Os católicos são canibais?

06/12/2014 20:48

Canibalismo é definido como:

1. O ato ritualístico de um humano comer carne humana.

2. O ato de um animal comer a carne de outro da sua espécie.

Canibalismo implica aqui o ato de mastigar, deglutir e metabolizar a carne e sangue depois ou durante o assassinato do ser humano, pelo menos, se nós seguirmos a definição 1.

Os Católicos não fazem nada disso na Eucaristia. Embora Cristo esteja substancialmente presente- corpo, sangue, alma e divindade- na Eucaristia, as espécies de pão é vinho permanecem. Aqui está a importância de definição dos termos. Quando a Igreja ensina que o pão e o vinho são transubstanciados no corpo, sangue, alma e divindade de Cristo, nós temos que entender o que isso significa. A palavra “transubstanciação”, literalmente significa “transformação de substancias”. “Substancia” se refere àquilo que faz com que algo seja aquilo que de fato é. Assim, “substancia” e “essência” são sinônimos. Por exemplo, o homem é essencialmente composto por corpo, sangue, alma, inteligência e vontade. Se você tirar qualquer um desses, ele não será nem de longe uma pessoa humana. Os acidentes ou acidentais deveriam ser coisas como a cor do cabelo, cor dos olhos, tamanho, peso, etc. Alguém pode mudar qualquer um desses e não haveria mais a essência da pessoa humana.

Na Eucaristia, depois de o Padre consagrar o pão e vinho e eles se tornam, de fato, o corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor, Nosso Senhor está então inteiramente presente. Nem o pão nem o vinho permanecem. Entretanto, os acidentes de pão e vinho (tamanho, peso, sabor, textura) permanecem. Portanto, a razão essencial pela qual os Católicos não são culpados de canibalismo é o fato de que nós não recebemos o Nosso Senhor de forma cabalista. Nós o recebemos na forma de pão e vinho. Ambas são qualitativamente diferentes.

Mergulhando um pouco mais fundo nisso, eu poderia sugerir pelo menos seis razões pelas quais a Eucaristia e o canibalismo são, qualitativamente, ou essencialmente, coisas diferentes.

1. No canibalismo, a pessoa consumida é, falando de forma generalizada, assassinada. Jesus não é assassinado. Nós o recebemos em seu corpo ressuscitado e nós não, pelo menos, o afetamos. De fato, ele não se torna menor. Ele nos transforma. Isso está muito longe de canibalismo.

2. No canibalismo, só uma parte da vítima é consumida. Ninguém come os ossos, tendões, etc. Na Eucaristia, nós consumimos todo o ser do Senhor, olhos, cabelo, sangue, ossos, etc. Mas novamente, eu enfatizo que nós assim o fazemos sob a aparência de pão e vinho. Isso é essencialmente diferente de canibalismo, no qual lidaremos em nosso próximo ponto.

3. No canibalismo, os acidentes de sangue e carne são consumidos. Alguém deve rasgar a carne, beber o sangue, etc. Na Eucaristia, nós somente consumimos os acidentes do pão e vinho. Isto não é canibalismo.

4.No canibalismo, se consome um corpo, não uma pessoa. A pessoa e a alma da vítima teriam partido. Na Eucaristia, nós consumimos a pessoa toda de Jesus Cristo, corpo, sangue, alma e divindade. Ninguém pode separar o corpo de Cristo de sua Divina Pessoa. Embora, esta seja uma comunhão espiritual tanto como um consumo físico. Nós nos tornamos um com Cristo em um místico nível neste Sacramento. Isso está muito longe de canibalismo.

5.No canibalismo, só se recebe uma nutrição temporal fugaz. Na Eucaristia, nós recebemos a divina vida de Deus através da fé e recebemos nosso Senhor que se dá todo a nós (João 6:52-55). Isso é essencialmente diferente de canibalismo.

6.No canibalismo, uma vez que se come a carne da vítima, ela se vai para sempre. Na Eucaristia, nós podemos consumi-Lo todos os dias, como mencionado no ponto 1, nós não O tornamos menor. Ele permanece o mesmo.


Considerações finais
 

Sempre tem se que ter cuidado ao aplicar termos e conceitos para Deus. Muitas pessoas erram em sua fé porque elas cometem o erro de aplicar termos humanos para Deus que é infinito. Nós podemos citar os Mórmons que afirmam que Deus, o Pai, tem um corpo porque as Escrituras falam sobre as “costas de Deus”, em Êxodo, ou a “mão de Deus”, os “olhos do Senhor”, etc. Você já deve ter ouvido falar da famosa réplica dessas afirmações mórmons. “O Salmo 91 se refere às “asas e penas” de Deus. Isso significa que Deus tem a forma de um passarinho?”.

O erro aqui, claro, está enraizado na interpretação de textos que não pretendiam serem usados numa forma estrita, literal, como eles o são. “Costas” devem significar “costas”, certo?

Quando isso se refere à Trindade, alguém que nega a essência desse ensinamento, afirmará que estamos ensinando que são “três seres”, porque nós dizemos Deus “em três pessoas”. Entretanto, quando relacionado a Deus, não significa que são três seres. Há uma diferença essencial entre Deus e uma pessoa, assim como há diferença de pessoa para anjos.

Poderíamos citar um rosário de exemplos contendo problemas semelhantes. Quando se chega até tachas de metal, os negativistas que rejeitam a Eucaristia e, mais especificamente, aqueles que acusam os católicos de canibalismo porque dizemos que "consumir" o Senhor na Eucaristia, corpo, sangue, alma e divindade, não conseguem entender o que realmente significa por consumir o Senhor. Eles acabam contestando assim como os incrédulos "judeus" de João 6:52, que disse: "Como pode este dar-nos a sua carne a comer?" Se você está pensando em uma refeição canibal, ele não pode. Mas se você entender, como Jesus disse: "É o Espírito que dá a vida, a carne não serve para nada, as palavras que eu vos tenho dito são espírito e vida", então você entende. A Eucaristia representa um milagre concebido pelo poder do Espírito Santo. Deus pode fazer isso.

Leia Também: O Sacramento da Eucaristia

Tradução: Tiago Rodrigo Silva

Fonte: Catholics Answers

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