Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina da Festa da Exaltação da Santa Cruz

13/09/2014 22:26

Lectio Divina do 24º Domingo do Tempo Comum — Festa da Exaltação da Santa Cruz

Primeiramente vamos relatar um pouco sobre a origem da festa de hoje.

Pela Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Cruz não é um patíbulo de ignomínia, mas um trono de glória. Resplandece a Santa Cruz pela qual o mundo alcança a salvação.

Ó Cruz que vences! Cruz que reinas! Cruz que limpas todo o pecado. Aleluia. (Liturgia das Horas, Antífona de Laudes)

A festa que celebramos hoje nasceu em Jerusalém, nos primeiros séculos do cristianismo. Conforme um antigo testemunho, começou a ser comemorada no aniversário do dia em que foi encontrada a Cruz de Nosso Senhor. A sua celebração estendeu-se com grande rapidez pelo Oriente e pouco depois por toda a cristandade. Em Roma, era particularmente solene a procissão que, antes da Missa, se dirigia de Santa Maria Maior a São João de Latrão para veneração da Cruz.

Conta uma piedosa tradição que o imperador, vestido com as insígnias da realeza, quis carregar pessoalmente o Santo Madeiro até o seu primitivo lugar no Calvário, no entanto, o peso do Cruz foi-se tornando cada vez mais insuportável. Nesse momento, Zacarias, bispo de Jerusalém, fez-lhe ver que, para levar aos ombros a Santa Cruz, deveria desfazer-se das insígnias imperiais, imitando a pobreza e a humildade de Cristo, que tinha carregado o Santo Lenho despojado de tudo. Heráclio vestiu então umas humildes roupas de peregrino e, descalço, pôde levar a Santa Cruz até o cimo do Gólgota.

É possível que tenhamos aprendido desde a nossa infância a fazer o sinal da Cruz sobre a nossa testa, sobre os nossos lábios e sobre o nosso coração, em sinal externo da fé que professamos. Pois bem, antes de iniciar-nos nossa Lectio Divina deste domingo, persignaremos pedindo a proteção Divina sobre nós e invocando a benção de Deus, que como diz um padre antigo da Igreja, São João Damasceno: “afugenta todos os males, acolhe todos os bens, é a morte do pecado, a semente da ressurreição, a árvore da vida eterna. O Senhor pôs a salvação da humanidade no lenho da Cruz, para que a vida ressurgisse de onde viera à morte, e aquele que vencera na árvore do Paraíso fosse vencido na árvore da Cruz”.

Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos, Deus, nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

"Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3,16).

O amor de Deus pelo homem mergulhou as raízes de sua humanidade em sua eternidade. “Ele nos escolheu antes da criação do mundo”, diz-nos o Apóstolo em Ef 1, 4, “mas se manifestou no tempo, com uma série de gestos concretos que integram a história da Salvação”. Deus já falara deste seu amor a nossos pais nos tempos de outrora, muitas vezes e de diversos modos (cf. Hb 1,1). Mas não bastou a Deus falar-nos do seu amor “por meio dos profetas”. Ultimamente, falou-nos por meio de Seu Filho. (Hb 1, 2).

Falando-nos já na Criação, que é senão um ato de puro de seu amor de Deus pelos homens, falou-nos também na Encarnação, quando “sendo de condição Divina, não se apegou ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a condição de escravo e tornando-se em tudo semelhante aos homens, exceto no pecado (cf, Fl2, 7). E hoje, liturgicamente, entramos na grandeza desse mistério que ultrapassa a Criação, e que ultrapassa a Encarnação, que é a Cruz juntamente com a Sexta-Feira Santa. Essa festa a qual a Santa Igreja celebra hoje com alegria e esperança é o mistério esplendoroso da Cruz. É com razão que a Igreja a exalta e se exulta nela, pois o amor de Deus, seu esposo está nela.

