Lectio Divina da Quarta Feira de Cinzas - A tua e nossa luta quaresmal

05/03/2014 18:38

Para o cristão, o combate espiritual, diante de Deus e de todos os irmãos na fé, é uma necessidade, uma consequência da sua condição. Por isso, se algum de nós não luta, está traindo Jesus Cristo e todo o seu corpo místico, que é a Igreja. (São Josemaria Escrivá).

A guerra do cristão é incessante, porque na vida interior se verifica um perpétuo começar e recomeçar, que nos impede de orgulhosamente nos imaginarmos perfeitos... Recorda-nos São Josemaria Escrivá.

Nas assembleias litúrgicas que hoje se reúnem para iniciar a caminhada penitencial da Quaresma com o solene e austero rito da imposição das cinzas, nos faz recordar três verdades fundamentais: o nosso nada, a nossa condição de pecador, e a realidade da morte.

E porque somos tão imperfeitos, precisamos corajosamente lutar e proclamar que um povo se reúne para pedir perdão a Deus e para elevar até Ele as suas súplicas. Um povo que deseja acolher o convite à conversão, e a rasgar o coração e não os vestidos, um povo que se deixa ferir pela Palavra forte do seu Deus, e que sabe que pode regressar porque quem o chama é um Senhor Clemente e Compassivo, Paciente e Misericordioso. Sabemos todos que somos pó, e que não temos consistência alguma, e que basta um leve sopro de vento para espalhar... Isso manifesta claramente nossa fragilidade, o nada que somos e o Tudo que é Deus.

A lectio desta quarta-feira de cinzas quer ressaltar o convite da Mãe Igreja aos seus amados filhos: a se curvarem, inclinando suas cabeças para receber as cinzas em sinal de humildade, implorando o perdão dos pecados, e ao mesmo tempo recordando que, como pena de nossas culpas, se deverá, um dia, retornar ao pó com a nossa morte corporal.

Vemos no Profeta Joel, que exercendo seu ofício profético em um tempo desconhecido, como sua palavra impactou a nação de Israel. A terra estava prestes a ser consumida por seus inimigos que estavam por vir. Somente a intervenção de Deus poderia mudar a história de Israel; mas Ele não viria socorrer o Seu povo se não tivessem um coração totalmente voltado para Sua presença. Ele quer nos ensinar com isso, assim como ensinou naquele tempo, que existe um caminho para alcançar o Coração de Deus e transformar sinais de tragédias, de quedas, de pecados, em grandes conquistas e vitórias em nossa história de salvação. Pois face ao mal que estava vindo, a situação foi contornada por Deus por causa do clamor e do jejum do Seu povo. A oração e o jejum para alguns de nosso tempo estão fora de moda, e aqui acrescento a esmola também; mas grandes viradas foram dadas na vida daqueles que se reduziram ao pó, que dobraram não somente a cabeça, mas renderam a alma para que o Senhor os tocasse, levando-os à profunda conversão. Diante de tudo o que somos, podemos fazer prova dessas armas que, com toda certeza, movem o Coração de Deus e O faz vir em nosso socorro, dando-nos a vitória não somente na luta quaresmal, mas em toda a nossa vida.

No Salmo 50, reconhecemos sinceramente nosso pecado e invocamos a Ele, invocamos seu perdão, e que somente o Senhor pode criar um novo coração capaz de cantar os Seus louvores, sabendo com alegria que fomos salvos, visto que um dia, os frutos amargos do pecado e da morte foram inseparáveis da nossa rebelião, do nosso pecado contra o Senhor, mas esta reconciliação dá-se graças a Jesus Cristo, que foi tratado como pecado em nosso favor.

Que esta Quaresma seja marcada em nós pelo grande desejo de procura de uma relação cada vez mais sincera com Deus, o desejo de se encontrar com Ele. Peçamos ao Senhor que neste tempo favorável, Ele escute nossas orações e venha em nosso socorro. Que Ele acolha nossos jejuns, orações e esmolas, certos de que feitos com sincero amor, frutos de uma relação verdadeira com Ele, alcançaremos o Seu Misericordioso e Eucarístico Coração. Que nos guarde perseverantes a Nossa Doce e Terna Mãe. Amém.

Santa quaresma a todos e que a benção do Senhor, desça em nossas almas.

Por Carlos Guilherme Pereira Junior

Voltar