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A Divindade de Cristo

A Divindade de Cristo

“Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz”. - Filipenses 2:5-8

 

A divindade de cristo foi um dos temas mais atacados pelos heresiarcas dos primeiros séculos, o que ainda ocorre em nossos tempos, com fundamentos diferentes mas que atentam sobre a mesma realidade cristológica.

Arianos, muçulmanos, espíritas, judeus, etc., colocam em xeque a própria divindade de Cristo e do Espírito Santo. De outra forma, modalistas questionam o conceito de hipóstase*, fazendo Pai, Filho e Espírito Santo serem totalmente idênticos.

Tão importante tema atravessa os séculos, discutido de forma ampla na igreja desde antes do ano de 325, data do primeiro grande concílio, denominado concilio de nicéia, que condenou a heresia ariana que negava a divindade de Cristo. Ainda hoje diante de nós vemos discussões, dúvidas e “católicos” que colocam um sinal de interrogação diante desse tema definido pela Igreja com veemência desde seus primórdios, isso acontece hoje principalmente pela proporção que tomou a crise doutrinária atual, não da Igreja mas de seus membros que são mal formados dentro da sã doutrina da salvação.

Durante toda a grande controvérsia ariana, houve muitos grandes Bispos que escreveram sobre a divindade de Cristo, um deles Alexandre de Alexandria com a ajuda de Santo Atanásio, que ainda era diácono, enviou uma carta encíclica aos Bispos antes da abertura do concilio condenado a ideia de ario e ressaltando suas controvérsias em negar a divindade de Cristo, com o seguinte trecho:

“Quem ouviu, alguma vez, semelhantes coisas? Quem, agora que as ouve, não tapará os ouvidos para impedir que essas ignóbeis palavras cheguem até eles? Quem, ouvindo João dizer: “No princípio era o Verbo” (Jo 1,1), não condenará os que dizem “Houve um tempo em que ele não era”? Quem, ainda, ouvindo estas palavras do Evangelho “Filho único de Deus” (Jo 1,18) e “Tudo foi feito por meio dele” (Jo 1,3), não detestará os eu afirmam que o Filho é uma das criaturas? Como pode ele ser igual ao que foi feito por ele? Como pode ser Filho único aquele que elencamos com todas as coisas, na categoria destas? Como viria ele do nada, ao passo que o Pai diz: “De meu seio, antes da aurora, eu te gerei” (Sl 109,3)? Como seria ele, em sua substância, diferente do Pai, ele que é a imagem perfeita e o esplendor do Pai (2 Cor 4,4; Hb 1,3) e que diz: “Quem me vê vê o Pai” (Jo 14,9)? Se o Filho é o Verbo e a Sabedoria do Pai, como teria havido um tempo em que ele não existia? É como se dissessem que houve um tempo em que Deus não tinha Palavra nem Sabedoria. Como está sujeito à transformação e à alteração aquele que diz de si mesmo: “Eu estou no Pai, e o Pai está em mim” (Jo 10,38) e “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30), e que disse pelo profeta: “Vede-me; eu sou e não mudo” (Ml 3,6)? Mesmo que se pense que essa palavra pode ser dita pelo próprio Pai, seria agora, no entanto, mais oportuno, julgá-la dita por Cristo, porque, tornado homem, ele não muda, mas, como diz o Apóstolo, “Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje e pela eternidade” (Hb 13,8). Quem os leva a dizer que é por nós que ele foi feito, enquanto São Paulo diz: “Para ele e por ele todas as coisas existem” (Hb 2,10)? Quanto à sua afirmação blasfema de que o Filho não conhece perfeitamente o Pai, não seria de causar surpresa, pois, uma vez que eles se decidiram a combater Cristo, desprezam também as palavras do próprio Senhor que diz: “Como o Pai me conhece, eu também conheço o Pai” (Jo 10,15)”.

No Catecismo da Igreja Católica encontramos explanações sobre a divindade de Cristo que é Deus na trindade sendo três pessoas igualmente Deus não divisível e por inteiro.

245) A fé apostólica no tocante ao Espírito foi confessada pelo segundo Concílio Ecumênico, em 381, em Constantinopla: "Cremos no Espírito Santo, que é Senhor e que dá a vida; ele procede do Pai". Com isso a Igreja reconhece o Pai como "a fonte e a origem de toda a divindade". Mas a origem eterna do Espírito Santo não deixa de estar vinculada à do Filho: "O Espírito Santo que é a Terceira Pessoa da Trindade, é Deus, uno e igual ao Pai e ao Filho, da mesma substância e também da mesma natureza....Contudo, não se diz que Ele é somente o Espírito do Pai, mas ao mesmo tempo o Espírito do Pai e do Filho". O Credo da Igreja do Concilio de Constantinopla, confessa: "Com o Pai e o Filho ele recebe a mesma adoração e a mesma glória “

253) A Trindade é Una. Não professamos três deuses, mas só Deus em três pessoas: "a Trindade consubstancial". As pessoas divinas não dividem entre si a única divindade, mas cada uma delas é Deus por inteiro: "O Pai é aquilo que é o Filho, o Filho é aquilo que é o Pai, O Espírito Santo é aquilo que são o Pai e o Filho, isto é, um só Deus por natureza". "Cada uma das três pessoas é esta realidade, isto é, a substância, a essência ou a natureza divina".

