Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Quarta-Feira Santa de 2015

01/04/2015 02:10

 

“Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.” (Mt 26,16b)

Há muito tempo Judas já se afastara do coração de Jesus, seus ouvidos e seus olhos já haviam se fechado às palavras e ações do Divino mestre. E, diante deste fechamento, o caminho tomado por Judas só levaria - como levou - à traição, à entrega de Jesus a preço de escravo, um preço irrisório. Esperando, aliás, sem qualquer pesar, o momento oportuno para fazê-lo.  Este distanciamento de Judas e endurecimento do seu coração, já o notamos na insensibilidade com o gesto  da mulher que lava os pés de Jesus com nardo puro. Até mesmo os discipulos notavam que Judas desvirtura-se ( João o chama de ladrão).

Quantas vezes, porém, também nos afastamos de Cristo, da Sua voz, das Suas inspirações, da Sua Igreja e sacramentos? Neste caminho contrário ao encontro com Jesus , endurecemos nosso coração, anestesiamos a nossa consciência e alimentamos a tibieza. E, terrivelmente, entregamos Nosso Senhor por bem menos que o preço que Judas acertara com os chefes dos sacerdotes.  E mais, como Judas, planejamos quando entregaremos. Sim! Planejamos! Cada vez que, deliberadamente, não fugimos das situações de queda, ou, pelo contrário, buscamos as situações de pecado, sabemos exatamente quando e como entregaremos o Divino Salvador.

Tal como Judas, procuramos uma oportunidade de entregar Cristo. Sem piedade, sem amor, com a consciência devida e convenietemente sedada. Com um agravante: temos a plena consciência de quem é Jesus e da Sua obra salvívica.

Desde já, podemos arrancar do nosso coração a ideia que Judas era predestinado a entregar Cristo. Suas ações, suas decisões, o abuso do dom da liberdade, levaram-no para esta decisão. Olhemos para nós, acaso Deus nos criou para o pecado? Não seriam nossas decisões, na sua maioria, tomadas conscientemente, que nos levam ao pecado, à perda da graça? Certamente que sim. Todos estamos sujeitos a trair o Senhor, tal como os discípulos estavam. Todos eles perguntam sobre si mesmos se seriam eles os traídores. Tanto quanto nós, eles eram fracos e propensos a caírem. Mas o que definiu a traição foi o conjunto de decisões que tornaram o coração de Judas uma pedra.

Cristo, porém, não desistiu. Judas não foi afastado do grupo por suas faltas, por ser ladrão. Jesus se pôs aos pés dele para lavar-lhe os pés. Judas punha a mão no prato com o Senhor! (cf Mt 26,23) Ou seja, comia do mesmo prato que o Mestre. Eram ali, todos amigos, todos íntimos. Não havia nada que impedisse a Judas mudar de conduta, que desistir de seus planos; a não ser ele mesmo. Mas, Judas está longe, não nota mais o olhar de Jesus, as palavras os gestos. Bastaria uma simples abertura de seu coração, da sua alma para Cristo, mas não acontece. Mesmo após a amorosa predição da traição pela qual Jesus indica-lhe o terrível caminho que está seguindo, Judas não volta seu coração ao Senhor. Cada vez mais está envolto da escuridão do caminho que leva para longe do Verbo.

Da mesma forma, Cristo não desiste de nós! Ele não cansa de tentar de todas as formas seduzir-nos, mostrar Seu amor, Seu cuidado. Ela não abre mão da busca em nos fazer voltar para o caminho no qual podemos participar da Sua Paixão  e Salvação. Não!  Cristo tentará nos mostrar que Ele não desviará o rosto das cusparadas e bofetadas, permanecerá entregando as costas aos que lhe batem (cf. Is 50,6), continuará seguindo para o Calvário, insistirá em entregar Suas mãos para os pregos e seu lado para lança para assim nos reabrir as portas da vida eterna com o Pai.

Que nesta Semana Santa, especialmente no Tríduo Pascal, voltemos nosso olhar para nós mesmos e percebamos que pomos a mão no mesmo prato do Senhor. Descubramos nossa insensibilidade a tantos atos de amor de Cristo que nos chama, que indica que o caminho que estamos tomando leva à traição. Com coragem vejamos como nos tornamos indiferentes às ações de Deus nas nossas vidas, às buscas que o Senhor tem feito a nós.

Que a Virgem Maria nos ajude a romper nossa surdez, vencer nossa cegueira, superar nossa tibieza e assim encontrarmos cheios de amor com Cristo na Cruz, colocarmo-nos jundo dEle e com Ele ressurgirmos.

Por Wellington Vieira

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