Lectio Divina do 5° Domingo da Quaresma

06/04/2014 10:30

- O Senhor nos sustenta -

“A fé significa também acreditar n’Ele, acreditar que nos ama verdadeiramente, que está vivo, que é capaz de intervir misteriosamente, que não nos abandona, que tira o bem do mal com o seu poder e a sua criatividade infinita. Significa acreditar que Ele caminha vitorioso na história ‘e com Ele estão os chamados, os escolhidos, os fiéis’ (AP 17,14)”. Papa Francisco – EG n° 278.

            Iniciamos a lectio de hoje com a súplica da Igreja neste dia: que pela graça caminhemos com alegria na mesma caridade que levou o Vosso Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo. É o Senhor quem nos sustenta nesta caminhada quotidiana, e quer a cada passo dado, nos infundir tamanha alegria e ardor de levar em nós, e a todos, o Evangelho da vida que vence a morte.

            E assim começa o Profeta Ezequiel (1ª L, Ez 37, 12-14), nos transmitindo o querer do Senhor sobre o seu povo, que como nós, muitas vezes, nos entregamos ao pessimismo, ao desânimo, e somos exortados por Deus a viver um tempo de esperança na poderosa ação Dele, na obra que realizará, pois, o tamanho desta obra que Ele fará em nós, por fora, dependerá do tamanho daquela primeira que fizer em nosso interior. O Senhor que abrirá de novo os túmulos – que naquele tempo era expresso pelo exílio do povo – reconduzirá de novo Israel para a sua terra e aquele dia será como uma nova criação, uma renovação total em seu amor. Quer o Senhor neste tempo quaresmal nos erguer verdadeiramente de nossos “túmulos”, e nos fazer compartilhar de sua vitória sobre o mal e o pecado, pois éramos habitantes desses túmulos, e faz agora nova nossa história, renascidos da morte do pecado.

            É lindo como a Sagrada Liturgia coloca nos lábios da Igreja o cântico de restauração, de certeza, de que Nele, no Senhor está toda a graça e redenção (Sl 129). É como o fôlego de vida nova que tomamos, o fôlego do Seu Santo Espírito, dando-nos viver e esperar em Sua Palavra e na Sua Misericórdia.

            Atesta-nos tudo isso o Apóstolo Paulo (2ª L, Rm 8, 8-11), podendo afirmar que, de fato estamos no Espírito, que nos tornamos novas criaturas pela vida que, através do mistério da morte de Cristo, nos foi dada. Quer com isso o Senhor, nos preparar para uma vida plena, perfeita, e que será definitivamente na Vida do Ressuscitado.

            E no Santo Evangelho (Jo 11, 1-45), vemos o concretizar de Deus na vida de Lázaro. Ele que voltou à vida terrena ainda envolvido no sinal da morte. O regresso a uma vida mortal é outro sinal, de um dom maior, de uma vida que já não morre e que nos vem de Cristo. Diante d’Ele a morte física já não tem sentido, a que irrompe no mundo é a vida plena, eterna, embora experimentemos como o homem vive numa condição mortal. A morte, perto de nós, ameaça-nos através de muitas mortes: divisões profundas, desesperos, falta de fé, violências... Cristo vem ao nosso encontro de todas as situações concretas de vida de cada um: Ele pode tirar a pedra do túmulo que nos sufoca e nos fecha no pecado, de egoísmo, de sofrimento... pode fazê-lo, com sua Palavra de Vida! É esta a nossa esperança: que a miséria da nossa condição mortal seja erguida por Deus, Senhor da Vida, através da ressureição de Cristo, em virtude d’Aquele que é o Espírito de Vida.

            Como sinal de fé no triunfo definitivo da vida, peçamos ao Senhor a graça de combater contra tudo aquilo que tenta nos devolver ao túmulo, de fazermos uma profunda experiência com Ele, pelo Seu Espírito Santo, que nos faz novas criaturas. Que a Mãe da Obediência nos oriente neste caminho rumo à vida eterna. Amém.

 

Por Carlos Guilherme

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