254) As pessoas divinas são realmente distintas entre si. "Deus é único, mas não solitário". "Pai", "Filho", "Espírito Santo” não são simplesmente nomes que designam modalidades do ser divino, pois são realmente distintos entre si: "Aquele que é o Pai não é o Filho, e aquele que é o Filho não é o Pai, nem o Espírito Santo é aquele que é o Pai ou o Filho". São distintos entre si por suas relações de origem: "E o Pai que gera, o Filho que é gerado, o Espírito Santo que procede". Catecismo da Igreja Católica, n. 245 – 253 - 254

Santo Tomás de Aquino em sua suma teológica explica a coexistência da divindade de Cristo e sua humanidade e ainda a coexistência de duas operações, ou seja, duas vontades heterogêneas mas harmônicas entre si:

“O Verbo supersubstancial humanou-se, íntegra e verdadeiramente, assumindo uma natureza semelhante à nossa, de nós mesmos recebida, e operou e sofreu tudo o que se compadecia com a sua operação divina e humana. E isso a que aí chama operação humana e divina, em grego se denomina, isto é, divino humano. Logo, parece que havia em Cristo uma operação composta”.

Quanto Santo Tomás se refere a “operação” ele quer dizer vontade, portanto em Cristo segundo nos diz Santo Tomás as duas vontades subsistiam em Cristo sendo ele divino e humano concomitantemente e em perfeita harmonia entre elas conforme já havia afirmado o terceiro concilio de Constantinopla. Para explicar as duas vontades presentes no Cristo divino e humano o Santo ainda escreveu:

“Tudo o existente em a natureza humana de Cristo estava sujeito ao nuto da vontade divina; mas daí se não segue que em Cristo não houvesse movimentos da vontade próprios à natureza humana. Pois, também os pios atos de vontade dos outros santos obedecem à vontade de Deus, que obra neles o querer e o perfazer, como diz o Apóstolo. Embora, pois, a vontade não possa ser interiormente movida por nenhuma criatura, é porem, interiormente movida por Deus, como dissemos na Primeira Parte. E assim também a vontade humana de Cristo obedecia à vontade divina, segundo aquilo da Escritura: Para fazer a tua vontade, Deus meu, eu o quis”.

Os heréticos, que atribuíram a Cristo uma só vontade, atribuíram-lhe também uma só operação. E para que melhor compreendamos quão errônea é essa opinião, devemos considerar o que diz Santo Tomás em sua suma teológica:

“Quando há muitos agentes ordenados, o inferior é movido pelo superior; assim, no homem, o corpo é movido pela alma e as potências inferiores pela razão”.

Assim, pois, como, no homem, enquanto tal, o corpo é movido pela alma e o apetite sensitivo, pela razão, também, em Nosso Senhor Jesus Cristo, a natureza humana era movida e governada pela divina. Por isso, os referidos heréticos diziam que as operações são as mesmas, sem nenhuma diferença, relativamente à divindade que opera, mas são diversas as coisas operadas. E assim, a divindade de Cristo agia, de um modo, por si mesma, enquanto sustentava todas as coisas com o poder da palavra; e agia de outro modo, pela sua natureza humana, assim, por exemplo, andava corporalmente. Por isso, o Sexto Sínodo cita as palavras do herético Severo, que soam:

“As ações e as operações mesmas de Cristo muito diferiam entre si. Pois, umas eram próprias de Deus e outras, do homem. Assim, andar corporalmente sobre a terra por certo o pode o homem; mas, fazer andar os coxos e os que de nenhum modo são capazes de se mover, é próprio de Deus. Ora, uma e outra cousa o fez o Verbo encarnado, sem que fossem umas próprias de uma determinada natureza e outras, de outra, nem por serem diversas as obras diríamos, com acerto, que procedem de duas naturezas”.

Em Cristo, a natureza humana tem uma forma e virtude próprias, pelas quais obra; e também a natureza divina. E portanto, a natureza humana tem uma operação própria distinta da operação divina, e vice-versa. Contudo, a natureza divina se serve da operação da natureza humana, como sendo a operação do seu instrumento; e semelhantemente, a natureza humana participa da operação da natureza divina, como o instrumento participa da operação do agente principal. E é o que diz Leão Papa:

“Uma e outra forma, isto é, tanto a natureza divina de Cristo como a humana, em comunhão com a outra, jaz o que lhe é próprio: o Verbo obra o que é próprio do Verbo, e a carne executa o que lhe pertence executar. Se, porém, a operação, da divindade e da humanidade fosse uma só em Cristo, deveríamos admitir ou que a natureza humana não tinha forma e virtude próprias, donde — sendo impossível dizê-lo, da natureza divina — se seguiria que em Cristo só havia a operação divina; ou que a divina virtude e a humana se fundiram em Cristo numa só virtude. Ora, tudo isso é impossível, pois, pela primeira hipótese teríamos de admitir a imperfeição da natureza humana de Cristo; e pela segunda, a confusão das naturezas”.

Por isso e com razão a sã doutrina nos diz: Glorificamos no mesmo Cristo Senhor nosso e verdadeiro Deus duas operações naturais indivisas, inconvertíveis, inconfusas, inseparáveis, isto é, uma operação divina e outra humana.

“A fé católica é esta: que veneremos o único Deus na Trindade, e a Trindade na unidade, não confundindo as pessoas, nem separando a substância: pois uma é a pessoa do Pai, outra, a do Filho, outra, a do Espírito Santo; mas uma só é a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, igual a glória, co-eterna a majestade”

Catecismo da Igreja Católica, n. 266

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* Termo grego que pode se referir à natureza de algo, ou a uma instância em particular daquela natureza. Durante as controvérsias cristológicas e trinitárias nos séculos III e IV, o segundo significado prevaleceu no uso da doutrina. O termo passou a ser um sinônimo da palavra latina persona, o indíviduo de uma natureza racional. A partir do século IV passou a ser contrastado com o termo ousia como significando 'realidade individual' nos contextos cristológicos e trinitários.

 

 

Por Lucas Oliveira



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