Lectio Divina - 5º Domingo do Tempo Comum

07/02/2015 18:32

 

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

“É preciso que sejas “homem de Deus”, homem de vida interior, homem de oração e de sacrifício”. O teu apostolado deve ser uma superabundância da tua vida “para dentro”. São José Maria Escrivá

Inspirado por esse grande ensinamento damos início à nossa meditação do Evangelho deste Domingo.

Segundo o Evangelho deste Domingo vemos Jesus rodeado de uma multidão marcada pelo sofrimento: “Curou muitos enfermos atormentados por diversos males e expulsou muitos demônios” (Mc 1, 34). Mas se, por um lado, Ele se dedica a curar, por outro se retira para um lugar deserto. E ali orava durante a noite. A ação apostólica e a vida de oração se completam. Pedro e seus companheiros o procuram. Quando O encontraram, dizem-lhe: “Todos Te procuram”.

 A verdadeira luz deve ser procurada em Deus, sobretudo através da oração.

Quando os apóstolos disseram: “Todos andam à Tua Procura”; o Senhor respondeu-lhes: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza”! “Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim” (Mc 1, 38).

A missão de Jesus é anunciar a Evangelho até o último canto da terra, através dos Apóstolos e dos cristãos de todos os tempos. Esta é também a missão da Igreja, que assim cumpre fielmente o que o Senhor lhe ordenou: “Ide e pregai a todos os povos…, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei” (Mt 28, 19-20).

São Paulo, citando o Profeta Isaías, exclama com entusiasmo: “Como são formosos os pés dos que anunciam a Boa Nova!” (Rm 10, 15). Continua S. Paulo: “Porque, pregar o Evangelho não é para mim motivo de glória, mas uma necessidade. Ai de mim se eu não pregar o Evangelho” (1 Cor 9, 16).

Com essas mesmas palavras de S. Paulo, a Igreja tem recordado com frequência aos fiéis o chamado que o Senhor lhes dirige para levarem a doutrina de Cristo a todos os cantos da terra, aproveitando toda e qualquer situação.

São João Crisóstomo vai ao encontro das possíveis desculpas perante esta gratíssima obrigação: “Não há nada mais frio do que um cristão que não se preocupa com salvação dos outros. Não digas: não posso ajudá-los, porque, se és cristão de verdade, é impossível que não possas fazer. Não há maneira de negar as propriedades das coisas naturais; o mesmo acontece com isto que agora afirmamos, pois está na natureza do cristão agir dessa forma. É mais fácil o sol deixar de iluminar ou de aquecer do que um cristão deixar de dar luz; mais fácil do que isso seria que a luz fosse trevas. Não digas que é impossível; impossível é o contrário. Se orientarmos bem a nossa conduta, o resto sairá como consequência natural. Não se pode ocultar a luz dos cristãos, não se pode ocultar uma lâmpada que brilha tanto”.

Perguntemo-nos se no nosso ambiente, no lugar onde vivemos e onde trabalhamos, somos verdadeiros transmissores da fé, se levamos os nossos amigos a uma maior frequência dos Sacramentos. Examinemos se encaramos a ação apostólica como algo urgente, como exigência da nossa vocação, se sentimos a mesma responsabilidade daqueles primeiros, pois a necessidade hoje não é menor… “Ai de mim se não evangelizar!

O mundo precisa de santos! A santidade não é um privilégio de poucos; é um dom oferecido a todos: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1 Ts 4,3).

Na pregação não se pode querer agradar a todos reduzindo, de acordo com as conveniências humanas, as exigências do Evangelho: Falamos não como quem procura agradar aos homens, mas somente a Deus” (1Ts 2, 4).

Não é bom caminho pretender tornar fácil o Evangelho, silenciando-o ou rebaixando os mistérios que devem ser cridos e as normas de conduta que devem ser vividas. Ninguém pregou nem pregará o Evangelho com maior credibilidade, atrativo e fascinação que Jesus Cristo, e houve quem não o seguisse fielmente. “Não podemos esquecer-nos de que pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios, mas poder de Deus para os escolhidos quer judeus, querem gregos” (1 Cor 1, 23-24).

Todos andam à Tua procura… O mundo tem fome e sede de Deus. “Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-Lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-Lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria”.

A caridade de Cristo urge-nos! Este foi o motor da incansável atividade apostólica de São Paulo e este há de ser também o aguilhão que nos motive. O amor a Deus há de levar-nos a sentir a urgência da tarefa apostólica e a não desperdiçar nenhuma oportunidade de exercê-la; mais ainda, em muitas ocasiões, há de levar-nos a provocar essas oportunidades, que de outra forma nunca nos chegariam.

Por isso, além da caridade, devemos cultivar a esperança; os nossos amigos e conhecidos, mesmo os mais afastados de Deus, também têm necessidade e desejos d’Ele, ainda que muitas vezes não o manifestem. E, sobretudo, o Senhor procura-os incessantemente.

“Por causa do evangelho eu faço tudo, para ter parte nele” (1Cor 9, 23)

Peçamos à Santíssima Virgem o ímpeto apostólico que caracterizou a vida dos Apóstolos e dos primeiros cristãos.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

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