Os Católicos de Hoje

31/08/2014 14:08

As palavras abaixo são do Mártir Beato Anacleto Gonzáles, morto no período da Guerra dos Cristeros, no México no início do século 20. Embora as palavras sejam de 1918, encontram-se profundamente atuais, e infelizmente em uma sociedade muito mais pagã, depravada e com péssima formação cristã.  Servem de um excelente exame de consciência para refletirmos sobre os nossos atos e o quanto, por estes, somos responsáveis pela indiferença religiosa daqueles que nos cerca.

Especialmente hoje, quando comemoramos o dia do catequista, pensemos sobre o quanto a nossa vida tem sido instrumento de evangelização e testemunho real da fé que professamos através das palavras do Beato.

VIVA CRISTO REI!!

Os Católicos Hoje

Se fossemos traçar um quadro que revelasse mais ou menos a fisionomia dos católicos de hoje, seríamos obrigados a dizer que as pessoas em sua maioria, têm se despojado do elemento essencial da vida cristã, para ficar com apenas algumas manifestações externas, que quase se cumprem mais por rotina do que por qualquer outra coisa. Assistem ao santo sacrifício da Missa mais pelo fato de ser um costume longamente enraizado; e vez ou outra vão à confissão ou comungam para não contrariar abertamente a mãe ou a namorada, e fora desses atos religiosos que nada valem, por causa do espírito com que são praticados, não fazem outra coisa senão procurar diversão e consagrar principalmente os dias destinados a Deus ao maior número de deleites.

Assim, quase todos os católicos hoje levam uma vida praticamente pagã. Relegaram ao esquecimento aquilo que é fundamental no cristianismo (o amor a Deus e o amor ao próximo) para ficar com algumas quantas fórmulas que, por carecerem de substancial, não têm valor nem significação alguma. Ser católico é ser discípulo Daquele que passou o mundo fazendo o bem e consagrando todos os instantes de sua vida mortal a amar a Deus e a ajudar os demais. Isso é ser católico não só de palavra, mas de verdade. De fato, isso é o cumprimento religioso da nossa missão como homens e como cristãos.

É por isso que, se os católicos de hoje querem merecer esse nome, devem começar por deixar de fazer os grandes males que estão fazendo com seu exemplo, por que é caro que, se o exemplo dos ímpios e inimigos da verdade é demolidor, com maior razão o será o dos que dizem filhos fiéis da Igreja, mas, por causa de seus atos, acabam sendo modelos de corrupção e de iniquidade. Nada é tão frequente como encontrar que se jactam de ser católicos audazes e determinados, mas só de palavra, pois na primeira oportunidade vemo-los entrando em um cinema ou pagando para que almas sejam corrompidas, ou frequentando algum baile, de modo a pisotear o pudor, ou continuar ostentando, apesar das múltiplas exortações dos sacerdotes, trajes que não revelam outra coisa senão uma debilitação do sentido moral e grande falta de respeito coma honestidade natural.

Por toda a parte, veem-se católicos degenerados rendendo homenagem suprema de adoração a Deus com a inteligência, mas escarnecendo Dele e pisoteando-O com seus atos, que são uma contradição viva das doutrinas que professam. E são esses os mesmos que se espantam com a perseguição da Igreja, com o ódio a Cristo, com as blasfêmias e com a impiedade que inunda tudo como um imenso rio que transborda; pois tenham claro que as gerações, por cima dos influxos das ideias, são formadas a partir do contato entre os fatos e com o exemplo dos demais; portanto, se os católicos, muito longe viver sua fé e de observá-lo o mais estritamente possível os seus atos, continuarem, como têm feito até agora, agindo em oposição mais ou menos aberta a ela, com suas doutrinas e seu critério, continuarão sendo responsáveis pela profunda depravação que imobiliza a sociedade e que, se é resultado das mais ideias, não deixa de sê-lo também por exemplos corruptores.

Por ora, já que a desmoralização é tão grande, devemos ao menos nos esforçar resolutamente para deixar de fazer o mal e para não contribuir com a degeneração das massas, em razão de uma conduta corrompida. Comecemos com a não realização do espetáculo vergonhoso que é viver pagãmente; tenhamos coragem suficiente para não ir a lugares onde a moral é pisoteada e os costumes são depravados. Quando estivermos fora de casa, procuremos fazer com que, por meio dos trajes e das relações sociais, seja refletida a doutrina salvadora do cristianismo, ao menos para que não continuemos sendo responsáveis pela decadência da sociedade.  

Fonte: A Guerra dos Cristeros; Enrique Mendonza Delgado, Edições Cristo Rei – Belo Horizonte, 2013.

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