“Cruz fiel, tu és a mais nobre de todas as árvores; nenhuma outra pode comparar-se a ti em folhas, em flor, em fruto” (assim canta a Igreja no Hino Crux Fidelis — Sexta-Feira Santa).

Segundo o Papa Francisco, em uma de suas homilias, nesse mistério está contida a história do homem, uma história que tem como princípio uma árvore, a do paraíso — e outra árvore, a do Calvário.

Aquela árvore (do paraíso) tinha-nos feito muito mal, *  e esta outra árvore (a do calvário) é que nos trouxe a Salvação, a saúde da alma. A segunda árvore perdoa aquele mal.

Este é o caminho do nosso drama humano: um caminho para encontrar Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Redentor, e que deu sua vida por amor.

“Deus não enviou o Seu Filho para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele (Jo 3,17), Evangelho de hoje”. Esta árvore (do calvário) nos salva, todos nós, das consequências trágicas e dolorosas daquela outra árvore, onde teve início a autossuficiência, o orgulho, a soberba de querer ser igual a Deus.

Uma verdade que precisa ficar bem clara em nós é que “Deus, sendo Pai, doou o seu Filho; e o Filho, por obediência ao Pai, abandonou-se totalmente, doando a sua vida na Cruz. Jesus fez este caminho unicamente por amor! Não existe outra explicação: somente o amor faz essas coisas”. A leitura do Livro “As práticas de amor a Jesus Cristo”, escrito por Santo Afonso, nos leva a refletir esse momento:

— “Pra onde está indo, Jesus?”

— “Estou indo para a Cruz, para assim morrer de amor pelos homens”.

— “Mas isso é loucura!”

— “Sim, estou louco de amor!”

Hoje, ao olhar para a Cruz, primeiramente devemos nos alegrar, porque é o lugar onde podemos provar o mel de Aloé, o mel amargo, a doçura amarga do sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas este mistério é tão grande que por si só não podemos entender bem, e realmente ninguém conseguirá entender. Sim, eu disse entender com a nossa razão humana, pois ela é muito limitada; embora a fé também seja racional, e portanto não podemos separá-la da razão, a experiência da Cruz e o seu possível entendimento somente serão alcançados se houver o abandono total de nossas vidas à vontade de Deus. Esse abandono é frutífero, pois nos levará a vivência do profundo mistério da Salvação, que nos é oferecida por Nosso Senhor Jesus Cristo no patíbulo da Cruz.

Antes de tudo, tendo a fé como porta para experimentar a graça que a Cruz nos proporciona, é preciso que compreendamos que somente de joelhos, em oração e com lágrimas que este mistério será para nós revelado. De acordo com Santo Agostinho, as lágrimas nessa ocasião “são o sangue da alma”, que nos aproxima e faz com que entremos este mistério que ultrapassa o céu e a terra e que está enraizado na nossa alma de batizados. Quero enfatizar que toda essa experiência é uma graça alcançada pela fé, e essa confirmação pode ser encontrada na vida dos santos. *Para saber mais clique aqui.

Irmãos, que fique claro que a Cruz de cada dia é e será sempre uma grande oportunidade de purificação, de conversão, de desprendimento, de aumento de glória. São Paulo nos ensina com frequência que as tribulações são sempre breves e suportáveis, e que o prêmio desses sofrimentos acolhidos por amor a Cristo é imenso e eterno. Por isso, o Apóstolo alegrava-se nas tribulações, gloriava-se nelas e considerava-se feliz de poder uni-las às de Cristo Jesus e assim completar a Sua paixão para o bem da Igreja e das almas.

“É verdadeiramente suave e amável a Cruz de Jesus. Não contam aí as penas: só a alegria de nós sabermos sermos corredentores com Ele” (Josemaría Escrivá, Via Sacra, Quadrante, São Paulo, 1981, II;)

“Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!” Salmo 78.

Laus Deo, in Aeternum

Walter Silva 

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