Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina - 4º Domingo do Tempo da Quaresma 2015

14/03/2015 09:46

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

“Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho Unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3, 16)

Se perguntássemos, qual o objetivo de Deus ao nos dar esse Seu Infinito Bem que é o seu Filho?

De fato, esse amor de Deus por nós não poderia ser maior. Se Ele nos tivesse dado todos os Anjos somados ao universo inteiro, nada seria em comparação com o que na realidade nos entregou. O Pai bem sabia que, ao nos dar seu Filho Unigênito, oferecia-nos o Céu e a própria participação em sua vida divina. Maior manifestação de bondade é impossível! Atesta-o maravilhosamente São Paulo no primeiro capítulo de sua Epístola aos Hebreus.

Essa insuperável benevolência não é feito aos Anjos, mas a nós homes, aos filhos de pais prevaricadores (Adão e Eva), e a eles mesmos também manchados de incontáveis culpas. Aos espíritos rebeldes, precipitou-os nas profundezas dos infernos depois do primeiro e único pecado. Que fator levou o Pai a usar de tanta misericórdia para conosco? Em lugar de merecidos castigos, deu-nos seu Filho Unigênito, sacrificando-O — para nos salvar — na ignominiosa morte de cruz.

Ademais, o Pai não nos deu em parte, mas, muito pelo contrário, por inteiro e sem reserva. As graças de Jesus, seus méritos, seu corpo, sangue, alma e divindade, todo Ele inteiro é nosso. Ele é nosso Rei, nossa Cabeça, nosso modelo, nosso mestre, nossa causa.

Por isso hoje a Igreja neste Domingo que é conhecido como Domingo Laetare, nos convida a extravasarmos em santa alegria, porque de fato, um Filho nos foi dado, nosso Senhor e Deus tomou sobre Si as nossas dores, o peso de nossos crimes Ele carregou em Seu corpo ,segundo o que nos atesta o profeta Isaías (Isaías 53, 4-5).

Não seria isso um motivo grandiosos de alegria para o nosso coração?

“Alegrai-vos sempre no Senhor; digo-vos mais uma vez: alegrai-vos (Fil 4, 4)”. Devemos alegrar-nos com uma alegria que há de ser sinônimo de júbilo interior, de felicidade, e que logicamente se manifestará também exteriormente.

A Igreja quer recordar-nos assim que a alegria é perfeitamente compatível com a mortificação e a dor. O que se opõe à alegria é a tristeza, não a penitência. Vivendo com profundidade este tempo litúrgico que conduz à Paixão – e portanto à dor –, compreendemos que aproximar-se da Cruz significa também aproximar-se do momento da Redenção, e por isso a Igreja e cada um dos seus filhos se enchem de alegria: “Laetare: Rogozija-te, Jerusalém, e alegrai-vos com ela, vós que a amais”.

A mortificação que procuramos viver nestes dias não deve ofuscar a nossa alegria interior, mas, pelo contrário, deve fazê-la crescer, porque está prestes a realizar-se essa magnanimidade de amor pelos homens que é a Paixão, e é iminente o júbilo da Páscoa. Por isso queremos estar muito unidos ao Senhor, para que também na nossa vida se repita o mesmo processo da sua: chegarmos, pela sua Paixão e Cruz, à glória e à alegria da sua Ressurreição.

“Como se sabe – diz Paulo VI –, existem diversos graus de “felicidade”. A sua expressão mais elevada é a alegria ou “felicidade” no sentido estrito da palavra, quando o homem, no nível das suas faculdades superiores (inteligência e vontade), encontra a sua satisfação na posse de um bem conhecido e amado. Com muito mais razão chega ele a conhecer a alegria e a felicidade espiritual quando o seu espírito entra na posse de Deus, conhecido e amado como bem supremo e imutável” (Paulo VI, Exort. Apost. Gaudete in Domino, 1975). E o Papa continua: “A sociedade técnica conseguiu multiplicar as ocasiões de prazer, mas é-lhe muito difícil engendrar a alegria, pois a alegria provém de outra fonte: é espiritual. Muitas vezes, não faltam, com efeito, o dinheiro, o conforto, a higiene e a segurança material; apesar disso, o tédio, o mau humor e a tristeza continuam infelizmente a ser a sorte de muitos” (Paulo VI, Exort. Apost. Gaudete in Domino, 1975)

O cristão entende perfeitamente e sabe que a alegria surge de um coração que se sente amado por Deus e que, por sua vez, ama com loucura o Senhor; de um coração que, além disso, se esforça por traduzir esse amor em obras, porque sabe – com o ditado castelhano – que “obras é que são amores, não as boas razões”.

Os sofrimentos e as tribulações acompanham todos os homens na terra, mas o sofrimento, por si só, não transforma nem purifica; pode até causar revolta e ódio. Alguns cristãos abandonam a Deus quando chegam até a Cruz, porque esperavam uma felicidade puramente humana, que estivesse isenta de dor e acompanhada de bens naturais.

Essas tribulações que, à luz exclusiva da razão, nos parecem injustas e sem sentido, são necessárias para a nossa santidade pessoal e para a salvação de muitas almas. No mistério da co-redenção, a nossa dor, unida aos sofrimentos de Cristo, adquire um valor incomparável para toda a Igreja e para toda a humanidade. O Senhor faz-nos ver que tudo – mesmo aquilo que não tem muita explicação humana – concorre para o bem daqueles que o amam (Rom 8, 28) . A dor, quando lhe damos o seu verdadeiro sentido, quando serve para amar mais, produz uma paz íntima e uma profunda alegria. Por isso, em muitas ocasiões, o Senhor abençoa-nos com a Cruz.

Assim temos que percorrer “o caminho da entrega: a Cruz às costas, com um sorriso nos lábios, com uma luz na alma” (Josemaría Escrivá, Via Sacra, IIª est., n. 3).

Regozija-te Jerusalém e alegrai-vos com ela, vós que a amais; regozijai-vos com a sua alegria..., rezamos na antífona de entrada da Missa.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

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