Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina - Batismo do Senhor

10/01/2015 18:37

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A alegria da celebração do Santo Natal encontra hoje o seu cumprimento na festa do Batismo do Senhor. (Papa Bento XVI)

Os Padres da Igreja costumavam referir a essa festa como sendo a terceira manifestação da divindade de Jesus - o sendo o Natal o primeiro, e a Epifania sendo a segunda: essa terá lugar em Caná da Galiléia, onde, com o seu primeiro milagre, Jesus manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram n’Ele. (Jo 2, 11)

“Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. (Mc 1, 8)

Hoje ao ouvirmos no Evangelho de São Marcos a narração do Batismo de Jesus, o caminho que nos é indicado é o da humildade, que o Filho de Deus escolheu livremente para aderir ao desígnio do Pai, para ser obediente à sua vontade de amor ao homem em tudo, até ao sacrifício na Cruz. Já adulto Jesus dá início ao seu ministério público, indo ao rio Jordão para receber de João um baptismo de penitência e de conversão. Acontece aquilo que aos nossos olhos parece paradoxal.

Tem Jesus necessidade de penitência e de conversão? Com certeza que não! E, no entanto, precisamente Aquele que é sem pecado põe-se entre os pecadores para se fazer batizar, para cumprir este gesto de penitência; o Santo de Deus une-se a quantos se reconhecem necessitados de perdão e pedem a Deus o dom da conversão, isto é, a graça de voltar para Ele com todo o coração, para ser totalmente seus. Jesus quer pôr-se da parte dos pecadores, tornando-se solidários para com eles, manifestando a proximidade de Deus. Jesus mostra-se solidário conosco, com a nossa dificuldade de nos convertermos, de abandonarmos os nossos egoísmos, de nos separarmos dos nossos pecados, para nos dizer que se O aceitarmos na nossa vida. Ele é capaz de nos elevar e de nos conduzir à altura de Deus Pai. Esse amor de Jesus pelo seu Pai não é, por assim dizer, um simples exercício da mente e da vontade. Jesus imergiu-se realmente na nossa condição humana, viveu-a até ao fundo, exceto no pecado, e é capaz de compreender a sua debilidade e fragilidade. Por isso, Ele compadece-se, escolhe “padecer com” os homens, fazer-se penitente juntamente conosco.

A vontade de curar quem está ferido e medicar quantos estão doentes, de assumir sobre si mesmo os pecados do mundo, foi o desejo latente da alma e do coração de Nosso Senhor.

Cristo não precisava ser batizado, pois fora Ele quem, inspirando São João, instituiu este rito, mas "o batismo tinha necessidade do poder de Jesus". Desde toda a eternidade o Verbo conheceu com perfeição, em sua própria essência divina, cada um de nós, com nossos pecados, misérias e insuficiências. Sendo Deus, Ele podia limpar a Terra por um simples ato de sua vontade; contudo, preferiu Ele mesmo, o Inocente, livre de qualquer nódoa, assumir uma carne "semelhante à do pecado" (Rm 8, 3). Quis ser batizado, então, não "para ser purificado, mas para purificar", submergindo consigo, na água batismal, todo o velho Adão. Devemos considerar que se existisse uma humanidade infinita, com infinitos pecados, Ele os teria carregado sobre Si, lavando-os naquele momento nas águas do Jordão.

A divina atitude do Jesus deveria nos inspirar profunda confiança, pois, embora sejamos réus de culpa, "o dom de Deus e o benefício da graça obtida por um só homem, Jesus Cristo, foram concedidos copiosamente a todos" (Rm 5, 15). De fato, sendo Ele a Cabeça do Corpo Místico, d'Ele partem e são distribuídas as graças para todos os membros. Por fim, com seu Batismo, quis abrir-nos um caminho e estimular-nos a compreender a importância deste Sacramento.

E como nos falta a compreensão clara e profunda desse mistério.

O Batismo, de fato, opera um novo nascimento, convidando-nos a viver com Cristo, por Cristo e em Cristo. S. Paulo, em sua Carta aos Colossenses, a esse respeito, diz o seguinte: "Sepultados com Ele no Batismo, com Ele também ressuscitastes por vossa fé no Poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos" (Cf. 2, 12).

O Batismo não é um mero rito de introdução na sociedade ou na Igreja, não se trata de mero evento social de apresentação da criança. O Batismo é um Sacramento instituído por Cristo, para que a pessoa receba a sua graça, para que tenha o pecado original apagado. Pelo Batismo, se imprime na alma uma marca que nunca mais poderá ser apagada, o caráter batismal, que nos incorpora a Cristo e que nos torna aptos a receber os outros sacramentos e aptos a participar da liturgia, em particular da Santa Missa. Eis a importância capital do batismo.

Negar o Batismo a alguém é falta grave contra a Fé.

A necessidade do batismo é tanta que Nosso Senhor Jesus Cristo quis que a matéria do batismo fosse à água, que é muito fácil de ser encontrada em praticamente qualquer lugar, diferentemente do pão e do vinho – necessários para a eucaristia – ou do óleo – necessário para a crisma e extrema-unção. O Batismo é tão necessário que, em caso de urgência, qualquer um pode batizar. É preciso que todo católico saiba como se faz o batismo, a fim de realizá-lo em caso de urgência: basta derramar água na testa da pessoa dizendo “Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” Se a cabeça não estiver acessível, por uma razão ou outra, a água pode ser derramada em outro membro do corpo, dizendo as palavras acima mencionadas.

O mistério do Batismo, porém, a bem da verdade não pode ser explicado sequer por um grande doutor da Igreja. O que faz Jesus é algo de extremamente admirável, ao qual só podemos contemplar e por Ele dar glórias a Deus Pai, por tamanha graça benfazeja! De meros escravos do demônio, tornamo-nos filhos de Deus, herdeiros de um tesouro nos Céus, templos vivos do Espírito Santo!

Tradicionalmente, a Igreja nos recorda que também nesta data litúrgica podemos renovar nossas promessas batismais, reacendendo em nossas consciências a preciosíssima dignidade de "filhos de Deus" que recebemos. Santo Agostinho diz que “naqueles dias, que antecipava a data dessa festa não se cansava de considerar com inefável doçura interior os profundos desígnios de Deus para salvar o gênero humano”. E é espiritualmente edificante refletir sobre o Batismo, que nos dá uma dignidade maior do que qualquer outra: uma criança recém-batizada é como um Sacrário vivo. Exatamente por isso Leônidas, pai de Orígenes, ajoelhou-se perante o próprio filho logo após ser batizado. Estamos falando de uma realidade realmente grande, tremendamente admirável! Nem mesmo o Papado deu ao Cardeal Jorge Mario Bergóglio, hoje Papa Francisco, a graça que ele recebeu no dia de seu Batismo.

Rendamos a Deus a gratidão e alegremo-nos por tantos bens que nos foram comunicados neste Sacramento, renovemos hoje a nossa fidelidade a Cristo e à Igreja, uma fidelidade que, em muitas ocasiões, se traduzirá na fidelidade à nossa vida de oração.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

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