Lectio Divina 29°Domingo do Tempo Comum

18/10/2014 09:55

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Ele então lhes disse: “Devolvei, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. (Mt 22, 21)

No Evangelho de hoje, perante uma pergunta insidiosa, Jesus reafirma o dever de obedecer à autoridade civil. Uns fariseus, unidos aos herodianos – com quem tinham feito causa comum para atacar o Senhor – perguntam-lhe se é lícito pagar o tributo ao César. O pagamento dessas contribuições era considerado por alguns como uma forma de colaboração com o poder estrangeiro, que, com a sua autoridade – pensavam –, limitava o domínio de Deus sobre o Povo eleito. Se o Mestre admitisse o pagamento, os fariseus poderiam considerá-lo como colaborador do domínio romano e desacreditá-lo perante uma boa parte do povo; se se opusesse, os herodianos, amigos do poder estabelecido, teriam motivo suficiente para denunciá-lo à autoridade romana.

Jesus dá uma resposta cheia de profundidade divina, que resolve com toda a exatidão o problema que lhe tinham proposto, mas ao mesmo tempo vai muito além do que lhe tinham perguntado. Não se limita ao sim ou ao não, ele vai mais profundo na resposta.

... A Deus o que é de Deus, diz ele.

A nossa vida humana, desde a sua concepção, pertence ao Senhor; como também a nossa família, santificada em Nazaré, baseada num matrimônio indissolúvel, conforme Ele mesmo o declarou com grande escândalo dos que o escutavam; e a consciência dos homens, que deve ser bem formada para que seja luz que ilumine os caminhos de cada um... Tudo o que há na nossa vida pertence ao Senhor.

Dar a Deus o que é de Deus significa também descobrir a justiça. Justiça que precisamos praticar diariamente que, “entre todas as demais virtudes humanas, é ela que ordena o homem nas coisas que se relacionam ao outro, e, esse Outro nesse caso do Evangelho de hoje é o próprio Deus”.

Se queremos ser justos, nós precisamos aprender o que é a justiça e praticá-la na nossa vida diária, nos nossos relacionamentos, no nosso trabalho, diante das autoridades civis e suas leis, mas tendo como princípio que tudo começa dentro de nós.

E é sobre isso que frisaremos nessa meditação.

Primeiramente, o que é a justiça?

Segundo, onde é que ela entra no Evangelho de hoje?

Vamos por parte:

Segundo o Catecismo da Igreja: “justiça é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. A justiça para com Deus chama-se virtude da religião” (CIC 1807). Portanto, é justamente aqui depois de ter definido de forma clara e sucinta o que venha a ser a justiça é que entramos no segundo ponto de nossa meditação.

Sendo a justiça, uma vontade firme e constante de dar a Deus o que é Dele, o que lhe é devido, é que entendemos quando Jesus disse “dar a Deus o que é de Deus”, ou seja, que sejamos justos para com Ele.

Mas, aí surge uma nova pergunta: O que lhe é devido, o que é Dele que preciso devolvê-lo?

O salmista responde-nos: “Ó família das nações, dai ao Senhor, ó nações, dai ao Senhor poder e glória, dai-lhe a glória que é devida ao seu nome! Oferecei um sacrifício nos seus átrios. Adorai-o no esplendor da santidade, terra inteira, estremecei diante dele!” (Salmo 96, 7-9).

Em palavras simples, a justiça que devemos tributar-lhe é a adoração, a primazia do ser, a busca de sua Vontade, é amá-lo acima de tudo e de todos. Novamente o Catecismo da Igreja nos coloca nesta perspectiva quando afirma que a adoração “sendo o primeiro ato da virtude da religião consiste em reconhecê-Lo como tal, Criador e Salvador, Senhor e Dono de tudo quanto existe, Amor infinito e misericordioso (CIC 2096)”.

Então, é esse o primeiro ato de justiça que devemos diariamente buscar em nós, praticar, exercitar, exteriorizar em nossos atos e palavras. É a partir dessa verdade que toda justiça humana ganha seu fundamento, sua credibilidade, seu testemunho veraz.

Dar a Deus o que é de Deus significa Adorá-lo como Deus que é.

Romano Guardini em seu livro “O Senhor” afirma que, “o ato da adoração contém em si algo infinitamente verdadeiro, benfazejo e edificante. Há nele algo que faz sarar... Não há nada de mais importante para o homem do que aprender a inclinar-se interiormente diante de Deus, conceder-lhe espaço para que Ele se levante e seja o principal porque Ele é digno de sê-lo. Pensar e realizar interiormente que Deus é digno de adoração... Isto á santo e grande e dá saúde a partir do fundo do ser”.

Poderíamos sintetizar em quatro principais fundamentos o porquê necessitamos aprender a dar a Deus o que é Dele:

Primeiro: a adoração é a resposta que devemos somente dar a Deus.

Segundo: a adoração é a expressão do desejo de Deus.

Terceiro: a adoração é o retorno da nossa origem em Deus.

Quarto: a adoração é a finalidade do ser humano.

Como precisamos aprender a sermos justos com Deus hein?

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

 

 

Voltar