O Deserto

05/04/2014 01:40

O deserto

Se você quisesse ficar sozinho em sua vida real, muito provavelmente você não iria passar horas cozinhando no deserto do Saara, mas espiritualmente falando, você necessita de alguns momentos no deserto para lá olhar francamente para você e conversar com Deus.

Durante esse período da quaresma, eu me permiti um “deserto”. Enquanto havia cantoria e movimentação frenética eu parei para ficar no deserto com Deus. Afinal, quaresma é para isso né? Não! Infelizmente aqui no Brasil não.

A experiência do povo hebreu liberto no deserto trouxe murmuração e “saudade” da escravidão no Egito (Cf. Ex. 16, 2-3). Já o envio de Jesus ao deserto pelo Espírito Santo trouxe a submissão e a voluntário amor daquele que não sabia que era muito mais que escravidão (Cf. Mt 4).

Nos falta hoje olharmos essa realidade em nossas vidas.

Durante a quaresma fazemos durante a missa barulho igual ou maior que todo o ano litúrgico, simplesmente por que esquecemos completamente o sentido do deserto que a quaresma tem. Perdemos o sentido de ser conduzido pelo Espírito Santo a com Jesus experimentarmos a saudade de Deus na nossa humidade.

Vemos que o povo liberto por ação de Deus ainda não se sentia amado o suficiente (mesmo após ser liberto de anos de escravidão) e tem o deserto com lugar de castigo, pensam em voltar, afinal havia uma panela de carne e o corpo já estava acostumado ao trabalho. Viver a quaresma como a Igreja nos ensina é nos reconhecer “murmuradores” e saudosistas da escravidão.

Em Cristo, vemos o deserto passa a ser um local de profundo encontro. O encontro daquilo que Deus esperava do gênero humano, um amor fiel e verdadeiro, um amor capaz de suportar tentações, desejos, comodidades. Cristo não era escravo, mas aceitou o castigo, não como um lugar de castigo e sofrimento, mas um local de profunda consolação. Pensam em voltar? Não. Viver a quaresma como a Igreja ensina é nos reconhecer necessitados da imensa graça.

O deserto desprezado e esquecido com os “hinos da Campanha da Fraternidade da vida” é o primeiro passo a nossa conversão, aceitação e entendimento do madeiro em que será posto o Homem da Cruz.

Maria Regina Caeli intercedenti

Por  Marco Antonio

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