Igreja Una Santa Católica e Apostólica


O Exorcismo

21/05/2013 20:00

1. EXORCISMO: que é?

Desde os tempos apostólicos, a Igreja exerceu o poder que recebeu de Cristo, de expulsar os demônios e repelir sua influência (cf. At 5, 16; 8, 7; 16, 18; 19, 12). Por isso, constantemente e com confiança, ora "em nome de Jesus" que a livre do Mal (cf. Mt 6, 13). E ainda no mesmo nome, por força do Espírito Santo, de vários modos ordena aos demônios que não impeçam a obra da evangelização (cf. Us 2, 18) e entreguem "ao Mais Forte" (cf. Lc 11, 21-22) o domínio sobre todos e cada um dos seres humanos. "Quando a Igreja exige publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou um objeto sejam protegidos contra a influência do Maligno e subtraídos ao seu domínio, fala-se de EXORCISMO".

2. Possessão diabólica

O mistério da divina piedade se torna mais difícil ao nosso intelecto quando, por permissão de Deus, ocorrem casos de especial tormento ou possessão que o diabo exerce em prejuízo do homem incorporado ao povo de Deus. Em tais casos, a Igreja suplica a Cristo Senhor e Salvador e, confiante no poder dele, oferece muitos auxílios ao fiel atormentado, a fim de que seja libertado do tormento ou da possessão.

3. EXORCISMO maior ou solene

Entre esses auxílios, sobressai o EXORCISMO maior, solene, também chamado grande EXORCISMO, que é uma ação litúrgica. Por esse motivo, o EXORCISMO, que "visa expulsar os demônios ou livrar da influência demoníaca, e isto pela, autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja", é uma prece que faz parte dos sacramentais; portanto, um sinal sagrado pelo qual "são significados efeitos principalmente espirituais, obtidos por intercessão da Igreja".

Nos EXORCISMOs maiores, a Igreja, unida ao Espírito Santo, suplica-lhe que auxilie a nossa fraqueza (cf. Rm 8, 26) para afastar os demônios, a fim de que não prejudiquem os fiéis. Confiando no dom do Espírito, nos EXORCISMOs, a Igreja não age em próprio nome, mas unicamente no nome de Deus ou do Senhor Jesus Cristo, a quem todas as coisas, inclusive o Diabo e os demônios, devem obedecer e estão sujeitos.

4. O exorcista: qual deve ser

O ministério de exorcizar os atormentados é concedido por peculiar e expressa licença do Ordinário local que, normalmente, será o próprio Bispo diocesano. Essa licença só deve ser concedida a um sacerdote que se distinga pela piedade, ciência, prudência e integridade de vida e especificamente preparado para esta função. Mas o sacerdote a quem foi confiado o encargo de exorcista, de modo estável ou para um caso determinado, com confiança e humildade execute essa obra de caridade sob a moderação do Ordinário. Neste livro, quando se fala de "exorcista", sempre deve-se entender o "sacerdote exorcista".

5. Cautela

No caso de alguma intervenção considerada demoníaca, o exorcista tenha, sobretudo, a necessária e máxima circunspecção e prudência. Em primeiro lugar, não creia facilmente que alguém esteja possesso do demônio, pois pode tratar-se de outra doença, sobretudo psíquica. Do mesmo modo, não acredite absolutamente que haja possessão, quando alguém julga que é especialmente tentado pelo Diabo, desamparado e, por fim, atormentado; pois alguém pode ser enganado pela própria imaginação. Igualmente, para não ser induzido em erro, preste atenção aos artifícios e fraudes usadas pelo Diabo para enganar a pessoa, para convencer o possesso a não se submeter ao EXORCISMO, diz tratar-se de doença natural ou que depende do médico. De todas as formas, comece por saber exatamente se é realmente atormentado pelo demônio aquele do qual isso é afirmado.

Distinga corretamente os casos de ataque do Diabo da falsa opinião pela qual alguns, também entre os fiéis, julgam ser objeto de malefício, de má sorte ou de maldição, que outros lançaram sobre eles, seus próximos ou seus bens. Não lhes negue ajuda espiritual, mas, de forma alguma, use o EXORCISMO; pode fazer outras orações condizentes, com eles ou em favor deles, de forma que encontrem a paz de Deus. Da mesma forma, não se deve recusar a ajuda espiritual aos crentes que o Maligno não toca (cf. 1Jo 5, 18), mas, tentados por ele, sentem-se mal, porque querem manter fidelidade ao Senhor Jesus e ao Evangelho. Isso pode ser feito também por um sacerdote que não seja exorcista, inclusive por um diácono, por meio de oportunas preces e súplicas.

6. Os sintomas de possessão

Portanto, o exorcista não comece a celebrar o EXORCISMO se não souber, com certeza moral, que o exorcizando está realmente atormentado pelo demônio e, se possível, que ele consinta.

Segundo uma praxe comprovada, os sinais de obsessão diabólica são: falar muitas palavras numa língua desconhecida ou entender alguém que a fala; manifestar coisas distantes ou ocultas; mostrar forças superiores à idade ou às condições físicas. Esses sinais podem dar algum indício. Contudo, como tais sinais não precisam necessariamente ser considerados como vindos do Diabo, deve-se dar atenção também a outros, sobretudo de ordem moral e espiritual, que manifestam de outra forma a intervenção diabólica, como, por exemplo, forte aversão a Deus, ao Santíssimo Nome de Jesus, à Bem-aventurada Virgem Maria e aos Santos, à Igreja, à palavra de Deus, a coisas, ritos, especialmente sacramentais, e imagens sacras. E, finalmente, deve ser cuidadosamente examinada a relação de todos os sinais com a fé e o combate espiritual na vida cristã, já que o Maligno, em primeiro lugar, é inimigo de Deus e de tudo o que une os fiéis com a ação salvífica de Deus.

7. EXORCISMO não é espetáculo

O EXORCISMO seja feito de forma que manifeste a fé da Igreja e ninguém possa considerá-lo uma ação mágica ou supersticiosa. Deve-se tomar cuidado para que não se transforme num espetáculo para os presentes. Enquanto se faz o EXORCISMO, de forma alguma se dê espaço a qualquer meio de comunicação social e até, antes de fazer o EXORCISMO e depois de feito, o exorcista e os presentes não divulguem a notícia, observando a necessária discrição.

Estas ponderações evidenciam o sentido do EXORCISMO na Igreja Católica. Demonstram quão diferente é este rito do que ocorre em comunidades protestantes, que multiplicam seus "EXORCISMOs" indiscriminadamente e em estilo teatral.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

Fonte: http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?pref=htm&num=1585

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