Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina - 3º Domingo do Tempo Comum

24/01/2015 18:49

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

“O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” (Mc 1, 15).

A narrativa do Evangelho de hoje traz o chamado que Jesus dirigiu a quatro dos seus discípulos: Pedro, André, Tiago e João. Os quatro eram pescadores e encontravam-se entregues ao trabalho, lançando as redes ou consertando-as, quando Jesus passou e os chamou.

Eles já tinham ouvido falar de Jesus, já O conheciam e, como todos os que O ouviam tinham se admirado com a pessoa D’Ele. Mas agora é diferente, agora Jesus os chama de uma forma definitiva, de uma forma que mudará completamente o rumo de suas vidas: “Segui-me e eu vos farei pescadores de homens” (Mc 1, 17).

Para seguirmos o Senhor, é preciso que tenhamos a alma livre de todo o apego; em primeiro lugar, do amor próprio, da preocupação excessiva pela saúde, pelo futuro, pelas riquezas e bens materiais. Porque, quando o coração se enche dos bens da terra, já não resta lugar para Deus.

No seguimento de Nosso Senhor, sempre nos é pedido à conversão do coração, dos nossos afetos e sentidos. Ninguém pode seguir Jesus seja qual estado de vida que abraçar sem antes passar por esse processo de conversão. Deus pede tudo para poder dar tudo. Como diz aquela bela canção: “Nada ter pra tudo dar, morrer de amor que não é desfazer-se, mas, se completar, ser livre para amar”.

Pois bem a verdadeira liberdade nasce onde há o despojamento, o desprendimento e a renúncia por causa do amor.

Se esse desprendimento for real, manifestar-se-á em muitos momentos de nossa vida diária, porque, como o mundo criado é bom, o coração tende a apegar-se de forma desordenada às criaturas e às coisas. Por isso o cristão necessita de uma vigilância contínua, de um exame frequente, para que os bens criados não o impeçam de unir-se a Deus, antes sejam um meio de amá-lo e servi-lo. “Cuidem todos, portanto, de dirigir retamente os seus afetos – adverte o Concílio Vaticano II –, para que, por causa das coisas deste mundo e do apego às riquezas, não encontrem um obstáculo que os afaste, contra o espírito de pobreza evangélica, da busca da caridade perfeita, segundo a admoestação do Apóstolo: Os que usam deste mundo não se detenham nele, porque os atrativos deste mundo passam (1 Cor 7, 31).

O desprendimento que somos chamados a realizar não é desprezo pelos bens materiais, desde que sejam adquiridos e utilizados de acordo com a vontade de Deus, mas é tornar realidade na própria vida aquele conselho do Senhor: “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e o resto vos será dado por acréscimo” (Mt 6, 33).

Para dar mais evidência a esta verdade, observemos que o afeto e o apego da alma à criatura a tornam semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e a semelhança, porque é próprio do amor fazer o que ama semelhante ao amado. Davi, falando dos que colocavam o amor nos ídolos, disse: “sejam semelhantes a eles os que os fazem; e todos os que confiam neles” (Sl 113,8). Assim, o que ama a criatura desce ao mesmo nível que ela, e desce de algum modo, ainda mais baixo, porque o amor não somente iguala, mas ainda submete o amante ao objeto do seu amor. Deste modo, quando a alma ama alguma coisa fora de Deus, torna-se incapaz de se transformar nele e de se unir a ele.

Portanto precisamos a cada dia mais entregar-nos tudo a Deus; tudo o que somos e temos.

São João da Cruz, místico e doutor da Igreja nos ensina que para atingirmos a união com Deus, união esse que somos chamados desde o instante de nossa vinda a este mundo é preciso que trilhemos esse caminho de desapego.

Diz ele: “Para atingir este estado sublime de união com Deus, é indispensável à alma atravessar a noite escura da mortificação dos apetites, e da renúncia a todos os prazeres deste mundo. As afeições às criaturas são diante de Deus como profundas trevas, de tal modo que a alma, quando aí fica mergulhada, torna-se incapaz de ser iluminada e revestida da pura e singela claridade divina. A luz é incompatível com as trevas, como no-lo afirma São João ao dizer que as trevas não puderam compreender a luz” (Jo 1,5).

Esse desprendimento efetivo seja dos materiais, ou seja do nosso próprio “EU” exige sacrifício. Um desprendimento que não custe não é real. O estilo de vida que somos chamados implica uma mudança radical de atitude em face dos bens terrenos, os quais não hão de ser procurados e utilizados como se fossem um fim, mas como meio para servir a Deus, à família, à pátria.

Nós não temos em vista possuir cada vez mais, mas amar mais e mais a Jesus através do nosso trabalho, da nossa família e também através dos bens materiais. A generosa preocupação pelas necessidades alheias que os primeiros cristãos viviam (At 2, 44-47), e que São Paulo ensinou também a viver aos fiéis das comunidades que ia fundando, será sempre um exemplo de vigência permanente; nunca poderemos contemplar com indiferença as necessidades espirituais ou materiais dos outros e deve contribuir generosamente para solucionar essas necessidades. E há de ser consciente de que então não só se remedeiam as necessidades dos homens, mas também se contribui muito para a glória do Senhor (2 Cor 9, 12).

Ouçamos o chamado de Jesus por meio da oração e como fizeram os Apóstolos, abandonemos tudo o que nos impede de subir até Ele, de nos unirmos a Ele de uma forma tão estreita que assemelhemo-nos a Ele.

Que Nossa Senhora, mãe do Bom Conselho, guarde o nosso coração e nos ensine a sermos mais sensíveis ao chamado que Jesus nos faz a nós todos os dias.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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