Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Sábado Santo de 2015

03/04/2015 18:12

"Durante o Sábado santo a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando sua paixão e sua morte, sua descida à mansão dos mortos e esperando na oração e no jejum sua ressurreição (Circ 73).

Hoje, sendo um dia de silêncio nós católico velamos junto ao sepulcro de Nosso Senhor. Calam-se os sinos e os todos os instrumentos. É ensaiado o aleluia, mas em voz baixa. É o dia para aprofundar neste mistério tão profundo incapaz de ser alcançado pela razão humana. È um dia de contemplação silenciosa, pois o altar está despojado e o sacrário aberto e vazio.

A Cruz continua entronizada desde o dia anterior. Central, iluminada, e alguns lugares coberta com um pano vermelho com o louro da vitória. Ela anuncia não com palavras, mas silenciosa, que Deus morreu. Ele quis vencer com sua própria dor o mal da humanidade. Esse é o dia da ausência. O Esposo nos foi arrancado da terra dos vivos. Dia de dor, de repouso, de solidão, de esperança. O próprio Cristo está calado. Ele, que é o Verbo, a Palavra Criadora, está calado, em profundo silêncio. Depois de seu último grito da Cruz "por que me abandonaste?", agora ele se cala no sepulcro. Ele descansa: "consummantum est", "tudo está consumado". Mas este silêncio pode ser chamado de plenitude da palavra. O assombro é eloqüente. "Fulget crucis mysterium", "resplandece o mistério da Cruz".

O Sábado Santo é o dia em que experimentamos o vazio, a mais profunda das solidões.

Se a nossa fé, for ungida de esperança, então veremos o horizonte último desta realidade, assim não acontecerá conosco o que aconteceu com os discípulos de Emaús.Então,só assim, o desalento desaparecerá  e a dor provocada pela Cruz nos devolverá a alegria de uma vida superada em meio a dor.

É um dia de meditação e silêncio. Algo parecido à cena que nos descreve o livro de Jó, quando os amigos que foram visitá-lo, ao ver o seu estado, ficaram mudos, atônitos frente à sua imensa dor: "Sentaram-se no chão ao lado dele, sete dias e sete noites, sem dizer-lhe uma palavra, vendo como era atroz seu sofrimento" (Jó. 2, 13).

Embora, seja esse um dia de vazio, não é um dia vazio em que "não acontece nada". Hoje não é uma duplicação da Sexta-feira. A grande lição é esta: “Cristo está no sepulcro, desceu à mansão dos mortos, ao mais profundo em que pode ir uma pessoa”. E junto a Ele, como sua Mãe Maria, está a Igreja, sua esposa. Calada, como Ele. O Sábado está no próprio coração do Tríduo Pascal. Entre a morte da Sexta-feira e a ressurreição do Domingo nos detemos no sepulcro. Um dia, uma ponte, mas com o toque do Sacrifício do Cordeiro. São três aspectos de um mesmo e único mistério, o mesmo da Páscoa de Jesus: morto, sepultado, ressuscitado:

"...se despojou de sua posição e tomou a condição de escravo…se rebaixou até se submeter inclusive à morte, quer dizer, conheceu o estado de morte, o estado de separação entre sua alma e seu corpo, durante o tempo compreendido entre o momento em que Ele expirou na cruz e o momento em que ressuscitou. Este estado de Cristo morto é o mistério do sepulcro e da descida à mansão dos mortos. É o mistério do Sábado Santo em que Cristo depositado na tumba manifesta o grande repouso sabático de Deus depois de realizar a salvação dos homens, que estabelece na paz o universo inteiro".

Com esperança escutemo-nos o que diz Cristo Jesus disse a Adão quando nesse dia foi encontrá-lo e despertá-lo do sono da morte:

“Eu te ordeno: Desperta, tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos. Levantate de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, minha imagem e semelhan-ça. Levanta-te, saiamos daqui; tu em Mim e Eu em ti, somosum só”.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

 

 

 

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