Não morra CEM Jesus

07/04/2015 13:52

Hoje eu estava indo para o meu trabalho e vi escrito em uma parece a seguinte frase “Não morra CEM Jesus”.

Fiquei pensativo. A mensagem errada e inoportuna me chamou a atenção para a “CONTRA EVANGELIZAÇÃO”. Sim, a evangelização que “dá ruim” como dizem aqui no Rio de Janeiro. Sabe aquela boa oportunidade pra ficar calado? Então.....

Você pode estar pensando “nossa, mas eu devo anunciar o evangelho como mandou nosso Senhor e vem esse cara dizer que eu não devo anunciar!”. Calma eu não disse que não se deve anunciar, disse que a mensagem era errada e inoportuna. Explico.

Lógico que o mandamento que a nós foi dado é claro "E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura." (Mc, 16, 15), mas quem foi que disse que tem que ser de qualquer maneira? Quem foi que disse que tem que ser inoportunamente?

A pregação, a catequese, o processo catecumenal exige muito mais de “nós que sabemos” daqueles que recebem, pois, nós temos que ter o cuidado, a atenção, a leveza de demonstrar Jesus como Ele é. Jesus não um personagem, Jesus não é “uma figura” que deve ser acompanhada, nós não “vendemos uma novela”. Temos que mostrar a pessoa do Cristo!

Imagine que você insiste muito para um amigo seu “visitar sua igreja” e quando ele finalmente aceita (não por que quer, mas pra você parar de encher ele) ele pergunta: “E ai? Estou aqui. O que tem de diferente?”. Se você vender um personagem acabou ai.

Então anunciar Jesus como pessoa exige de nós coragem e preparo.

A coragem é fruto do Espírito Santo. Não tem como “ensaiar”. É Dom, dado de graça para nós.

Quanto ao preparo, deixe-me fazer uma ressalva: Quando digo preparo não estou me referindo a “experiência acadêmica”, “teoria”, “ensaio”. Pois muitas das vezes recebemos catequeses de pessoas que não tem profunda carga teológica, mas conseguem transmitir na simplicidade a mensagem e assim conseguir o fruto da evangelização. O contrário também existe, pessoas com profundo conhecimento bíblico e teológico que não conseguem externar nada que sabem. Portanto, o preparo que eu digo só pode ser fruto de uma vivência autêntica daquilo que é vivido, experimentado...

A oportunidade também é algo que é infelizmente esquecido por muitos católicos. Quantas vezes nossas atitudes e silêncios poderiam evangelizar mais que nossa fala?

Imagine que lhe pedem pra falar em um funeral e você pensando que está consolando e evangelizando diz a frase solta “ele morreu porque Deus quis”, logo depois descobre que o de cujus morreu vitima de uma injustiça, um ato covarde e banal. E ai?!

Muitas das vezes nossas atitudes gritam mais alto que uma hora de pregação, nosso ato é mais oportuno que um workshop de “virtudes”, nosso acolhimento é mais radiante que dois dias de palavras decoradas... Às vezes gritar é simplesmente agir.

Precisamos anunciar sim, sempre e COM PALAVRAS SE FOR NECESSÁRIO.

Peçamos a Deus os seus dons para anunciar, em especial o dom da fortaleza para experimentar essa graça que é ser filho de Deus e aprendamos com a Nossa Mãe Maria, a virgem do silêncio, que nosso “sim” diário seja silencioso e constante e que reflitam em nossa vida essas decisões.

 

Maria Regina Caeli intercedenti

Marco Antonio Alencar de Mesquita

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