Mascarando a maldade com a falsa caridade

27/08/2014 08:39

 

Vivemos em tempos difíceis em todos os aspectos. Dificuldades no trabalho, dificuldades financeiras, dificuldade nos relacionamentos pessoais e familiares, e principalmente uma crise aguda na fé.

 

Diante dessas dificuldades me vejo sempre diante de dois caminhos: Ser falso e mascarar tudo ou ser sincero.

Sempre opto pela sinceridade, não é que eu seja perfeito, mas aprendi que a sinceridade que me faz menos “super” e me coloca os pés nos chão.

 

Com isso quando estou diante de uma dificuldade no trabalho lembro que eu não sou “super”, mas que eu devo desempenhar bem minha função, como profissional e como cristão. Devo viver a alegria de testemunhar minha fé pelo meu trabalho (como bom devoto de São Josemaria Escrivá que sou). Quando tenho problemas em minha família lembro que eu não sou “super” que onde há diferentes pensamentos há conflito e que devo também ouvir e ai por diante….

 

Mas está cada vez maior um “movimento politicamente correto” - de cristãos ou não - que resolveram mascarar sua maldade e indiferença com a “caridade”.

 

Recentemente um casal australiano que não poderiam ter filhos resolveu contratar uma menina na Tailândia para ser sua barriga de aluguel. Ai você pensa: “Que lindo”, “Estão correndo atrás dos seus sonhos”, “É caridade esse ato de ajudar uma menina pobre a ter uma criança” e “Essas pessoas deveriam ser exemplo”.

 

Bem, mas após a fecundação um dos gêmeos foi diagnosticado com síndrome de Down…. Bom, ai os bonzinhos mostraram de fato sua intenção e levaram apenas o “gêmeo bom” abandonando o “gêmeo ruim”.

 

O ser humano é descartável e um ato que aparentemente era “lindo” na verdade esconde o desejo egoísta de um casal que se viu no direito, pois “estavam pagando”, por escolher entre as crianças.

 

A caridade não faz “seleção”!

 

Vejo isso muito no Brasil. Quantos casais se dizem “pessoas boas” por quererem adotar, mas traçam um perfil fixo “para o futuro filho amado”. Eu quero adotar, desde que seja criança, bem novo, esteja com todos os exames em dia, guarde traços físicos iguais aos meus e de minha esposa, seja “clarinho” para sermos vitimas de racismo, que não tenha nenhuma doença, pois criança doente é ruim….”. Enfim, condicionam o amor.

 

O amor só é verdadeiro quando é livre. Quando eu condiciono ou direciono ele deixa de ser amor e passa a ser apenas um querer vazio. Eu AMO a criança ou QUERO ter uma criança? Nesse caso, parece mais querer que amar, infelizmente.

 

Nós às vezes somos levados a disfarçar a maldade e a falta de amor que temos em uma virtude ou um fardo que é “suportado no amor”, deixemos de ser mentirosos!

 

E para nós cristãos o mandamento do amor é maior que uma ordem, mas passa a ser uma identidade. Pois temos que ser reconhecidos por esse ato, como Jesus ensinou “Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros. Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos." (Evangelho Segundo São João 13, 34-35). Porém, devemos saber que o amor não consiste em ter uma vida avoada, fora da realidade ou fantasiosa. O Amor que deve ser vivido por cada cristão é o amor sincero e honesto que deve ser experimentado com o outro e no outro, não sendo o outro objeto do amor ou meio do amor, mas sim finalidade. Devo amar meu irmão não pelo que ele pode me dar em troca, mas simplesmente pelo que ele é.

 

Que possamos entender que esse amor deve ser verdadeiro e não uma “máscara” para vivermos uma falsa amizade ou um pecado. Temos que ser libertos disso para entender o verdadeiro amor de Deus.

 

I Pedro 1:22

" Pela obediência à verdade vocês se purificaram, a fim de praticar um amor fraterno sem hipocrisia. Com ardor e de coração sincero amem-se uns aos outros.

 

 

 

Maria Regina Caeli intercedenti

 
Marco Antonio Alencar de Mesquita
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