Onde esta o silêncio da Catedral?

10/09/2013 10:00

Diariamente somos embalados por uma sinfonia que não é comanda por nós, mas somos participantes dela; é a sinfonia do Barulho!

Esta agitação do dia-a-dia consome toda  “carga” de silêncio, por um barulho absurdo, seja de músicas, toques de celular, automóveis, discussões, noticias, TV... etc e que tiram o silêncio de Catedral de nós! Opa, eu disse Catedral? Catedral é a Igreja central de uma Arquidiocese? Mas nas Igrejas têm silêncio? ...

Realmente constatamos que na maioria de nossas Igrejas não há mais o (silêncio Catedrático), principalmente quando dentro dela se reúnem os cristãos para atos litúrgicos. Ou seja, o barulho das ruas invadiu o Templo Santo de Deus! Constatamos e sofremos com isso, pois nem da parte de muitos clérigos, ministros, músicos, líderes de pastorais, catequistas se preza pelo mistério, pela escuta de Deus no silêncio da oração, reflexos de que a mística e ascese já não fazem mais parte do cotidiano, não se tem mais “tempo” para o descanso em Deus.


"Introibo ad altare Dei, ad Deum qui lætificat juventutem meam"

É com estas palavras que o sacerdote inicia a Santa Missa no Rito Extraordinário Romano: - Subirei ao altar de Deus, do Deus que alegra a minha juventude.

Quando adentramos dentro da Igreja sem esta convicção, DEUS já esta aqui, perdemos toda a sacralidade e verdade, e com isso o silêncio. Nas seitas protestantes (comunidades eclesiais – não Igrejas) Deus se faz presente, pela reunião de cristãos batizados “... quando dois ou mais estiverem reunidos no meu nome...” (Mt 18,20). Mas para nós Católicos, Ele já esta ali presente no Sacrário em seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade e não somente quando nos reunirmos.

Mas como nos comportamos? Se a fé nos diz e a tradição confirma por que não há o silêncio, contemplação e oração, mas antes do inicio dos atos litúrgicos nossas Catedrais parecem uma feira livre?

Quantas vezes antes de uma Celebração Eucarística mal temos o gosto de saber das leituras que vão ser proclamadas na Missa, porque os músicos estão afinando o violão, escolhendo a distorção que será usada na guitarra ou o cantor está falando: “som, testando, som, um... dois... três... Gzuiiisss”?

Aliás, nós mesmos já trazemos o barulho de fora pra dentro, quando deveria ser o contrário, levar a paz e a quietude de dentro do Sacrário para o mundo!

Não tem como aprendermos do Mestre sem antes poder escutá-lo no silêncio, na paz e no “conjunto harmonioso para onde sobem as tribos de Israel” (Sl 122,3).

Sagradas Escrituras

“Se pudésseis guardar silêncio, tomar-vos-iam por sábios.” (Jó 13, 5)

“O homem contemplava em silêncio, curioso por saber se o Senhor tinha ou não tornado feliz a sua viagem.” (Gênesis 24, 21)

“Bom é esperar em silêncio o socorro do Senhor.” (Lamentações 3, 26)

“Mas o Senhor reside em sua santa morada; silêncio diante dele, ó terra inteira!” (Habacuc 2, 20)

“Silêncio diante do Senhor Javé! Porque o dia do Senhor está próximo, o Senhor preparou um sacrifício, santificou os seus convidados.” (Sofonias 1, 7)
Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, fez-se silêncio no Céu durante cerca de meia hora.” (Ap 8,1).

Instrução Geral do Missal Romano

“Deve guardar-se também, no momento correspondente, como parte da celebração, um sagrado silêncio. Não obstante, a sua natureza depende do momento em que se observa em cada celebração. Pois no ato penitencial e depois do convite a orar, cada um se recolhe em si mesmo [singuli ad seipsos convertuntur]; terminada a leitura ou a homilia, todos meditam brevemente no que escutaram; e depois da Comunhão, adoram a Deus em seu coração e oram [in corde suo Deum laudant et orant]. Já desde antes da própria celebração, é louvável [laudabiliter] que se guarde silêncio na igreja, na sacristia, no lugar onde se faz a paramentação e nos lugares mais próximos para que todos se disponham devota e devidamente para a ação sagrada”. (IGMR 45)

O silêncio é a melhor preparação para a Liturgia. Exceto alguma música apropriada, não se deve permitir nenhum menosprezo ao direito que o povo tem à tranqüilidade antes da Eucaristia. Por exemplo: não se devem permitir ensaios musicais ou de coro, nem avisos que podem ser dados mais tarde, nem distrações no presbitério ou em qualquer outro local.” (Guia Pratico de Liturgia, pp.84-85.)

João Paulo II:

“Um aspecto que é preciso cultivar com maior compromisso, no interior das nossas comunidades, é a experiência do silêncio. […] Entre os seus diversos momentos e sinais, a Liturgia não pode minimizar o silêncio” (Spiritus et Sponsa, n. 13)

Bento XVI:

“Estamos cada vez mais claramente conscientes de que a liturgia implica o calar. Ao Deus que fala, nós respondemos cantando e rezando, mas o mistério maior, que vai mais além de todas as palavras, nos chama também a calar. Deve ser, sem dúvida alguma, um silêncio pleno, mais do que ausência de palavras e de ações” (Introdução ao espírito da liturgia).

Francisco:

As intenções gerais de oração do Papa para este mês de setembro/13 destacam a descoberta do valor do silêncio. A Igreja, junto com o Pontífice, pede a Deus para que os homens e mulheres deste tempo, “tantas vezes mergulhados num ritmo frenético de vida, redescubram o valor do silêncio e saibam escutar Deus e os irmãos.”

Qual a solução diante de tanto barulho?

O silêncio é eloquente! Dizia S. Bento. Este silêncio que é necessário à alma orante, mas que já não o temos em nossas “catedrais”, devemos o manter em nossa “catedral” particular, no coração ao adentrarmos no Templo de Deus, e prostrados diante da Majestade que ali está, ser um testemunho eloquente desta necessidade. Claro que o nosso desejo seria mandar á todos que se CALEM e escutem a DEUS! O povo que perdeu a sacralidade não o respeita... quando se entra em um templo muçulmano deve se descalçar, em um templo budista total silêncio e é proibido fotos, na sinagoga respeito e veneração, em uma maternidade quietude... em todos estes lugares se você não respeitar, teremos a certeza de olhares de reprovação e/ou o convite para se retirar, e isto não ocorre em nossas Catedrais e por quê? Como dizia o Papa Paulo VI: “A fumaça de Satanás entrou no Templo Santo de Deus” e complemento: Entrou e espalhou o barulho e a inquietude da falta de paz interior!

Até onde vai nosso respeito humano em permitir tantos abusos?

Responda você, ai na sua paroquia!

 

Por Junior Mathias e Leonardo Souza

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