Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Sinal de Contradição

06/03/2014 13:39

O Senhor nos chama a ser sinal contradição em meio a este mundo, ser o sal da terra (Mt 5,13), o fermento da massa (Mt 13,33). Um chamado a ser respondido dia após dia.

A questão é: temos sido este sinal de contradição? Ainda damos sabor aos alimentos?

A Igreja inicia o tempo quaresmal no qual nos chama a conversão, e eis o tempo propício, eis o tempo favorável para respondermos a tal questão.

Não nos é difícil, ao observar o mundo no qual vivemos, verificar que inúmeras pessoas só conseguem ver o espaço entre o Carnaval e a Páscoa como um período que separa um feriado prolongado de outro, não sabem, não entendem o que é Quaresma, não fazem deste tempo um perdido para buscar mais ao Senhor. Ora, e se não entendem isto, o que dizer sobre a compreensão destes sobre o porquê de termos sido criados.

Chegar a esta conclusão quanto ao mundo, que não é julgamento e sim uma óbvia constatação, é tarefa fácil. Observar isto naqueles que não buscam e não conhecem a Deus é simples . Mas, e em nós que afirmamos buscar, conhecer e amar a Deus, somos capazes de identificar tal condição de paganismo?

Voltamos assim à questão inicial, e assim a uma dura conclusão: se o mundo cada vez mais se paganiza, nós temos uma grande parcela de culpa nisto. Se o mundo não sabe responder o porquê de termos sido criados, é porque antes, nós não sabemos responder a isto.

A saber, fomos criados para louvar, reverenciar e servir a Deus, e infelizmente nossas vidas não tem traduzido a finalidade de nossa criação. Logo, os pagãos carecem de exemplos, de testemunhos para despertar neles o desejo de alcançar o bem maior de suas vidas: a salvação eterna.

Sejamos corajosos, saiamos dos arbustos (Gn 3,8), e diante de Deus examinemos nossas consciências! Em nada nos diferenciamos daqueles que não conhecem a Deus. Olhemos nossas publicações nas redes sociais e veremos textos como, "na medida em que me amarem, amarei", "minha atitude dependerá da sua" e variantes disto. Que sepulcros caiados, que raça de víboras somos nós! "Não fazem os pagãos a mesma coisa?", diria Jesus. É o próprio Senhor que nos convida a sermos diferentes e sair da lei de talião do olho por olho e dente por dente(Mt 5,38s.46s). Se o mundo não vive o perdão, se vive no rancor é porque nós que apresentamo-nos como cristãos vivemos exatamente da mesma maneira que eles.

Vamos mais além, verifiquemos nossas conversas, nossas brincadeiras, nossas atitudes. Falamos, brincamos, agimos tal como os do mundo. Nossas conversas são cheias de malícia, nossas brincadeiras dúbias impregnadas de pornografia implícita, nossas olhares maldosos, nossas roupas sensuais, em suma vivemos muito longe da modéstia, sem testemunhar a pureza (ICo 6,13-18 / Mt 5,28 / Ef 5,1-4). E ainda reclamamos da sexualidade desregrada da sociedade. Hipócritas que somos(Mt 7,5)!

Olhemos dentro de nossas casas, não rezamos em família, não falamos de Deus entre os nossos, não nos privamos de programas, novelas e filmes fúteis, os anticoncepcionais e preservativos estão nas gavetas dos casais, nossos namoros não guardam a castidade, nossos filhos dormem com seus namorados na mesma cama em nossas casas(ICo 6,13-18), nossas palavras entre os nossos são torpes ou ríspidas. Deixamos de instruir nossas crianças das coisas de Deus. Ele não tem estado no centro de nossos lares. E assim não podemos dar ao mundo o que não temos nem cultivamos.

Exaltamos a nós mesmos pelo tempo de serviço na Igreja, por ter feito isso ou aquilo, por participado deste ou daquele acontecimento, por ter feito esta ou aquela formação e, no entanto em nossos grupos, em nossas comunidades, nós permanecemos com nossos fuxicos, nossas maledicências, nossos julgamentos e nossa soberba. Para justificar e permanecer nosso marasmo, zombamos daqueles que buscam mesmo em meio à dificuldade servir melhor e mais a Deus, criando diversos rótulos, tais como: fanático, arrogante, beato. Nosso orgulho, nossa vaidade por vezes só mudou de lado, mas é igual aquela cultivada pelos que estão fora da Igreja.

Muitos outros pontos poderiam ser elencados, mas não se trata aqui de listar o quanto estamos nos assemelhando aos que vivem na ignorância de Deus. Tampouco de uma série de acusações desvairadas e sem propósito. Mas sim de um alerta.

Um alerta para que despertemos, pois a correnteza tem nos levado para longe de Deus. E por isso temos perdido o sabor - se é que algum dia o tivemos. O seguimento de Jesus não comporta estacionamento. Precisamos de uma alerta para iluminar nossos corações e sairmos da inércia.

Tertuliano afirmava que o sangue dos mártires era semente de novos cristãos, e de fato o é. Mas hoje não derramamos uma gota de suor por Deus quiçá o sangue (Lc 16,10). Não somos capazes de renunciar pequeninas coisas: uma conversa indecente, um programa de tv, um olhar libidinoso, uma maledicência, um preservativo que nós garante sexo a vontade e uma vida sem filhos....

Nossas vidas não tem mais como centro Deus, e por isso não sabemos o porque de nossa criação, não desejamos mais o céu ou nem lembramos que existe um, não encontramos forças para dominar nosso corpo, e pior, nem queremos ou sabemos porque dominá-lo.

Não há dúvida, somos filhos do nosso tempo, de uma sociedade que sofre com a derrocada dos valores cristãos. Portanto, para nos é necessário um esforço hercúleo para romper com estas amarras, para nós diferenciarmos da massa. De fato, existem muitos que já iniciaram a caminhada na contramão do mundo, mas todos nós, em maior ou menor grau, ainda nos assemelhamos àqueles que não conhecem a Cristo, ao seu evangelho e sua igreja, e por isso somos corresponsáveis pela degradação do gênero humano, pelo distanciamento do homem de seu fim último, pela cegueira de tantos à Luz que é Nosso Senhor.

A Quaresma teve seu início, eis o tempo favorável para conversão, ou seja, para mudança de rumo, para mudança da nossa mentalidade, que hoje está impregnada do mundo, para uma mentalidade impregnada de Deus! Só assim seremos testemunhos vivos de que há sentido em querer seguir Cristo até o calvário. Só assim seremos sinal de contradição e poderemos fazer com que tantos outros conheçam o porquê de terem sido criados, qual o seu fim último, a felicidade eterna que os aguarda, e façam, dessa forma, da Quaresma um tempo para ganhar forças e intensificar a caminhada para Deus.

Por Wellington Vieira

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