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Quem são os testemunhas de jeová?

04/10/2014 13:13

Os Testemunhas de Jeová constituem tipicamente o que se chama uma seita no sentido exposto em «P. R.» 6/1957, qu. 8; representam, sim, «uma dissidência dentro da dissidência protestante» ou «a heresia dentro da heresia!». Com efeito, da denominação batista procedeu o bloco adventista em 1844; dos ADVENTISTAS separaram-se os Testemunhas de Jeová em 1878, dos quais, por sua vez, se sequestrou o grupo recentíssimo dos Amigos do Homem (1920). Já esta árvore genealógica, na qual se inserem os Testemunhas, mostra quão instáveis são as bases de seu ensinamento.

 

Diremos abaixo algo sobre a origem da seita e as suas doutrinas principais, procurando por fim formular um juízo sobre a questão.

 

1. O surto dos Testemunhas de Jeová

 

Na primeira metade do século passado, forte corrente escatológica (isto é, de expectativa do fim do mundo) sacudiu os ambientes religiosos norte-americanos. Foi então que William Miller, membro de uma comunidade batista, apregoou ao mundo a segunda vinda de Cristo para o intervalo de março de 1843 a março de 1844; tendo-se passado esse período, Miller logo refez seus cálculos proféticos, julgou ter descoberto o erro e poder anunciar que aos 22 de outubro de 1844 o Senhor Jesus se manifestaria na terra, inaugurando um reino de 1000 anos de bonança (cf. Apc 20). Também esta data se passou, sem que algo se mudasse na história...

 

Não obstante, o desejo de predizer com exatidão «os tempos e momentos» continuou a seduzir certas comunidades protestantes, das quais procedeu o chefe de novo movimento religioso: Charles Taze Russel (1852-1916).

 

Nascido em Pittsburg (Pensilvãnia) de família presbiteriana, Russel concebia dificuldades na fé, quando se encontrou com os ADVENTISTAS; resolveu então abraçar as doutrinas destes, juntamente com a expectativa de uma próxima volta de Cristo para instaurar sobre a terra o seu reino milenário.

 

Aos poucos, porém, foi-se convencendo de que todas as denominações cristãs estavam equivocadas no tocante à doutrina dos últimos tempos... Em 1873 julgou poder afirmar que Cristo voltaria em 1874, data que ele mesmo corrigiu sucessivamente para 1914 e 1918 (infelizmente Russel morreu em 1916). Em 1878 separou-se da seita dos ADVENTISTAS, passando a constituir com seus discípulos um grupo religioso independente; pôs-se então a viajar anunciando a sua mensagem ao mundo inteiro; atribuía-se a missão de denunciar a todos «as fraudes e blasfêmias» contidas nos ensinamentos de qualquer entidade cristã, fosse católica, fosse protestante, e de apregoar «a maravilhosa noticia da instauração iminente, sobre a terra, da cidade ideal paradisíaca, na qual já não se cometerá mal algum».

 

Para remover as objeções que se faziam contra o não cumprimento das profecias ADVENTISTAS, Russel concebeu a ideia de uma vinda meramente espiritual e invisível de Cristo. Assim podia sustentar mesmo no fim de sua vida que em 1874 de fato se dera, o grande acontecimento da descida de Jesus à terra; afirmava, porém, que até 1914 a presença do Mestre seria invisível. Em 1914 não aparecendo manifestamente o Cristo, Russel adiou a data para 1918...

 

Tendo morrido em viagem aos 31 de outubro de 1916, a Russel foi dado como sucessor o advogado Rutherford, que se proclamou juiz e com veemência ainda mais acentuada se pôs a condenar as instituições religiosas e civis da sua época.

 

Após 1918 Rutherford tinha que refazer os cálculos... Transferiu então a data da manifestação de Cristo para 1925, anunciando: «Podemos, esperar, em 1925, ser testemunhas da volta de Abraão, Isaque, Jacó e de outros crentes do Antigo Testamento, despertados e restaurados em uma natureza humana perfeita para serem os representantes da nova ordem de coisas sobre a terra».

 

Mandou consequentemente construir por 75.000 dólares em San Diego (Califórnia) a suntuosa «Casa dos Príncipes», futura mansão dos Patriarcas redivivos que, na ausência destes, ele ocupava como residência de inverno com sua esposa e seu filho. Passou-se, porém, o ano fatídico de 1925 sem que se presenciasse a volta de Abraão ou de Cristo. Sem se desconcertar, Rutherford apoiou-se na seguinte advertência, que ainda hoje é o esteio da posição dos Testemunhas:

 

«Tudo se cumpre e atesta que o Senhor Jesus está presente e seu reino vem chegando. A ressurreição dos mortos começará em breve. Dizendo em breve, não queremos dizer no ano próximo, mas cremos confiantemente que terá lugar antes que decorra outro século».

 

Com estas palavras, Rutherford se premunia contra qualquer desmentido ou decepção, pois já desistia de fixar a data.

