Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina 27° Domingo do Tempo Comum

04/10/2014 12:51

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

C.S.Lewis no seu livro “O problema da dor” ao falar da fraqueza humana diz “que esta é uma experiência universal: que todos os homens são pecadores, que todos violam as suas convicções morais; repetidas vezes não fazemos o bem que sabemos que deveríamos fazer e não evitamos o mal que deveríamos evitar”, e que a falta de cuidados para com essas fraquezas podem levar o homem a realidades trágicas, e uma dessas é a que o santo Evangelho desse domingo nos relata, a dos vinhateiros homicidas. Portanto todo cuidado é pouco quando se trata de lutar contra as nossas tendências, contra tudo aquilo que se apresenta diante de nós que contraria a vontade de Deus.

“Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: 'Ao meu filho eles vão respeitar” (Mt 21, 37).

Vamos ao texto.

Havia um Pai de família que plantou uma vinha, cercou-a com uma cerca e cavou nela um lagar... “Cercou-a com uma sebe comenta Santo Ambrósio, isto é, defendeu-a com a muralha da proteção divina para que não sofresse facilmente pelas contaminações de animalíasespirituais; e cavou um lagar onde fluísse, espiritualmente, o fruto da uva divina”. Foram muitos os cuidados divinos que recebemos. A cerca, o lagar e a torre significam que Deus não economizou nada para cultivar e embelezar a sua vinha. Como é que, esperando que dessas boas uvas, produziu amargas?

O pecado é o fruto amargo das nossas vidas. A experiência das fraquezas pessoais ressalta essa verdade com demasiada evidência na história da humanidade e na de cada homem. “Ninguém se vê inteiramente livre da sua fraqueza, solidão ou servidão. Antes pelo contrário, todos precisam de Cristo como modelo, mestre, salvador e vivificador”. Os nossos pecados estão intimamente relacionados com essa morte do Filho que nos relata o santo Evangelho: “Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: 'Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança! “Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram”( versículo 38 do Evangelho de hoje).

Para produzirmos os frutos de vida que Deus espera diariamente de cada um de nós, e não matar a vida da graça que deve atuar em nós, temos em primeiro lugar de pedir ao Senhor que aumente umaaversão por todas as faltas mesmo as veniais, que ofendem a Deus. Os descuidos nos atos de caridade, os juízos negativos sobre esta ou aquela pessoa, as impaciências, os agravos não esquecidos, a dispersão dos sentidos internos e externos, o trabalho mal feito, fazem muito mal à alma, à prejudica. “Por isso, “capite nobisvulpesparvulas, quaedemoliunturvineas”, diz o Senhor no Cântico dos Cânticos: caçai as pequenas raposas que destroem a vinha”. É necessário que trabalhemos continuamente em afastar tudo aquilo que não agrada ao Senhor. A alma que detesta o pecado venial deliberado, pouco a pouco vai crescendo em nós a amizade com Deus. Uma amizade cheia de sensibilidade diante daquilo que Ele mesmo nos pede, e cresce também em nós aquele desejo de querer agradá-lo em tudo porque sabemos o quanto Ele nos tem amado e nos ama.

As fraquezas que carregamos em nós devem nos ajudar a multiplicar os atos de reparação e de desagravo, e a tornar sempre mais viva e sincera a contrição por nossas faltas. Se pedimos perdão a uma pessoa querida quando a ofendemos, e procuramos compensá-la com algum ato bom, com quanto mais razão não devemos fazê-lo quando o ofendido é Jesus, o verdadeiro Amigo! Convertemos assim em frutos esplêndidos o que estava perdido.

E ao mesmo tempo, sem quereres afastar-te dessa consideração, diz-Lhe: “Dá-me, Jesus, um Amor qual fogueira de purificação, onde a minha pobre carne, o meu pobre coração, a minha pobre alma, o meu pobre corpo se consumam, limpando-se de todas as misérias terrenas... E, já vazio todo o meu eu, enche-o de Ti: que não me apegue a nada daqui de baixo; que sempre me sustente o Amor”(São José Maria Escrivá, Forja 41).

O Apóstolo São Paulo na segunda leituradiz aos cristãos de Filipos: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é santo, tudo o que é amável, tudo o que é de bom nome, qualquer virtude, qualquer coisa digna do louvor da disciplina, seja isso o objeto dos vossos pensamentos”.

As realidades terrenas e as coisas nobres deste mundo são boas e podem chegar a ter um valor divino. Pois, como escrevia Santo Irineu, “pelo Verbo de Deus, tudo está sob a influência da obra redentora, e o Filho de Deus foi crucificado por todos, e traçou o sinal da Cruz sobre todas as coisas”.

Devemos converter em frutos para Deus tudo o que vivemos e que trazemos diariamente entre as mãos, como matéria prima (o trabalho, a família, a amizade, as preocupações cotidianas, as alegrias diárias e tantas outras coisas), pois “não se pode dizer que exista realidades boas, nobres ou mesmo indiferentes – que sejam exclusivamente profanas, uma vez que o Verbo de Deus estabeleceu a sua morada entre os filhos dos homens, teve fome e sede, trabalhou com as suas mãos, conheceu a amizade e a obediência, experimentou a dor e a morte”. Todas as coisas que são humanas, que são feitas pelos homens, podem ser oferecidas e santificadas por Deus.

Em cada dia apresenta-se um número incontável de possibilidades de oferecer frutos agradáveis ao Senhor: desde a primeira vitória contra a preguiça ao levantar-nos pontualmente, aquele chamado “o minuto heroico”, até esse pequeno sacrifício que supõe enfrentar com bom ânimo o excesso de trânsito ou um ligeiro mal-estar que nos deixa indispostos. São muitas, neste dia irrepetível, as ocasiões de sorrir, de ter uma palavra de amizade, sejam de consolo ou de agradecimento, ou até mesmo a desculpa de um erro... No trabalho,Nosso Senhor espera esses pequenos frutos que nascem quando nos esforçamos por executá-lo bem: a pontualidade, a ordem, a intensidade, a responsabilidade do que nos é pedido.

Para produzirmos esses frutos, temos de nos empenhar em manter a presença de Deus ao longo do dia, com jaculatórias, com atos de amor, com um olhar dirigido a uma imagem da Virgem ou ao crucifixo, lembrando-nos do Sacrário mais próximo do lugar em que estamos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque, sem mim, nada podeis fazer... Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto e sejam meus discípulos (Jo 15, 5-8).

Meditemos hoje se o Senhor pode encontraria esses frutos abundantes na nossa vida; abundantes porque é muito que nos foi dado. Frutos de caridade, de trabalho bem feito, de apostolado com os amigos e familiares; jaculatórias, atos de amor a Deus e de desagravo ao longo do dia, ações de graças, contrariedades acolhidas com paz, pequenos sacrifícios praticados discretamente e com toda a naturalidade. Examinemos também se, ao mesmo tempo, não produzimos essas uvas amargas que são os pecados, a tibieza, a mediocridade espiritual, as faltas de que não pedimos perdão ao Senhor...

Se assim vivermos, nessa luta diária de nossa própria santificação, sem esmorecermos, fazendo de nossas fraquezas uma alavanca na luta contra os nossos pecados. E se por acaso a fraqueza vier, e o pecado nos assolar, levando-nos a queda, lembremo-nos do sacramento da confissão e “Assim, o Deus da paz estará convosco (Fl 4,9)”.

Voltai-vos para nós, Deus do universo! Olhai dos altos céus e observai. Visitai a vossa vinha e protegei-a!

Que seja essa a nossa oração, a nossa súplica...

Laus Deo In Aeternum

Por Walter Silva

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