Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina 4º Domingo do Tempo do Advento

20/12/2014 19:06

Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Hoje a alguns dias do Natal do Natal do Senhor, o nosso coração se enche de alegria, e também de esperança. Uma esperança que parece sair pela boca de tanta ansiedade. Neste ato tão grandioso do amor de Deus, que é o nascimento de seu Filho, recebemos a certeza de que somos amados com amor eterno, e essa certeza faz com que o nosso coração seja permeado de uma alegria indisível.

Na liturgua deste Domingo nos são apresentadas duas características em Nossa Senhora e que aproveitaremos para meditar. Uma delas é a esperança, e a outra é a generosidade. Duas virtudes que para quem se aproxima de Nossa Senhora sempre procurando imitá-la principalmente quando se refere ao Seu Filho se transformam em torrentes mananciais de santidade.

Chama bem-aventurados os que diligentemente imitam sua vida.“Agora, pois, filhos, ouvi-me: Bem-aventurados os que guardam os meus caminhos” (Pr 8, 32).

A Virgem da esperança:

O anjo entrou onde ela estava e disse: "Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!" (Lc 1,28)

 

A nossa vida é toda ela um “advento”. Para alguns um pouco mais longo é verdade, mas esperamos o momento definitivo em que nos encontraremos finalmente com o Senhor para sempre. E, neste sentido, nós cristãos precisamos aprender a viver este outro “advento” bem junto da Virgem durante todos os dias de nossa vida, se quisermos acertar com segurança na única coisa verdadeiramente importante da nossa existência: encontrar Cristo já agora e depois na eternidade.

Nossa Senhora fomenta na alma a alegria, porque, quando procuramos a sua intimidade, leva-nos a Cristo. Ela é a “Mestra da esperança”. Maria proclama que a chamarão bem-aventurada todas as gerações (Lc 1, 48).

Faltam poucos dias para que vejamos no presépio Aquele que os profetas predisseram, que a Virgem esperou com amor de mãe, que João anunciou estar próximo e depois mostrou presente entre os homens. É Ele quem nos dá a alegria de nos prepararmos desde agora para o mistério do seu natal, a fim de nos encontrarmos em oração e celebrando os seus louvores quando chegar (Prefácio II do Advento).

Desde o presépio de Belém até o momento da sua Ascensão aos céus, Jesus Cristo proclama uma mensagem de esperança. Ele próprio é a nossa única esperança. Ele é a garantia plena de que alcançaremos os bens prometidos. Olhamos para a gruta de Belém, “em vigilante espera”, e compreendemos que somente com Ele poderemos aproximar-nos confiadamente de Deus Pai (1 Tim 3, 12).

O próprio Senhor nos indica que o principal objeto da esperança cristã não são os bens desta vida, esses que a ferrugem e a traça corroem e os ladrões desenterram e roubam (Mt 6, 19), mas os tesouros da herança incorruptível, e em primeiro lugar a felicidade suprema da posse eterna de Deus.

Esperamos com toda a confiança que um dia Deus nos concederá a bem-aventurança eterna e, já agora, o perdão dos nossos pecados e a sua graça. E, como conseqüência, a nossa esperança estende-se a todos os meios necessários para alcançarmos esse fim. Lutemos, pois, nestes dias e sempre, com todas as nossas forças, contra essas formas menores de desespero que são o desânimo e a preocupação quase exclusiva pelos bens materiais.

A esperança leva-nos a abandonar-nos em Deus e a empenhar-nos seriamente numa luta ascética que nos incitará a recomeçar muitas vezes, a sermos constantes na ação apostólica e pacientes na adversidade, a ter um sentido mais sobrenatural da vida e dos seus acontecimentos. “Na medida em que o mundo se cansar da sua esperança cristã, a alternativa que lhe há de restar será o materialismo, do tipo que já conhecemos; isso e nada mais; a sua experiência do cristianismo terá sido como a experiência de um grande amor que se perdeu, o amor de toda uma vida... Por isso, nenhuma nova palavra  terá atrativo para nós se não nos devolver à gruta de Belém, para que ali possamos humilhar o nosso orgulho, aumentar a nossa caridade e dilatar o nosso sentimento de reverência com a visão de uma pureza deslumbrante”.

A virgem generosa:

Maria, então, disse: "“Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!"” (Lc1, 38)

Outra característica muito bela de Nossa Senhora apresentada no Evangelho de hoje é a generosidade, ou seja, ela se dá inteiramente àquilo que Deus lhe pede. Num instante os seus planos pessoais – que certamente não lhe faltariam – ficam num canto, a fim de executar o que Deus lhe propõe. Não arranjou desculpas. Desde o primeiro momento, Jesus é o ideal único e grandioso para o qual vive.

A generosidade é a virtude das almas grandes, que sabem retribuir dando: Dai de graça o que de graça recebestes (Mt 10, 8). Um homem generoso sabe dar carinho, compreensão, ajudas materiais..., e não exige em troca que lhe queiram bem, que o compreendam e ajudem. Dá e esquece que deu. Essa é toda a sua riqueza. Um homem assim compreendeu que é melhor dar do que receber (At 20, 35). Descobriu que amar “é essencialmente entregar-se aos outros. Longe de ser uma inclinação instintiva, o amor é uma decisão consciente da vontade de ir em direção aos outros. Para podermos amar de verdade, convém desprender-nos de todas as coisas e, sobretudo, de nós mesmos, e dar gratuitamente... Este desfazer-nos de nós mesmos é fonte de equilíbrio. É o segredo da felicidade” dizia São João Paulo II.

Se percebermos que, apesar da nossa luta, ainda estamos dominados pelo egoísmo, olhemos hoje para Nossa Senhora a fim de imitá-la na sua generosidade e assim podermos sentir a alegria de nos darmos e de dar. Temos de entender melhor que a generosidade enriquece e dilata o coração; o egoísmo, pelo contrário, é como um veneno que nos destrói com toda a certeza, ainda que às vezes lentamente.

Dentro de poucos dias veremos Jesus reclinado numa manjedoura, o que é uma prova da misericórdia e do amor de Deus. Poderemos dizer: “Nesta noite de Natal, tudo pára dentro de mim. Estou diante d’Ele; não há nada mais do que Ele, na branca imensidão. Não diz nada, mas está aí... Ele é Deus amando-me”. E se Deus se faz homem e me ama, como não procurá-lo? Como perder a esperança de encontrá-lo, se é Ele que me procura? Afastemos todo o possível desalento; as dificuldades exteriores e a nossa miséria pessoal não podem nada diante da alegria do Natal que se aproxima.

Maria é verdadeiramente “o porto dos que naufragam, consolo do mundo, resgate dos cativos, alegria dos enfermos” (Santo Afonso Maria de Ligório).

Nestes dias que precedem o Natal e sempre, peçamos-lhe a graça de saber permanecer, cheios de fé, à espera do seu Filho Jesus Cristo, o Messias anunciado pelos Profetas. “Ela precede com a sua luz o Povo de Deus peregrinante, como sinal de esperança certa e de consolo, até que chegue o dia do Senhor (cfr. 2 Pe 3, 10).

Que possamos como o salmista repetir insistentemente “Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor!”

Laus Deo in Aeternum

Walter Silva

 

—————

Voltar



Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Design profissional
  • Criação super fácil

Este site foi criado com Webnode. Crie o seu de graça agora!