 

Quanto ao titulo da nova entidade religiosa, variou assaz: «Russelitas, Auroristas, Estudiosos Internacionais da Bíblia»... Finalmente em 1931 o Conselho da sociedade estipulou que seus membros se apresentariam ao mundo como «Testemunhas de Jeová» (cf. Is 43,10; 44,8).

 

Após intensos trabalhos de propaganda pelo mundo, Rutherford se retirou para a «Casa dos Príncipes», onde veio a falecer em 1924. Teve por sucessor Nathan Knorr, que até hoje governa a seita, procurando guardar as normas de seus dois antecessores.

 

2. A doutrina dos Testemunhas

a) O primeiro tópico que impressiona o leitor dos escritos da seita, é o conceito de Religião aí professado: para os Testemunhas, «religião» significa idolatria ou apostasia; consideram todas as formas de religião tradicionais como obra estritamente diabólica.

b) E porque isto ? Qual é o grande pecado de todas as religiões?

É que ensinam a imortalidade da alma. Com isto tornam-se cúmplices do demônio, que quis contradizer a palavra de Deus no paraíso: «No dia em que comeres, morrerás» (Gên 2,17). O demônio, não tendo podido evitar a mortandade do gênero humano, ensinou-lhe ao menos a crença na imortalidade da alma.

c) A respeito de Deus, ensinam os Testemunhas que o mistério da SSma. Trindade é absurdo. Com efeito, Deus fez o homem à sua imagem e semelhança; ora o homem tem uma só cabeça; por conseguinte, Deus não terá três cabeças!

d) Jesus Cristo é mera criatura que, com o nome de Verbo, já existia antes de aparecer na terra; entre nós manifestou-se como homem e morreu por completo. A ressurreição de Cristo de que fala o Evangelho, significa apenas que Deus criou de novo, para que viva uma existência meramente espiritual, aquele Verbo que outrora caminhava na carne humana. De modo análogo, a ressurreição prometida aos justos é entendida pelos Testemunhas como nova criação.

e) Na vida pública, os Testemunhas se mostram infensos não somente à «religião» e aos «religionistas», mas também a todas as instituições civis, políticas e comerciais que até hoje deram estrutura à sociedade; veem nisso uma ampla organização satânica, cujas últimas expressões são a Liga das Nações e a ONU. Eis, porém, que a batalha decisiva de Armageddon (cf. Apc 16,16) se aproxima e a «Mulher de Jeová» (a seita dos justos) triunfará de toda a obra do Maligno.

 

3. Uma tomada de posição

 

De quanto acaba de ser exposto, conclui-se com evidência que a ideologia dos Testemunhas de Jeová equivale à negação do Cristianismo em tudo que este tem de característico. — Desçamos, porém, aos principais pontos de doutrina:

 

a) É muito difícil admitir, tenha Deus deixado que a coletividade do gênero humano caísse sob a sedução de Satanás, enganando-se desde os inícios da história até hoje a respeito do seu Criador e Pai. "O subjetivismo do homem contemporâneo afirma-se claramente nesse pressuposto dos Testemunhas; aliás, cada fundador de seita moderna julga ser o privilegiado descobridor do Evangelho e da Bíblia num mundo que não mais o entende!

 

b) A propósito da imortalidade da alma, é preciso dizer que não somente os cristãos (cf. Flp 1,23 ; 2 Cor 5,8 ; 1Tes 5,10; 2Tim 4,6-8), mas também os cultores de Jeová no Antigo Testamento a professavam.

 

Os israelitas possuíam, sim, a noção de sobrevivência da alma. É o que vai insinuado já pelo simples fato de que julgavam lícito matar irracionais, ilícito, porém, matar um homem; isto bem atesta a diferença que admitiam entre alma humana e princípio vital dos animais inferiores.

 

Ademais «morrer» para os. israelitas, equivalia a «reunir-se ao seu povo, voltar a seus pais» (cf. Gên 15,15; 25,8.17; 35,29; 49,29.32; Num 20 24.26; 27,13; 31,2; Dt 31,16; 32,50). Tais expressões significam ou reunião dos corpos em uma sepultura comum ou reunião das almas em um mesmo estado ou local. Em certas passagens, porém, é claro que não designam sepultamento em túmulo comum de família, como. por exemplo, nos casos de Abraão (sepultado na gruta recém adquirida de Maepelá; cf. Gên 25,8), de Aarão (Num 20 24), de Mo.sés (cf. Num 27,12; 31,2; Dt 31,16); também Davi, Omri e Manassés «foram reunidos a seus pais», não. porém, sepultados no túmulo de sua família (cf. 3 Rs 210; 16 28; 4 Rs 21,18). Estes textos, supondo evidentemente a reunião póstuma das almas após deixarem os respectivos corpos, atestam a sobrevivência das mesmas. Jacó. julgando que seu filho fora devorado por uma fera, exprimiu o desejo de ir juntar-se a ele (cf. Gên 37,36), o que não pode significar reunião de cadáveres num sepulcro.

