O filho pródigo e orgulhoso

03/11/2013 19:13

Certa vez, escreveu um filósofo da escola de "Frankfurt"

 

Digo-vos ainda: Um homem tinha dois filhos.

 

O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me cabe. O pai por covardia de enfrentar o filho e não ferir seus sentimentos, repartiu entre eles os haveres.

 

Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo de forma desregrada.

 

Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria.

Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos.

 

Com forme, desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.

 

Então, vendo-se oprimido pelo patrão, juntou-se com outros amigos do proletariado, organizaram um greve, exigindo refeições matinais com brioches, café, chás variados, queijos e frios, almoço com cardápio variado, direito a hora de almoço e descanso, jantar variado, tudo acompanhado por um nutricionista. O movimento grevista não logrou êxito, uma vez que o pensamento do patrão era baseado na opressão aos mais fracos

Assim, não restou alternativa aos oprimidos - ante a violência do patrão - a não ser cobrir os rostos, atear fogo na fazenda, matar os porcos, queimar junto com os bens dos opressores e roubara comida que em grande parte já havia se misturado com as cinzas e restos das fezes dos porcos. Contudo, agora que eram todos livres da opressão, repartiram a comida dos porcos em partes iguais, mas os lideres da luta não eram tão iguais assim aos operários, e para garantir a igualdade da divisão, passaram a racionar a ração suja de fezes, dando-as aos que cooperavam mais com a revolta, que maravilha, todos tinham fome, mas eram “livres”.

 

Então pensou consigo e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai oprimidos e marginalizados, pensando que tem pão em abundância… Mal sabem eles que o pão é de meu pai, aquele que me deixou ficar aqui, lutando para ter as vagens com fezes dos porcos! Nada ele fez para me impedir! Covarde! Fascista! Opressor! Nazista! Se hoje eu como as vagens é dele!!!

 

Esse filho mais moço poderia levantar-se e ir até o pai, e dizer-lhe: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados. Porém não, ele “está satisfeito” com a ração com sujeira de porco...

 

Assim, pensando na covardia que seu pai teve em não impedir dele ter partido com os bens que ele mesmo havia pedido, não foi ter com seu pai. Naquele dia não houve beijo, não houve vestes, não houve anel, não houve calçados nos pés. Não houve novilho gordo, não houve festa.

 

Eis que o filho estava morto e quis permanecer morto e o pai era covarde demais para lutar por um filho morto.

 

O filho mais velho estava no campo. Lá permaneceu, trabalhando mudo, acomodado com as migalhas do pão do pai, completamente alienado ao sistema opressor e manipulador que o pai representa.

Assim o filho continua pródigo, o pai sempre é um covarde e o irmão é sempre um acomodado.

 

É assim que muitas pessoas veem a fé, a Deus e a si próprios.

 

Muitas pessoas veem Deus como um autor de novela, que divide os homens entre bem e mal, que é covarde em tomar decisões, que é omisso em intervir. Esquecemo-nos de que temos liberdade (livre arbítrio). Muitas vezes utilizamos dessa liberdade para ofender a Deus, para nos opor a seu propósito, para nos opor a sua providência, pois, não é raro sermos atraídos às vagens com fezes de porcos e nos atiramos loucamente ao excremento e nos deleitamos. Sim, desculpe a força da expressão, mas preferimos comer “merda” e experimentar uma falsa sensação de liberdade que nos colocarmos embaixo das mãos do Pai.

 

Não é raro encontrarmos filhos pródigos por ai. Entregues em qualquer vício, seita ou ideologia. Aqueles que alimentam revoltas e querem mostrar que é melhor comer “merda” que estar ao lado de um Pai covarde. Quando na verdade, a covardia é uma só! Não retornar ao Pai que espera, ama e quer de volta aquele que por sua vontade saiu. Deus tem um anel, uma túnica, sandálias, e uma festa preparada para cada um, sempre. Mas ele não vai forçar regressos, não foi Ele quem expulsou ninguém... A atitude deve ser uma resposta racional (intelecto) e irracional (fé) a "àquele que nos amou primeiro." (cf. I Jo, 4,19)

E nós, que somos da Igreja, quantas vezes nós já fomos apontados como “irmãos acomodados”. Aqueles que estão fora da Igreja conduzem a sua observação a nós como “alienados ao sistema”. Na verdade, tudo o que não somos é alienados, mas sim, ligados ao Pai e já experimentamos aquilo que o Pai (o verdadeiro) explica: Tudo que é meu é teu. (cf. Lc 15, 31).

 

A alienação vem exatamente no afastamento do filho (criatura) do Pai (criador), tentando viver uma natureza que não é a sua, fugindo exatamente de ser quem ele é. Um filho, amado, eleito, escolhido.

 

Deus não é responsável pelas suas escolhas, mas está sempre aberto a te receber novamente quando há a vontade (séria) de começar de novo.


OBS.: A adaptação da parábola do filho pródigo foi baseada em fatos, ideias e filosofias reais.

 

OBS2.: Amigos, qualquer semelhança de como apresentaram Deus, você mesmo o nós Católicos em sua vida  não é mera coincidência.

 

Por Marco Antonio

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