Lectio Divina 3° Domingo da Páscoa de 2015

18/04/2015 11:35

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

“Naquele, porém, que guarda a sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado”.    (1 Jo 2,5a)

Neste terceiro Domingo da Páscoa vemos com que alegria foi para os dois discípulos de Emaús sentiram ao voltar a ver o Mestre. Eles disseram: “não se nos abrasava o coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32). Quando eles ainda estão conversando sobre o que tinha acontecido com eles no caminho, Jesus aparece e lhes deseja a paz; ele continua a explicar-lhes sem interromper o argumento: “Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o quede mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos salmos” (Lc 24,44).

É preciso observar o seguinte: Jesus fala com eles recordando-lhes diretamente as profecias do Antigo Testamento e, de forma indireta, as maravilhas de Deus por Ele realizadas. Isto é, as grandes obras que Deus operou em outros tempos continuam sendo uma referência para falar do Messias Salvador, que é Jesus Cristo. Contudo, o Antigo Testamento ganha todo o seu esplendor somente quando interpretado desde Cristo, é ele quem faz a interpretação das antigas escrituras de Israel. Neste sentido, o Concílio Vaticano II afirmou que “Deus, inspirador e autor dos livros dos dois Testamentos, dispôs sabiamente que o Novo Testamento estivesse escondido no Antigo, e o Antigo se tornasse claro no Novo” (DV 16). Na verdade, toda a Bíblia só tem sentido como revelação divina em Cristo e na Igreja. Desvincular a Escritura Sagrada de Cristo e da Igreja é transformá-lo num mero livro de literatura. Neste caso, eu não sei se ela teria muito êxito.

Todo Católico deveria ler mais as Sagradas Escrituras; desconhecê-la é ignorar Jesus Cristo, já que as Sagradas Escrituras dão testemunho de Jesus Cristo. Mas, lembremo-nos: ela deve ser entendida em Cristo e na Igreja.

O que quero  dizer com isso? Explicando-o de maneira negativa: não se deve fazer uma interpretação livre da Bíblia que vá contra o seu sentido verdadeiro no contexto de uma autêntica interpretação. De maneira positiva, deve-se afirmar que as Sagradas Escrituras deve ser entendida no seu contexto, que é essencialmente um ambiente de fé eclesial. Não nos esqueçamos que a sagarda Escritura é fruto da Tradição: Jesus pregou, os apóstolos pregaram; tão somente depois foi colocado por escrito a pregação de Jesus e dos Apóstolos.

As pessoas que fazem livres interpretações da Bíblia, só que à margem da interpretação autêntica da Igreja Católica, acabam, de uma maneira ou outra, criando o seu próprio universo bíblico, que não é o de Cristo. Daí que há tantos cristãos com a mesma Bíblia e ao mesmo tempo há tantas “pseudo-igrejas” cristãs, as quais, frequentemente, brigam entre si.  A divisão entre os cristãos é um escândalo que provoca a incredulidade ou pelo menos não ajuda os outros a aproximarem-se da fé em Nosso Senhor.

Mas, porque há tantas interpretações da Bíblia e, simultaneamente, tantas “igrejas”? “Tantas cabeças, quantas sentenças!” Cada um quer manter a sua opinião, o seu parecer. Por minha vez, gosto de pensar que a Igreja Católica é como uma mãe, daquelas que já estão bem velinhas, mas com uma jovialidade digna de ser invejada por qualquer menininha de 15 anos. A idade da Igreja? Somente 2000 anos. A sua experiência é vastíssima: conhece muito bem aquelas coisas que se referem a Jesus Cristo, conhece melhor ainda aquelas coisas que se referem ao ser humano, viveu por entre derrotas de impérios e reis, sobreviveu a ataques ocultos e manifestos… Enfim, nada nem ninguém pode contra a Igreja Católica, pois Jesus quer que ela chega à escatologia. Agora eu pergunto: como se pode ir contra a autoridade de alguém que tem 2000 anos de experiência e que só nos ensina o caminho do bem, da verdade e do amor?

Nós, os católicos, temos resposta para qualquer pergunta. Pena que o cristão, frequentemente, não se preocupa em ser formado, em ler, em conhecer a Sagrada Escritura. No caso de que viesse a desviar-se, talvez colocaria a culpa nessa Mãe bondosa que é a Igreja e que só tem buscado o seu bem dando-lhe a verdade que é Cristo.

Com sabedoria São Jerônimo diz: “Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”.

Que Nossa Senhora que guardava tudo o que ouvia e meditava-o em seu coração nos ensine e também a viver a cada dia mais procurando nos livros sagrados a Vontade Deus para crescer no seu amor.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

 

 

 

 

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