Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina 33º Domingo do Tempo Comum

16/11/2014 01:39

O preguiçoso é um Sísifo de si mesmo, a preguiça que leva é sua pedra: a pedra dele mesmo nele próprio. 

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

No Evangelho (Mt 25,14-30) que a  liturgia deste domingo nos apresenta,  faz-nos perceber através de uma parábola,  o  quão é grande a nossa responsabilidade diante daquilo que é de Deus!  Ele que sabe bem da capacidade de cada um,entrega seus bens em nossas mãos.

São José Maria Escrivá nos recorda que “existe uma santificação e uma alegria em poder trabalhar e trabalhar bem, que a vida sem o trabalho desaba numa espécie de morte, ela se perde, torna-se um desperdício”. Por isso precisamos vencer em nós um pecado que ultimamente tem se apresentado diante de nós com muita força, a preguiça. Não somente uma preguiça física, aquela que me torna ocioso, sem vontade de trabalhar, de fazer o mínimo possível de esforço braçal. Falo da preguiça espiritual, que atrofia a alma, que nos faz perder tempo, guardando egoisticamente os talentos que Deus nos confiou.

O Senhor nos chama à grandeza de multiplicar o dom da vida que recebemos na generosidade e no amor. O mau servo cai neste “mau obscuro”, uma preguiça que atinge a alma sugando-lhe as energias. A preguiça como um câncer, se espalha na sua metástase: malícia, rancor, pusilanimidade, torpor (fuga dos bens espirituais) e vagabundagem da alma na direção das coisas erradas.

Vamos ao texto.

“Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!” (Mt 25, 23).

Deus confia a nós, a administração de todos os seus bens, e para que possamos ser bons administradores, Ele nos concede “talentos,” um indicativo de capacidade e de habilidade que Deus concede a cada um de nós, diferentemente, cabendo a quem recebe desenvolvê-lo!

Com esta parábola Jesus nos ensina que a vida na terra é um tempo para administrarmos a herança do que Ele mesmo nos confiou e assim ganharmos o Céu.

O significado da parábola é claro. Nós somos os servos; os talentos são as condições com que Deus dotou cada um de nós (a inteligência, a capacidade de amar, de fazer os outros felizes, os bens temporais…); o tempo que dura à ausência do patrão é a vida; o regresso inesperado, a morte; a prestação de contas, o juízo; entrar no gozo do Senhor, o Céu. Não somos donos, mas administradores de uns bens dos quais teremos de prestar contas.

Hoje podemos examinar na presença de Deus se estamos tendo a capacidade de administrar e não de ser donos absolutos, que podem dispor a nosso bel-prazer do uso que fazemos do nosso corpo e dos sentidos, da alma e das suas potências. Servem realmente para dar glória a Deus? Pensemos se fazemos o bem com os talentos recebidos: com os bens materiais, com a nossa capacidade de trabalho, com as amizades… o Senhor deseja ver os talentos bem administrado. O que Ele espera é proporcional àquilo que recebemos.

“Muito bem servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria” (Lc 25,21). Vale a pena sermos fiéis aqui, enquanto aguardamos a chegada do Senhor, aproveitando este curto espaço de tempo com sentido de responsabilidade. Que alegria quando nos apresentarmos diante d’Ele com as mãos cheias, dizendo: “Senhor, tu me entregaste cinco (dois) talentos. Aqui estão mais cinco (mais dois) que lucrei”.

Nesta parábola o Senhor ensina-nos especialmente a necessidade de corresponder à graça de maneira esforçada, exigente e constante durante toda a vida. Interessante notar que Jesus chama de servos fiéis aos que trabalharam para utilizar seus talentos, mas não chama de infiel ao servo que nada fez e sim de preguiçoso.  Essa é uma preguiça mais grave, mais que a física, é ontológica, é preguiça da própria vocação.

Os santos padres chamam a essa preguiça de 'acídia', que afeta até a raiz do ser. Quem faz assim, nega a vocação para o amor! Os que se esforçaram para usar os talentos o fizeram não por uma recompensa, mas por amor. O que nada fez, demonstrou uma paralisia da alma, uma indiferença.

O contrário do amor nem sempre é o ódio, mas às vezes é a indiferença.

A palavra acídia significa (em grego) uma pessoa que não cuida das coisas, não está nem aí com a vida.

Hoje vivemos diante de um novo tipo de preguiçoso: o vagabundo que vive agitado, mas se agita em nada fazer, muito ocupado em fazer coisas inúteis.

Precisamos corresponder à ação da graça hoje. São José Maria Escrivá nos ensina que “há uma única vida, feita de carne e espírito, e essa é que tem de ser – na alma e no corpo – santa e cheia de Deus, deste Deus invisível, que nós encontramos nas coisas mais visíveis e materiais. Não há outro caminho, meus filhos: ou sabemos encontrar o Senhor na nossa vida corrente, ou nunca O encontraremos” (Temas Atuais do Cristianismo, n° 114).

Mas o que tinha recebido um talento foi, cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Quando este lhe pediu contas, tentou desculpar-se… O preguiçoso é pusilânime, uma alma mesquinha que fica reclamando da vida... 'ah, eu só recebi um talento e o outro recebeu cinco... '. Como disse o poeta: 'tudo vale a pena quando a alma não é pequena'.

 “Servo preguiçoso”, diz o Senhor. A preguiça fruto da falta de amor leva a um desamor muito maior. Nesta parábola, o Senhor condena os que desenvolvem os dons que Ele lhes deu e os que os empregaram a serviço do seu comodismo pessoal, ao invés de servirem a Deus e aos seus irmãos, os homens, num serviço de amor. A nossa vida é breve! Por isso temos que aproveitá-la até o último instante para crescer no amor e no serviço a Deus. Alerta-nos a Sagrada Escritura para a brevidade da vida. É comparada à fumaça (Sl 38,6), à sombra (Sl 143,4), à passagem das nuvens (Jó 4,2; 37,2), ao nada (Sl 38,6). Que pena se perdemos o tempo ou o empregamos mal, como se não tivesse valor! Quando o cristão mata o seu tempo na terra, coloca-se em perigo de matar o seu Céu.

Aproveitar o tempo é levar a cabo o que Deus quer que façamos em cada momento; é viver plenamente o momento presente, empenhando a cabeça e o coração naquilo que fazemos, ainda que humanamente pareça ter pouca importância, sem nos preocuparmos excessivamente com o passado nem nos inquietarmos muito com o futuro. Viver o momento presente, de olhos postos em Deus, torna-nos mais eficazes e livra-nos de muitas ansiedades inúteis, que nada mais fazem do que paralisar-nos.

Ao pedir que administremos os talentos o Senhor convida-nos à vigilância.

No fim de nossa vida, o que desejamos ouvir? “Servo bom e fiel”… vem participar da minha alegria “…” ou” servo mau e preguiçoso… servo inútil… joguem-no fora… na escuridão… onde haverá choro e ranger de dente?”. A escolha será nossa!

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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