Lectio Divina - 5° Domingo da Páscoa de 2015

02/05/2015 09:55

Em nome , do Filho e do Espírito Santo. Amém.

“Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permaneceu em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. (Jo 15, 5)

Jesus se apresenta como a “videira verdadeira”, capaz de produzir frutos que Israel não produziu.

Jesus é o tronco e nós somos os ramos! O ramo que não der frutos é cortado e lançado ao fogo. O ramo que dá frutos é podado para que dê mais frutos. Jesus convida os apóstolos a permanecerem n’Ele:  “permanecei em Mim, como Eu em vós”. Como o tronco da videira transmite a vida aos ramos e os ramos são vivificados quando permanecem ligados ao tronco, assim se dá com Cristo e os cristãos. Os ramos assim ligados ao tronco é que produzem fruto. Para produzir frutos, os ramos precisam de seiva da videira e da poda.

Precisamos  da seiva da videira, que é Cristo, pois “sem Ele não podemos fazer nada”. O texto fala oito vezes em “permanecer em Cristo” e sete vezes em “dar frutos”. Se não permanecermos unidos a Cristo, recebendo essa seiva, nos tornaremos ramos secos e estéreis, que serão cortados e lançados ao fogo.

Os nossos trabalhos não serão eficazes se não houver a seiva dessa videira e isso se dá tendo contato com pessoal com Jesus, através da oração e dos sacramentos.

Só unidos ao tronco podem viver e frutificar os ramos; do mesmo modo, só permanecendo unido a Cristo pode o cristão viver na graça e no amor e produzir frutos de santidade. Isto manifesta a impossibilidade do homem em tudo o que se relaciona com a vida sobrenatural e a necessidade da sua total dependência de Cristo; mas manifesta também a vontade positiva de Cristo de fazer com que o homem viva a Sua própria vida.

Quem não está unido a Cristo por meio da graça terá, o mesmo destino que as varas secas: o fogo. Diz Santo Agostinho:”os ramos da videira são do mais desprezível se não estão unidos ao tronco; e do mais nobre se o estão(…) Se se cortam não servem de nada nem para o vinhateiro nem para o carpinteiro. Para os ramos há duas opções: ou a videira ou o fogo:para não irem para o fogo, que estejam unidos à videira”.

Estejamos atentos! O Senhor nos faz um apelo: “produzir frutos…”.

Porém impõe uma condição: “permanecer unido a Ele”. Para isso precisa: gastar tempo com Ele! Nenhum trabalho, mesmo pastoral, justifica o abandono do encontro pessoal com Cristo, na Oração. Jesus nos adverte:”sem mim nada podeis fazer”.

Devemos antes falar com Deus… para depois falar de Deus…

Alimentar a nossa espiritualidade com esta “seiva divina”, que é a graça de Deus, na escuta da Palavra, na pratica sacramental… Dizia o Beato Papa João Paulo II: “A oração é para mim a primeira tarefa, como o primeiro anúncio; é a primeira condição de meu serviço à igreja e ao mundo”.

São Francisco de Assis ensinava que “do homem que não reza não se pode esperar nenhum bom fruto”.

“A senda que conduz à santidade é a senda da oração; e a oração deve vingar, pouco a pouco, como a pequena semente que se converterá mais tarde em árvore frondosa”.         (São Josemaría Escrivá).

O Senhor nos adverte:”se não permanecerdes em mim, não podeis dar frutos”. Tornar-se-à “um galho seco” que será cortado e jogado ao fogo… Isso acontece com aqueles que se separam de Cristo. “A vida de união com Cristo transcende necessariamente o âmbito individual do cristão para se projetar em benefícios dos outros: daí brota a fecundidade apostólica, já que o apostolado, seja ele de que tipo for, consiste numa superabundância da vida interior” (Amigos de Deus,239).

Intensifiquemos a nossa vida de oração, pois sem uma profunda relação de amor com Jesus seremos um sal que não dá sabor, uma comunidade cristã estéril, sem alegria e sem vida.

“Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós”(Jo 15,4).

Laus Deo In Saecule

Walter Silva

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