Lectio Divina - 6° Domingo da Páscoa de 2015

09/05/2015 23:54

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei.”(Jo 15, 12)

Hoje celebramos o VI Domingo da Páscoa! A Igreja celebra nos próximos dias duas grandes festas: Ascensão e Pentecostes; convida-nos a ter os olhos postos no Céu, a Pátria definitiva a que o Senhor nos chama.

No Evangelho (Jo 15,9-17), S. João nos fala do mandamento do amor. João é a “testemunha ocular” por excelência de Jesus; esteve com ele desde a primeira hora (cf. Jo 1,35); junto com Pedro e Tiago, seu irmão; assistiu à Transfiguração e à agonia no Getsêmani (cf. Mc 14,33) e foi uma das primeiras testemunhas da Ressurreição (cf. Jo 20,2). Ele mesmo se apresenta no Evangelho como “aquele que viu” (cf. Jo 19,35). Porém, com mais frequência ainda João se apresenta como “o discípulo que Jesus amava” (cf. Jo 13,23; 19,26; 20,2). Seu principal testemunho não diz respeito às coisas feitas por Jesus, mas a seu amor.

No Evangelho citado acima e na segunda leitura (1Jo 4,7-10) encontramos descrita a estrutura do amor em três planos: Amor do Pai por seu Filho Jesus Cristo; o amor de Jesus Cristo pelos homens; e o amor dos homens entre si. Como o Pai me ama assim também eu vos amo. Amai-vos uns aos outros.

Insistindo sobre o mandamento novo João nos faz Jesus repetir (Evangelho): amai-vos uns aos outros; e ele mesmo (João) nos diz (1Jo 4,7-10): amemo-nos uns aos outros. Se não se dá este último passo de nós aos irmãos a longa cadeia de amor que desce de Deus Pai fica como que suspensa no vazio; o amor chega perto, mas não toca; nós ficamos fora de seu fluxo, fora, portanto, da vida e da luz, porque quem não ama permanece na morte (1Jo 3,14).

São Paulo teceu o mais alto elogio ao Ágape (amor): “O amor é paciente; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encolerisa, não leva em conta o mal sofrido; não se alegra com a injustiça… Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo” (1Cor 13,4-7).

Resumindo numa frase: para ser amados precisamos amar. Para receber amor do Pai e de Jesus Cristo precisamos doar amor aos irmãos. Na realidade, o verdadeiro paradoxo cristão consiste em acrescentar esta outra verdade: para amar precisamos ser amados. João, o discípulo que Jesus amava, compreendeu por experiência que só quem é amado é capaz de amar e escreveu, por isso, em sua carta: Amamos, porque Deus nos amou por primeiro (1Jo 4,19).

O próprio Jesus parece atribuir ao amor fraterno o papel de ser sinal eficaz do amor do Pai: Para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim (Jo 17,23).

Deus nos dá o dom do amor e nos faz responsáveis uns pelos outros; deseja que os amados por Deus procurem levar outros a ter a mesma experiência do único modo possível, isto é, amando-os e amando-os concretamente: “…não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade” (1Jo 3,18).

Para amarmos de verdade o nosso próximo, intensifiquemos a nossa vida de oração.

A Palavra de Deus hoje escutada já nos aponta para Pentecostes, daqui a quinze dias… Prestai atenção como o fruto da morte e ressurreição de Jesus é o Dom do seu Espírito, que permanece conosco e torna Jesus presente a nós, vivo e vivificante! Estejamos atentos: todos temos o mesmo Espírito de amor e no amor que é esse Espírito devemos viver e dar frutos que permaneçam. A Igreja não é uma comunidade de amiguinhos simpáticos entre si; não é a reunião de pessoas interessantes e bem relacionadas! Nada disso! Somos a Comunidade reunida em nome de Cristo morto e ressuscitado, nascidos no Batismo no seu Espírito Santo, Espírito que nos faz amar a Jesus e, por Jesus, amarmo-nos uns aos outros. Assim sendo, sejamos dóceis ao Espírito, permaneçamos em Cristo e arrisquemos viver de amor. Que no-lo conceda Aquele que, à direita do Pai, deu-nos o Espírito e intercede por nós.

“Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus”.(1 Jo 4,7)

Laus Deo in Aeternum

Walter Silva

 

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