Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina - 4º Domingo do Tempo Comum

31/01/2015 16:41

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

“Não fecheis o coração, ouví, hoje, a voz de Deus!” (Salmo 94, 1)

Ainda nos encontramos no início da narrativa de São Marcos, nos primeiros passos do ministério público de Nosso Senhor.

Ao narrar a ida de Jesus à Sinagoga de cafarnaum, conta que Ele “começou a ensinar” e os seus ouvintes “se maravilhavam… porque ensinava como quem tem autoridade”. Até o espírito impuro, presente num homem, se dá conta da Sua presença e, enquanto grita, não deixa de reconhecer em Jesus “o Santo de Deus”. Cristo, porém, rejeita a confissão do demônio, intimando-o a calar-se a mesma para se referir a uma mordaça. Mas, por que Ele faz isso? Por que não aceita a profissão do diabo?

Porque, explica Santo Agostinho, nos demônios existe a ciência, mas sem a caridade (Cidade de Deus, 9, 20). E, no dizer do Apóstolo, "a ciência infla, mas a caridade edifica" (1 Cor 8, 1). De fato, Deus não quer de Suas criaturas uma mera profissão de conhecimento. Não basta conhecê-Lo, se não houver caridade; não basta dizer que se crê n'Ele, se não há amor. Os demônios sabiam quem era Jesus, mas não O amavam. A sua ciência era orgulhosa, assim como a de muitos homens desta "era científica": pensando conhecer as coisas, confundem-se em sua soberba e, sem amor, perdem a essência da Verdade.

Ao expulsar o demônio, libertando o possesso, todos ficam maravilhados e dizem: “Que é isto? Eis uma nova doutrina e feita com tal autoridade que até manda nos espíritos impuros, e eles obedecem-lhe”.

Desde a chegada de Cristo, o demônio bate em retirada, mas o seu poder é ainda muito grande e “a sua presença torna-se mais forte à medida que o homem e a sociedade se afastam de Deus” (São João Paulo II); devido ao pecado mortal, não poucos homens ficam sujeitos à escravidão do demônio, afastam-se do Reino de Deus para penetrarem no reino das trevas, do mal; convertem-se, em diferentes graus, em instrumento do mal no mundo e ficam submetidos à pior das escravidões.

A experiência da ofensa a Deus é uma realidade. E o cristão não demora a descobrir essa profunda marca do mal e a ver o mundo escravizado pelo pecado, ensina a Gaudium et Spes, 13.

São Paulo recorda-nos que fomos resgatados por um preço muito alto (1Cor 7, 23) e exorta-nos firmemente a não voltar à escravidão. Ensina São Josemaría Escrivá: “O primeiro requisito para desterrar esse mal é procurar comportar-se com a disposição clara, habitual e atual, de aversão ao pecado. Energicamente, com sinceridade, devemos sentir – no coração e na cabeça – horror ao pecado grave” (Amigos de Deus, 243).

O pecado mortal é a pior desgraça que nos pode acontecer. Quando um cristão se deixa conduzir pelo amor, tudo lhe serve para a glória de Deus e para o serviço dos seus irmãos, os homens, e as próprias realidades terrenas são santificadas: o lar, a profissão, o esporte, a política… “Pelo contrário, quando se deixa seduzir pelo demônio, o seu pecado introduz no mundo um princípio de desordem radical, que afasta do seu Criador e é a causa de todos os horrores que se aninham no seu íntimo. Nisto está à maldade do pecado: em que os homens tendo conhecido a Deus não o honraram como Deus nem lhe renderam graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato… Trocaram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador, que é bendito pelos séculos” (Rm 1, 21-25).

O pecado – um só pecado – exerce uma misteriosa influência, umas vezes oculta, outras visível e palpável, sobre a família, os amigos, a Igreja e a humanidade inteira. Se um ramo de videira é atacado por uma praga, toda a planta se ressente; se um ramo fica estéril, a videira já não produz o fruto que se esperava dela; além disso, outros ramos podem também secar e morrer.

Hoje precisamos renovar o propósito firme de repelir tudo àquilo que possa ser ocasião, mesmo remota, de ofender a Deus: espetáculos, leituras inconvenientes, ambientes em que destoa a presença de um homem ou uma mulher que segue o Senhor de perto… Amemos muito o Sacramento da Penitência (Confissão). Meditemos com freqüência a Paixão de Cristo para entender melhor a maldade do pecado.

Os santos recomendaram sempre a confissão freqüente, sincera e contrita, como meio eficaz de combater essas faltas e pecados, e caminho segura de progresso interior. Dizia S. Francisco de Sales: “Deves ter sempre verdadeira dor dos pecados que confessas, por leves que sejam, e fazer o firme propósito de emendar-te daí por diante. Há muitos que perdem grandes bens e muito proveito espiritual porque, ao confessarem os pecados veniais como que por costume e só por cumprir, sem pensarem em corrigir-se, permanecem toda a vida carregados deles”.

“Oxalá não endureçais os vossos corações quando ouvirdes a sua voz” (Sl 94, 7-8).

Peçamos a Mãe de Deus, refúgio dos pecadores que nos ajude a ter um coração cada vez mais limpo e forte, capaz de cortar o menor laço que nos aprisione, e de se abrir a Deus tal como Ele espera de cada cristão.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

 

 

 

—————

Voltar



Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Design profissional
  • Criação super fácil

Este site foi criado com Webnode. Crie o seu de graça agora!