Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina 26º Domingo do Tempo Comum

28/09/2014 08:24

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A vontade de Deus é divinamente santa e sábia, e o cristão será santo e sábio na medida em que souber transformar a sua vontade na d’Ele. Foi-nos fixada uma finalidade divina: partilhar da vida divina no céu eternamente e perfeitamente. Mas o caminho que conduz a essa finalidade é a vontade de Deus, e só a trilharemos se a ela nos submetermos amorosamente: é nisto que consiste a nossa perfeição como cristãos.

E sobre essa adesão a vontade de Deus que iremos hoje meditar, claro, dando toda uma particularidade à leitura do santo evangelho, onde poderemos perceber que para crescer na virtude da obediência é preciso muito mais do que palavras rápidas, fugazes ou até em muito dos casos dosquais estamos acostumados a ver, o das palavras prontas.

Com isso percebemos que precisamosser tomado pela graça de Deus que como diz o Apóstolo Paulo “realiza em nó tanto o querer como o fazer” (Fl 2, 13), se queremos progredir em tal caminho.

Vamos ao texto.

QUE VOS PARECE?,começou Jesus, dirigindose aos que o rodeavam. Um homem tinha dois filhos, e, aproximandose do primeiro, disselhe: Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha. Ele respondeulhe: Não quero. Mas depois, tocado de arrependimento, foi. Disse o mesmo ao segundo. E este respondeu: Eu vou, senhor; mas não foi. Jesus perguntou qual dos dois tinha cumprido a vontade do pai. E todos responderam: o primeiro, o que foi trabalhar na vinha. E Jesus prosseguiu: Na verdade, digovos que os publicanos e as meretrizes vos precederão no reino de Deus. Porque veio a vós João pelo caminho da justiça, e não crestes nele; mas os publicanos e as meretrizes creram nele (Mt 21,28-32).

João Batista tinha mostrado o caminho da salvação, e os escribas e os fariseus, que se orgulhavam de serem fiéis seguidores da vontade divina, não lhe fizeram caso. Teoricamente, eram os cumpridores da Lei, mas à hora da verdade, quando lhes chegou aos ouvidos a vontade de Deus pela boca de João, não souberam ser dóceis ao querer divino. Estavam no caso do filho que começou por dizer que ia, mas não foi. Em contrapartida, muitos publicanos e pecadores atenderam ao apelo à penitência e arrependeram‑se: eram o filho que a princípio disse “não vou”, mas depois foi. Obedeceu, agradou ao seu pai com obras.

O próprio Senhor nos deu exemplo de como devemos cumprir esse querer divino, pois “para cumprir a vontade do Pai, inaugurou na terra o Reino dos Céus, revelounos o seu mistério e realizou a redenção pela sua obediência”. São Paulo, na segunda Leitura da Missa, sublinha o amor de Jesus Cristo por esta virtude: sendo Deus, humilhou‑se a si mesmo, feito obediente até à morte, e morte de cruz. Naqueles tempos, a morte de cruz era a mais infame, pois estava reservada aos piores criminosos. Eis por que a máxima expressão do amor de Cristo pelos planos salvíficos do Pai consistiu em obedecer até à morte de cruz.

Cristo obedece por amor; este é o sentido da obediência cristã: da que se deve a Deus, da que devemos prestar à Igreja, aos pais; aos superiores, àqueles que de um modo ou de outro regem a vida profissional e social. Deus não quer servidores de má vontade, mas filhos que queiram obedecer com alegria. Santa Teresa no seu livro (Santa Teresa, Contas de consciência, 20) conta que, considerando um dia as grandes penitências a que se entregava uma boa mulher sua conhecida, sentiu uma santa inveja e pensou que ela também as poderia fazerse não fosse à proibição taxativa que recebera do seu confessor. Foi tanta a vontade que teve de imitar aquela mulher penitente que pensou por um momento se não seria melhor desobedecer à ordem que lhe fora dada. Então Jesus disse‑lhe: “Isso não, filha; levas bom caminho e seguro”. Vês toda a penitência que faz? Em maior conta tenho “Eu a tua obediência”. A obediência nasce da liberdade e a conduz sempre a uma maior liberdade. Quando o homem renuncia à sua vontade para obedecer a Deus, conserva a liberdade na determinação radical e firme de escolher o que é bom e verdadeiro. Quem escolhe uma auto‑estrada para chegar antes e com maior segurança ao seu destino, não sente coagido pelos limites e indicações que encontra; a corda que ata um alpinista aos seus companheiros de escalada não é cadeia que o perturbe – ainda que o prenda fortemente –, mas vínculo que lhe dá segurança e evita que caia no abismo; os ligamentos que unem as diversas partes do corpo não são liames que impedem os movimentos, mas garantia de que estes se realizem com desembaraço e firmeza.

É o amor que faz com que a obediência seja plenamente livre. Como pensar que Cristo que tanto amou e nos recomendou esta virtude não o fosse? “Para quem queira caminhar no seguimento de Cristo, a lei não é pesada. Só se converte num fardo quando não se consegue ver nela o chamado de Nosso Senhor JesusCristo ou não se tem vontade de seguir esse chamado. Portanto, se a lei às vezes se torna pesada, pode ser que tenhamos de melhorar não tanto a lei como o nosso empenho em seguir o Senhor”.

A necessidade de obedecer não provém somente dos bens tão imensos que traz à alma, mas da sua íntima união com a Redenção: é parte essencial do mistério da Cruz. Portanto, quem pretendesse estabelecer limites à obediência querida por Deus, limitaria ao mesmo tempo a sua união com Cristo e dificilmente poderiaidentificarse com Ele: Tende em vossos corações os mesmos sentimentos que teve Jesus Cristo, o qual, possuindo a natureza de Deus..., não obstante aniquilou‑se a si mesmo tomando a forma de servo(Fl 2, 5-7).

O desejo de imitar Cristo deve fazer com que nos perguntemos frequentemente: Faço neste momento o que Deus quer, ou deixome levar pelo capricho, pela vaidade ou pelo estado de ânimo? A minha obediência é sobrenatural, interna, pronta, alegre, humilde e discreta?

“Obedece sem tantos raciocínios inúteis... Mostrar tristeza ou pouca vontade perante o que se manda é falta muito considerável. Mas sentilá apenas, não somente não é culpa, mas pode ser uma grande ocasião de nos vencermos a nós mesmos, de coroarmos um ato heróico de virtude( Santo Tomás de Aquino)”.

Que possamos nesta meditação lembrarmos sempre do que nos ensina Santo Tomás de Aquino: “um dos sinais mais claros de que se anda pelo bom caminho, ou seja, o da humildade é o desejo de obedecer”.

Laus DEO In Aeternum

Por Walter Silva

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