 

Verdade é que o autor do Eclesiastes se refere à alma humana e ao princípio vital dos irracionais como se perecessem do mesmo modo após a vida terrestre (cf. Ecl 3,19-21). Na realidade, o autor, ao se exprimir desta forma, quer apenas indicar o que se pode observar com os sentidos anteriormente a qualquer raciocínio: o fenômeno da morte, não há dúvida, tem a mesma aparência no homem e no animal inferior. O escritor sagrado, porém, nos trechos em que institui seus raciocínios, não deixa de professar a sobrevivência da alma: sabe, por exemplo, que o corpo se dissolve na poeira da terra, ao passo que o espírito comparece diante de Deus, que o julga; é esta. aliás, a conclusão de todas as suas elucubrações, ou seja, a tese definitiva do Eclesiastes (cf. 12, 7.13s).

 

Não se nega, porém, que só aos poucos na história do Antigo Testamento se foi desenvolvendo a noção de que a vida póstuma é não somente sobrevivência, mas também existência consciente, suscetível de prêmio ou de castigo. Testemunhos desta progressão são os textos seguintes: SI 10,7; 15,11; 16,15; 139,14; Dan 12,1-3.

 

c) A respeito da SSma. Trindade, justamente com vistas à doutrina dos Testemunhas, encontra-se uma explanação em «P. R.» 1/1958, qu. 3. Poder-se-ia aqui acrescentar a seguinte observação: os Testemunhas nos lembram que a soma 1+1+1 não pode dar senão o resultado 3; donde concluem que os católicos professam o triteísmo pagão (a associação das cifras 3 e 1 em Deus envolveria contradição). Contudo, recorrendo a outra imagem, os cristãos lhes podem recordar que a própria matemática admite, sob outro aspecto, a perfeita compatibilidade de 3 com 1; basta para isto mudar o sinal (pôr X em vez de +) na operação acima: tem-se então:1x1x1 = 1— Eis desta vez uma Trindade que não quebra a unidade, ou uma unidade que é riquíssima (elevada ao cubo) sem, porém, perder a sua simplicidade e unidade... Pois bem, para ilustrar o mistério da Trindade Divina, recorra-se à figura da multiplicação acima proposta, não à da adição, e ver-se-á que não é dogma absurdo.

 

d) No tocante à expectativa de iminente manifestação de Cristo, não é necessário demonstrar quanto é vã; as múltiplas tentativas ADVENTISTAS de calcular a data mediante a combinação de textos da Escritura constituem a melhor prova de que nada se pode dizer de preciso a respeito. Querer desvendar o mistério «do dia e da hora» seria contradizer a explícita intenção do Senhor, o qual em sua sabedoria preferiu que o homem vivesse continuamente como se o dia presente fosse o último de sua existência neste mundo (cf. Mt 24,45-25,13; Mc 13,32 ; At 1,7).

 

Não há, de resto, na Escritura indício de que a história deva terminar nas proximidades do ano 2000. Quanto à expectativa de um reino milenário de Cristo glorioso sobre a terra, deriva-se de falsa interpretação de Apc 20. Este texto na verdade se refere ao período que corre entre a primeira e a segunda vinda de Cristo: neste intervalo o Senhor já reina sobre a terra, pois infligiu derrota ao Príncipe deste mundo, quando remiu o gênero humano na cruz (cf. Jo 12,31; 16,11); desde então Satanás é como o cão acorrentado que pode ladrar, sim, mas não consegue morder senão a quem se lhe entrega voluntàriamente (S. Agostinho). Os cristãos reinam com Cristo no século presente, pois já atualmente possuem as arras da glória celeste (cf. Ef 1,14). A tal reino de Cristo no mundo o Apocalipse atribui a duração de 1000 anos..a cifra é, segundo a mentalidade do livro sagrado, evidentemente simbólica, designando uma duração que tem sentido completo em si ou que no seu remate chega ao termo intencionado por Deus (mil é símbolo de totalidade e plenitude). A ressurreição primeira, que inaugura o reino dos justos com Cristo, é a vivificação das almas pelo Batismo, ao passo que a ressurreição segunda, que rematará os mil anos, significa a vivificação dos corpos no dia do juízo final, quando toda carne ressuscitar.

 

Em conclusão: muitas concepções fantásticas disseminadas com muito entusiasmo, eis a que se resume a posição dos Testemunhas de Jeová. Se os erros são condenáveis, ao menos o entusiasmo da seita merece apreço, e é portador de mensagem para o mundo contemporâneo: lembra a todos, principalmente aos católicos (luz do mundo e sal da terra), que abominável é, aos olhos do Senhor, toda modalidade de tibieza e aburguesamento espiritual (cf. Apc 3,15s; Mt 5,13-16)!

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

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