa consta, por assim dizer, de duas partes: a liturgia da palavra e a liturgia eucarística. Estas duas partes, porém, estão entre si tão estreitamente ligadas que constituem um único ato de culto [40]. De fato, na Missa é posta a mesa, tanto da palavra de Deus como do Corpo de Cristo, mesa em que os fiéis recebem instrução e alimento [41].

C: É de suma importância entender isto; pois existe alguma confusão e interpretação equivocada. Nestas duas parte da Missa recebemos Cristo, Palavra e Alimento, mas a palavra não proclamada, não ensinada em conformidade com o Magistério, ou ainda a bíblia como livro, não é presença “explicita” de Cristo, como é na Eucaristia, pois após ou antes da Missa o Senhor está ali presente substancialmente, tocar com as mão numa bíblia não é o mesmo que tocar no Corpo de Cristo, na hóstia consagrada, o efeito da bíblia, se dá na proclamação e leitura da mesma, a Eucaristia é presença, não é necessário mais nada para que se torne Palavra Encarnada, pois já é Verbum Caro Factum est!

Os diversos elementos da Missa

30.          Entre as partes da Missa que pertencem ao sacerdote, está em primeiro lugar a Oração eucarística, ponto culminante de toda a celebração. Vêm a seguir as orações: a oração coleta, a oração sobre as oferendas e a oração depois da comunhão. O sacerdote, que preside à assembleia fazendo às vezes de Cristo, dirige estas orações a Deus em nome de todo o povo santo e de todos os presentes [43]. Por isso se chamam “orações presidenciais”.

33.          Como presidente, o sacerdote pronuncia as orações em nome da Igreja e da comunidade reunida, mas, por vezes, também o faz em nome pessoal, para despertar maior atenção e piedade no exercício do seu ministério. Estas orações, propostas para antes da leitura do Evangelho, na preparação dos dons, e antes e depois da comunhão do sacerdote, são ditas em silêncio (“secreto”).

C: A Instrução é clara; erram aqueles que fazem diferente, para parecer “legais” com expressões do tipo: - Rezemos juntos! Os que assim o fazem denigrem o caráter sacerdotal de sua pessoa, que oferece o Sacrifício a Deus, pelo povo e não o Sacrifício ao povo, por Deus.

Importância do canto

41.          Em igualdade de circunstâncias, dê-se a primazia ao canto gregoriano, como canto próprio da Liturgia romana. De modo nenhum se devem excluir outros gêneros de música sacra, principalmente a polifonia, desde correspondam ao espírito da ação litúrgica e favoreçam a participação de todos os fiéis [50].

Dado que hoje é cada vez mais frequente o encontro de fiéis de diferentes nacionalidades, convém que eles saibam cantar em latim pelo menos algumas partes do Ordinário da Missa, sobretudo o símbolo da fé e a oração dominical, nas suas melodias mais fáceis [51].

C: Já diz o provérbio: “Quem canta, reza duas vezes.” Mas assim como conseguimos verificar quando um canto, não possui uma sonoridade atraente aos ouvidos, poderíamos dizer, que nem todos que cantam rezam. Pois, o canto, precisa estar em comunhão com a oração litúrgica e remeter ao sagrado, por isso, a Igreja preza pelo Gregoriano e o órgão, e pelo Latim no canto, pois mostra a unidade de todos os povos e nacionalidades, em torno de uma única Fé, adoração e sacrifício.

Os gestos e atitudes corporais

43.          Os fiéis estão de pé: desde o início do cântico de entrada, ou enquanto o sacerdote se encaminha para o altar, até a oração coleta, inclusive; durante o cântico do Aleluia que precede o Evangelho; durante a proclamação do Evangelho; durante a profissão de fé e a oração universal; e desde o invitatório “Orai, irmãos”, antes da oração sobre as oblatas, até ao fim da Missa, exceto nos momentos adiante indicados.

Estão sentados: durante as leituras que precedem o Evangelho e durante o salmo responsorial; durante a homilia e durante a preparação dos dons ao ofertório; e, se for oportuno, durante o silêncio sagrado depois da Comunhão.

Estão de joelhos durante a consagração, exceto se razões de saúde, a estreiteza do lugar, o grande número dos presentes ou outros motivos razoáveis a isso obstarem. Aqueles, porém, que não estão de joelhos durante a consagração, fazem uma inclinação profunda enquanto o sacerdote genuflecte após a consagração.

Compete, todavia, às Conferências Episcopais, segundo as normas do direito, adaptar à mentalidade e tradições razoáveis dos povos os gestos e atitudes indicados no Ordinário da Missa [54]. Atenda-se, porém, a que estejam de acordo com o sentido e o caráter de cada uma das partes da celebração. Onde for costume que o povo permaneça de joelhos desde o fim da aclamação do Sanctus até ao fim da Oração eucarística, é bom que este se mantenha.

C: Toda atitude corporal exprime categoricamente a Fé, de um povo, estamos diante do Sacrifício de Cristo (“mesmo que o sacerdote presidente não saiba”), todo gestual é válido, desde a postura das mãos, de preferências (juntas em forma de concha) e o silêncio dentro do espaço sagrado, toda esta postura não é sinal de legalismo, mas antes de fé, forma de se sentar, como responder, postura de adoração na consagração, ou seja, só não se ajoelha quem não tem joelhos. (Sic!) Mas saiba, se fosse possível aos demônios, no ato da consagração se ajoelhar, todos o fariam, pois eles não podem fazer outra coisa diante de Cristo senão adorar e tremer “...Crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios crêem e tremem...” (Tg 2,19) “...para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos...” (Fl 2,10) hipoteticamente, quando você não se ajoelha diante de Jesus um demônio o faz no seu lugar!

O silêncio

45.          Também se deve guardar, nos momentos próprios, o silêncio sagrado, como parte da celebração [55]. A natureza deste silêncio depende do momento em que ele é observado no decurso da celebração. Assim, no ato penitencial e a seguir ao convite à oração, o silêncio destina-se ao recolhimento interior; a seguir às leituras ou à homilia, é para uma breve meditação sobre o que se ouviu; depois da Comunhão, favorece a oração interior de louvor e ação de graças.

                Antes da própria celebração é louvável observar o silêncio na igreja, na sacristia e nos lugares que lhes ficam mais próximos, para que todos se preparem para celebrar devota e dignamente os ritos sagrados.

C: Com que dor podemos dizer: que silêncio? Na maioria de nossas paróquias isso já não existe. Ao adentrarmos na Igreja, defrontamos com músicos ensaiando e testando microfone, quando a assembleia chega aquele barulho de feira livre, após as leituras e homilia, nenhuma guarda de silêncio, e o ápice, após a comunhão, no momento de ação de graças, temos que aguentar os anúncios de rifa, feira do pastel, bingo etc. Tudo isso em total desconformidade com esta Instrução e uma dessacralidade, que sem o menor pudor, colocamos na “conta do padre” que preside a Missa!

 

Por Junior Mathias