Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina na oitava do Natal - Sagrada Família de Nazaré

27/12/2014 18:51

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

“Cristo quis nascer e crescer no seio da Sagrada Família de José e de Maria”. A Igreja outra coisa não é senão a “família de Deus” (Catecismo, 1655).

Neste Domingo após o Natal celebramos a festa da Sagrada Família: Jesus, Maria e José. Deus quis manifestar-se aos homens integrado numa família humana. Ele quis nascer numa família, quis transformar a família num presépio vivo. Pode-se dizer que hoje celebramos o verdadeiro Dia da Família!

Uma verdade que fica clara para nós nesse dia é que Jesus sendo o “Messias quis começar a sua tarefa redentora no seio de uma família simples, normal. O lar onde nasceu foi à primeira realidade humana que Jesus santificou com a sua presença”.

A Sagrada Família – Jesus, Maria e José – é também o modelo da família cristã. Esta afirmação é mais que conhecida. A Igreja, nos últimos anos, tem tocado nessa tecla com muita insistência, ao mesmo tempo tem defendido a família enquanto realidade constituída por um homem e uma mulher com os seus filhos. A família constituída como Deus quis e como a natureza das coisas pede é, simplesmente, a família.

A família cristã tem o seu modelo na família de Nazaré e, como acabamos de escutar na Missa de hoje, se trata de viver perto de Deus, ao lado de Deus e ao lado dos demais, com muitas alegrias e… com algumas dificuldades!

Os lares cristãos, se imitarem o da Sagrada Família de Nazaré, serão “lares cheios de luz e alegres” ensina-nos São José Maria Escrivá, porque cada membro da família se esforçará em primeiro lugar por aprimorar o seu relacionamento pessoal com o Senhor e, com espírito de sacrifício, procurará ao mesmo tempo chegar a uma convivência cada dia mais amável com todos os da casa.

A família é escola de virtudes e o lugar habitual onde devemos encontrar a Deus. “A fé e a esperança têm que manifestar-se na serenidade com que se encaram os problemas, pequenos ou grandes, que surgem em todos os lares, no ânimo alegre com que se persevera no cumprimento do dever. Assim, a caridade inundará tudo e levará a compartilhar as alegrias e os possíveis dissabores, a saber, sorrir, esquecendo as preocupações pessoais para atender os outros; a escutar o cônjuge ou os filhos, mostrando-lhes que são queridos e compreendidos de verdade; a não dar importância a pequenos atritos que o egoísmo poderia converter em montanhas; a depositar um amor grande nos pequenos serviços de que se compõe a convivência diária. Santificar o lar, dia a dia; criar, com o carinho, um autêntico ambiente de família: é disso que se trata”.

O exercício das virtudes teologais - a fé, a esperança e a caridade - no seio da família alicerçará a unidade que a Igreja nos ensina a pedir: “Vós, que ao nascerdes numa família fortalecestes os vínculos familiares, fazei que as famílias vejam crescer a unidade”.

Uma família unida a Cristo é um membro do seu Corpo místico, assim a Lumen Gentium a chama de “Igreja doméstica”. Esta Igreja doméstica, comunidade de fé e de amor tem de manifestar-se em cada circunstância como testemunho vivo de Cristo, à semelhança da própria Igreja. “A família cristã proclama em voz muito alta tanto as presentes virtudes do Reino como a esperança da vida bem-aventurada” (Lumen gentium, 35).

Cada lar cristão tem na Sagrada Família o seu exemplo mais fiel; nela, a família cristã pode descobrir o que deve fazer e como deve comportar-se, para a santificação e a plenitude humana de cada um dos seus membros. “Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho. Aqui se aprende a olhar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado, tão profundo e tão misterioso, dessa muito simples, muito humilde e muito bela manifestação do Filho de Deus entre os homens. Aqui se aprende até, talvez insensivelmente, a imitar essa vida” (Paulo VI, alocução em Nazaré, 1964).

A família é a forma básica e mais simples da sociedade. É a principal “escola de todas as virtudes sociais”. É a sementeira da vida social, pois é na família que se pratica a obediência, a preocupação pelos outros, o sentido de responsabilidade, a compreensão e a ajuda mútua, a coordenação amorosa entre os diversos modos de ser. Isto se realiza especialmente nas famílias numerosas, sempre louvadas pela Igreja (Gaudium et Spes, 53). Com efeito, está comprovado que a saúde de uma sociedade se mede pela saúde das famílias. Esta é a razão pela qual os ataques diretos à família (como o aborto, o divórcio, o casamento de pessoas do mesmo sexo) são ataques diretos à própria sociedade, cujos resultados não tardam a manifestar-se.

Para sermos capazes de amar e ajudar os membros de nossa família e de todas as famílias com as quais entrarmos em contato em meio ao dia-a-dia, São Paulo pede-nos:

– Revesti-vos de sentimentos de misericórdia, compaixão, bondade, mansidão e paciência! – Perdoai-vos mutuamente. – Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição! – Reine em vós a paz de Cristo. – Cheios de gratidão cantai a Deus hinos e salmos de louvor! – Filhos, obedecei a vossos pais! – Pais, não exaspereis os vossos filhos!

Deus ama quem dá com alegria, quem faz a sua vontade. Que alegria para São José e para Maria as palavras pronunciadas por Simeão: “Este Menino é a salvação para todos os povos!”

Que alegria para São José e para Maria o testemunho da profetiza Ana, que também estava presente e louvou a Deus, falando deste Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.

Supliquemos a Sagrada Família, que teve de superar muitas provas dolorosas, vele sobre todas as famílias do mundo. Ela continua sendo o modelo de vida familiar, principalmente sobre aquelas que vivem em situações difíceis. Que ela ajude os homens de cultura e os responsáveis políticos para que defendam a instituição familiar fundada no matrimônio e a apoiem ao enfrentarem aos graves desafios do tempo presente. Que a partir de Nazaré possamos olhar, escutar, meditar e contemplar o significado profundo da manifestação do Filho de Deus em nosso meio, na força frágil de uma criança como Jesus.

Jesus, Maria e José, escutai, ouvi nossa súplica, Amém!

 

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

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