Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina - 3º Domingo do Tempo da Quaresma 2015

07/03/2015 09:32

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito santo. Amém.

“Uma coisa é estar na lei, e outra sob a lei. Quem está na lei é livre nela. Quem está sob a lei é escravo por ela .” Santo Agostinho de Hipona

Assim começamos pela primeira leitura a nossa meditação da Palavra de Deus para este terceiro Domingo. O que nos é apresentado no Livro do Êxodo? As Dez Palavras, os Mandamentos da Torah.

A palavra “mandamento” tem, hoje um significado antipático. Não gostamos de mandamentos, de normas, de preceitos. No entanto, para um judeu – e também para um cristão -, os preceitos, os mandamentos do Senhor, são uma graça, um sinal do carinho paterno de Deus, que se volta para nós e nos abre o seu coração, falando-nos da vida, mostrando-nos o caminho, iluminando a direção da nossa existência.

O próprio termo hebraico torah, que traduzimos por Lei, significa, na verdade instrução. Na Lei, na Instrução, Deus nos fala da vida porque deseja conviver com o seu povo. Sendo assim, os preceitos são uma bênção! O profeta Baruc afirma isso com palavras comoventes: “Escuta, Israel, os mandamentos da vida; presta ouvidos, para conheceres a prudência. Por que Israel, por que te encontras na terra dos teus inimigos, envelhecendo em terra estrangeira? É porque abandonaste a fonte da Sabedoria. Ela é o livro dos preceitos de Deus, a Lei que subsiste para sempre: todos os que a ela se agarram destinam-se à vida, e todos os que a abandonam perecerão. Volta-se, Jacó, para recebê-la; caminha para o esplendor, ao encontro de sua luz! Não cedas a outrem a tua glória, nem a um povo estrangeiro os teus privilégios. Bem-aventurados somos nós, Israel, pois aquilo que agrada a Deus a nós foi revelado” (Br 3,9-10.12; 4,1-4).

A Quaresma mais do que nunca passa a ser um tempo de conversão e de renovação. Mas não acontece verdadeira e autêntica renovação se não se passa por uma corajosa revisão da própria vida moral e da própria vida litúrgica ; com palavras mais simples, dos próprios costumes e da própria oração.

Ensina São Leão Magno: “A Quaresma é tempo de limpar e enfeitar a casa por dentro. Convém que vivamos sempre de modo sábio e santo, dirigindo nossa vontade e nossas ações para aquilo que sabemos agradar a Deus.”

Os dez mandamentos foram a base da vida moral, antes do povo hebreu e depois do povo cristão. Não contém toda a lei; sua forma negativa (“não fazer”) indica que se trata de alguns limites que delimitam um âmbito moral, antes que descrevê-lo positivamente; dentro devem ser colocados “toda a lei e os profetas” e de maneira especial o mandamento do amor que os resume a todos (Mt 22,40). É precisamente este caráter “negativo” que assegura aos dez mandamentos sua perene, imutável atualidade.

No início, eles não são percebidos nem mesmo como lei, mas como evento: o povo entra na aliança com Deus e os mandamentos são um sinal de sua pertença ao Senhor; são a proclamação de seu caráter de povo eleito, diferente de todos, isto é, santo. Daqui o fato, surpreendente para nós, de que Israel não fala da lei como um peso, ou de uma imposição, mas como de um dom sumamente grande, de um facho que ilumina meus passos (Sl 118,105); fala dela com paixão e com um desmedido orgulho: Ditosos somos nós, Israel, porque a nós foi revelado o que agrada a Deus!  (Br 4,4).

O Decálogo é uma escolha de vida que Deus propõe ao homem: Olha que hoje ponho diante de ti a vida com o bem, e a morte com o mal; observes seus mandamentos, suas leis e seus preceitos [...] para que vivas e te multipliques [...] se não obedeceres e se te deixares seduzir eu te declaro neste dia: perecereis (Dt 30,15 ss). O Decálogo é para o homem, não contra ele; não quer amarrar ou limitar sua liberdade, mas antes soltá-la. Aquilo que proíbe não é, com efeito, algo arbitrário que desagrada a Deus não se sabe por que, mas é o que compromete antes de tudo o próprio homem e sua possibilidade de ter relações equilibradas com os outros, de ser, em outras palavras, autenticamente homem.

Diz S. Paulo: Nós pregamos Cristo crucificado [...] força de Deus e sabedoria de Deus (1Cor 1,23). Faz-nos compreender que agora tudo –inclusive a Lei- toma sentido a partir de Jesus Cristo. Nós não estamos mais sozinhos diante a lei; entre nós e o Decálogo existe no meio Jesus Cristo crucificado. Ele é a “sabedoria de Deus” para nós, isto é, a nossa lei.

Para sermos discípulos do Senhor, temos de seguir o seu conselho: Se alguém quiser vir após de mim, renuncia a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me (Mt 16,24). Não é possível seguir o Senhor sem a Cruz. As palavras de Jesus tem plena validade em todos os tempos, um vez que foram dirigidas a todos os homens, pois quem não carrega a sua cruz e me segue – diz-nos Ele a cada um- não pode ser meu discípulo (Lc 14,27).

Carregar a cruz – aceitar a dor e as contrariedades que Deus permite para nossa purificação, cumprir com esforço os deveres próprios, assumir voluntariamente a mortificação - é condição indispensável para seguir a Jesus.

“Que seria de um Evangelho, de um cristianismo sem Cruz, sem dor, sem o sacrifício da dor? perguntava-se Paulo VI. Seria um Evangelho, um cristianismo sem Redenção, sem Salvação, da qual – devemos reconhecê-lo com plena sinceridade – temos necessidade absoluta. O Senhor salvou-nos por meio da Cruz; com a sua morte, devolveu-nos a esperança, o direito à Vida...” Seria um cristianismo desvirtuado que não serviria para alcançar o Céu, pois “o mundo não pode salvar-se senão por meio da Cruz de Cristo”.

“Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.” (Salmo 18, 9)

Peçamos a Nossa Senhora vivamente que, a partir de agora, saibamos aproveitar melhor a nossa vida, o efeito da graça de Deus em nós, e a vivermos a verdadeira conversão do coração.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

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