Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina - Epifania do Senhor

03/01/2015 19:08

Em nome do pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

“Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. (Mt 2, 2)

Celebramos hoje Cristo, Luz do mundo, e a sua manifestação às nações. No dia de Natal a mensagem da liturgia ressoava assim: "Hodie descendit lux magna super terram Hoje uma grande luz desce sobre a terra" (Missal Romano). Em Belém, esta "grande luz" apareceu a um pequeno grupo de pessoas, um minúsculo "resto de Israel": a Virgem Maria, o seu esposo José e alguns pastores. Uma luz humilde, como faz parte do estilo do Deus verdadeiro; uma chama pequena acendida na noite: um frágil recém-nascido, que geme no silêncio do mundo... (Bento XVI – Festa da Epifania 2013). Mas aquele nascimento escondido e desconhecido era acompanhado pelo hino de louvor pelas multidões celestes, que cantavam glória e paz (cf. Lc 2, 13-14).

A Festa da Epifania ou do dia de Reis está entre as mais importantes do ano litúrgico, ao lado do Natal e da Páscoa, sobretudo porque ela contém em germe a vocação dos gentios e porque era a Festa da Realeza de Cristo – antes da criação da Festa de Cristo Rei – dado que os Reis Magos foram adorar o Rei dos Judeus. A visita dos Reis Magos ao Menino Deus é de uma riqueza de significados incomparável.

Antes de tudo, vale destacar que é São Mateus que conta a adoração dos Magos. Ora, a finalidade de São Mateus ao escrever seu Evangelho é converter os judeus, mostrando que Nosso Senhor Jesus Cristo era o Messias prometido. Para atingir o seu objetivo, São Mateus mostra que Cristo cumpriu todas as profecias a respeito do Messias. Na adoração dos magos, várias são as profecias que se cumprem.

Primeiramente, se cumpre a profecia feita por Balaão de que uma estrela sairia de Jacó e que um cetro se levantaria em Israel (Nm 24, 17). Essa profecia de Balaão era bem conhecida entre os pagãos, pois Balaão era um pagão. A estrela profetizada por Balaão é a estrela que guia os Magos, o cetro que se levanta em Israel é o novo Rei que nasce.

Em seguida, se cumpre a profecia de que o Messias deveria vir quando o povo judeu fosse governado por um estrangeiro (Gn 4, 9). Sendo o rei Herodes um estrangeiro da região da Iduméia, o tempo para a vinda do Messias havia chegado.

A próxima profecia que se cumpre é a de Miquéias, que indica o nascimento do Messias em Belém. Eis a profecia, que acabamos de cantar no Evangelho: “Mas tu, Belém-Efrata, tão pequena entre as cidades de Judá, é de ti que sairá aquele que é chamado a governar Israel”.

Como nos mostra o Evangelho de hoje, os escribas e os príncipes dos fariseus conheciam perfeitamente essa profecia e, podemos, com acerto, que conheciam também as outras. Finalmente, na adoração dos magos, cumpre-se também a profecia de que os Reis da Arábia e de Sabá trariam presentes ao Messias: ouro, incenso… como vemos no texto de Isaías (Sal 51, 10 e Is 60, 6). Para os Judeus, naquela época a Arábia não se reduzia ao que é hoje, mas se estendia também ao oriente da Judéia. Com tantas profecias cumpridas, não há lugar para a menor dúvida: é o Messias que acaba de nascer, o novo Rei dos Judeus.

Os Magos, ao verem aquela estrela surgir, sabiam, pela profecia e por revelação divina, que se tratava do nascimento do novo Rei dos Judeus. Mago, no oriente antigo, significa a mesma coisa que sábio na Roma Antiga, filósofo na Grécia, ou escriba em Israel. Portanto, os Magos não eram astrólogos, nem adivinhadores, nem feiticeiros.

A graça de serem os primeiros gentios a adorarem Cristo não poderia ser dada a adoradores do demônio, como o são os astrólogos, os adivinhadores, os feiticeiros. Era comum naquela época, que os sábios fossem também governantes, ao menos de uma parcela do povo. Por isso, são chamados de Reis Magos. Os magos eram, então, sábios, que praticavam a lei natural e cultivavam as ciências, em particular a astronomia. Sabiam, então, auxiliados pela graça, que a estrela que surgiu era a estrela do Messias, como eles mesmos dizem: “vimos sua estrela no Oriente”. Os Reis Magos sabiam que não se tratava de um fenômeno natural, mas de uma estrela milagrosa, a estrela anunciada pela profecia.

“Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram”. (Mt 2,11)

Os reis magos encontram um bebê, enrolado em panos, incapaz de falar, em local muito pobre, sem bens. E o que fazem? Prostram-se, adoram e abrem seus tesouros. Quer dizer, entregam tudo ao Menino Jesus porque sabem que Ele é Deus. Eles se prostram. Prostrar-se é um gesto do nosso corpo e ao fazê-lo, eles entregam todo o corpo, saúde, sofrimentos físicos ao Menino Jesus. Eles o adoram.

Adorar é um ato da alma. Ao adorar, eles entregam toda a alma ao Menino Jesus, entregam a inteligência e a vontade, as tristezas e as alegrias. Finalmente, eles abrem seus tesouros, entregando ao Menino Jesus todos os bens materiais que possuem. E esses presentes são uma verdadeira confissão de fé. Pelo ouro, eles confessam a realeza de Cristo. O ouro, sendo o mais nobre dos metais deve ser dado como presente às pessoas mais nobres, aos reis. Pelo incenso, eles confessam a divindade de Cristo. O incenso só podia ser oferecido à divindade.

Mas Cristo é Deus, e deve receber o incenso. Pela mirra, eles confessam a humanidade de Cristo e sua futura paixão e morte. A mirra era usada para perfumar os corpos dos mortos. Eis uma confissão de fé esplêndida que os chefes dos judeus não quiseram fazer: Cristo é Homem, Deus e Rei. Além disso, os reis Magos, sendo três, com os nomes de Gaspar, Melchior e Baltasar, segundo a tradição mais segura, já indicam a Trindade de Pessoas em Deus.

Devemos confessar que Cristo é Homem e Deus e que Ele é Rei de nossas almas e das nações. Devemos, como os reis Magos, entregar tudo o que temos a Cristo: nosso corpo, nossa alma, nossos bens.

Devemos também entregar a Cristo o ouro das boas obras, o incenso da oração e a mirra da mortificação e da penitência. Devemos como os reis Magos estar dispostos a dar nossa vida por Nosso Senhor Jesus Cristo. Eles ainda nem o conheciam e estavam prontos para morrer pelo Menino Jesus. Nós o conhecemos e sabemos tudo o que ele fez, e tudo o que fez por nós.

Que possamos suplicar Nossa Senhora, que guardava e meditava tudo em seu coração, que Ela nos ensine também a adorar o menino Deus que se revela a nós todos os dias com “toda a nossa alma, de todo o nosso coração e com todo o nosso ser” assim como nos pede o primeiro mandamento.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

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