Lectio Divina - Domingo de Ramos 2015

28/03/2015 19:11

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

“Vinde e, ao mesmo tempo que subimos ao monte das Oliveiras, saiamos ao encontro de Cristo, que volta hoje de Betânia e, por vontade própria, apressa o passo rumo à sua venerável e feliz paixão, para levar à plenitude o mistério da salvação dos homens” (Santo André de Creta)

E assim entramos liturgicamente nesse Domingo que é a  porta de entrada da Semana Santa, e que  também  é conhecido como Domingo de Ramos da Paixão do Senhor que se dá o início da Semana Santa, ou como era conhecida antigamente como Semana Maior, por recordar-nos  a nossa redenção. Nesse dia a Igreja recorda a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém montado num jumentinho.

Já na descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, tomada de alegria, começou a louvar a Deus em altas vozes, por todas as maravilhas que tinha visto. E diziam: “Bendito o rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas”. (Lc 19, 37-38)

Cumpre-se assim então a  profecia de Zacarias:“Exulta de alegria, filha de Sião, solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso; ele é simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta!”.(Zc 9,9)

Embora Jesus montasse um simples jumento, o cortejo caminhava cheios de alegria entoando. Na expectativa de estar ali o Messias prometido, Jerusalém  transformou-se, era uma cidade em clima de festa.

E Ele era aplaudido, aclamado pelo povo: "Hosana ao Filho de Davi: Bendito seja o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel; hosana nas alturas". Isto aconteceu alguns dias antes de que Jesus fosse condenado à morte, quando aos gritos de "hosana" já se misturavam ao clamor de insultos, ameaças e blasfêmias que o levariam a sua Paixão Redentora.

Da entrada festiva como rei em Jerusalém até o deboche da flagelação, da coroação de espinhos e de sua crucificação na Cruz, somos levados a nos perguntar: Que tipo de rei os Judeus queriam? E que tipo de rei era Jesus? Jesus que antes fora aclamado pelo mesmo povo que o tinha visto alimentar multidões e era aplaudido por aqueles que o viram curar cegos e aleijados e, ainda há pouco, tinham presenciado a ressurreição de Lázaro.

Impressionado com tudo isso aquele povo tinha a certeza de que este era o Messias anunciado pelos Profetas. Mas, aquele povo era superficial e mundano, julgava que Jesus fosse um Messias político, um libertador social que fosse arrancar Israel das garras de Roma, porém Ele não era um Rei deste mundo!

A entrada de Jesus em Jerusalém foi uma introdução para as dores e humilhações que logo Ele sofreria abundantemente: a mesma multidão que o homenageou movida por seus milagres, virou-lhe as costas e pediu sua morte.

No Domingo de Ramos fica claro como o povo conhecia Jesus de um modo superficial. E como isso comprova aquela mesma advertência de Jesus no evangelho quando diz: ‘Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor entrará no Reino do céus, mas todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céu’ (Mt 7, 21)

Existe um defeito que diminui a eficácia das meditações que fazemos. Este defeito consiste em meditar os fatos da vida de Nosso Senhor e não aplicá-los ao que sucede em nós ou em torno de nós.

Quanta vezes abrimos nossa boca no louvor a Cristo e  até nos enchemos de boas intenções para seguir o evangelho, porém, ao primeiro obstáculo, à primeira contrariedade deixamo-nos levar pelo desânimo, ou pelo egoísmo, ou pela falta de generosidade e, pelo desamor?

Ainda hoje, no coração de quantos fiéis, tem Jesus que suportar essa inconstantes mudanças que balançam entre adoração e injúria, entre virtude e pecado?

É pura perda de tempo nos horrorizarmos exclusivamente com a perfídia, fraude e traição daqueles que estavam presente na entrada de Jesus em Jerusalém.

Dentro da história de cada homem encontramos continuamente a contínua bondade de Deus. Cada homem é objeto da escolha de Deus. Jesus tentou tudo com Jerusalém, e a cidade não quis abrir as portas à sua misericórdia. É o profundo mistério da liberdade humana, que tem a triste possibilidade de rejeitar a graça divina. “Homem livre, sujeita-te a uma voluntária servidão, para que Jesus não tenha que dizer por tua causa aquilo que contam ter dito, por causa de outros,disse Jesus à Madre Teresa: ‘Teresa, Eu quis, mas os homens não quiseram’

Será sempre  útil refletirmos em nossas fraudes,defeitos e, em nossas inconstâncias,para que com os olhos postos na bondade de Deus, poderemos conseguir a correção e o perdão para os nossos pecados e infidelidades.

Como é que estamos correspondendo às inúmeras instâncias da graça para que sejamos santos no meio das nossas tarefas, no nosso ambiente? Quantas vezes em cada dia dizemos sim a Deus e não ao egoísmo, à preguiça, e a tudo o que significa falta de amor, mesmo nas pequenas coisas?

Esse é o convite que esse dia nos recorda, e que possamos corresponder com grandeza de alma!

Meditemos sempre a misericórdia, a bondade, o amor infinito de Jesus Cristo por nós, e que nos foram manifestados na sua Paixão e Morte e peçamos a Virgem da Dores que caminhe conosco durante esses dias que serão para o nosso coração dias cheios de meditações profundas e densas, e que Ela nos guarde em sua paixão para que sejamos livres da presente tristeza e num futuro breve gozemos das eternas alegrias vindas da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

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