Lectio Divina 2º Domingo do Tempo do Advento

06/12/2014 19:09

João pregando o batismo de conversão                   

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

"O semelhante se alegra com seu semelhante", diz um antigo provérbio latino, e de fato é esse um princípio intrínseco a todos os seres com vida, na medida em que sejam passíveis de felicidade. Deus assim nos criou e fez uns dependerem dos outros, aperfeiçoando- nos com o mais entranhado dos instintos, o de sociabilidade.

Sim, era essa a maior alegria de João, o Batista ao dedicar toda a sua vida a preparar a vinda de Jesus pregando um batismo de conversão.

Esta é a voz daquele que grita no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas! (Mc 1,3)’”

Neste segundo Domingo do Advento ouvimos a voz profética de Isaías e de João Batista que nos faz um apelo de conversão para a vinda do Senhor.

“O Senhor vem…” O Salvador está para chegar e o mundo ainda continua como de costume, na indiferença mais completa, numa insensibilidade cada vez mais fria.

Então a Igreja neste tempo litúrgico nos propõe à nossa meditação a figura de João, o Batista. Este é aquele de quem falou o profeta Isaías dizendo: “Voz do que clama no deserto; preparai os caminhos do Senhor, endireitai suas veredas”. A missão de João Batista foi a de ir à frente do Senhor para preparar os seus caminhos…

Esta seria sua vocação: preparar para Jesus um povo capaz de receber o Reino de Deus e, por outro lado, dar testemunho público d´Ele. Não se dedicará a essa missão por gosto pessoal, mas por ter sido concebido para isso! E irá realizá-la até o fim, até dar a vida no cumprimento da sua vocação.

Os primeiros discípulos seguiram Jesus por indicação expressa dele e muitos outros se prepararam interiormente para segui-Lo graças à sua pregação.

A vocação abarca a vida inteira e leva a fazer girar tudo em torno da missão divina. Cada homem, no seu lugar e dentro das suas próprias circunstâncias, tem uma vocação dada por Deus; de que ela se cumpra dependem muitas outras coisas queridas pela vontade divina.

Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as suas veredas… João Batista é a voz que anuncia Jesus. Essa é a sua missão, a sua vida, a sua personalidade. Todo seu ser está definido em função de Jesus, como teria que acontecer na nossa vida, na vida de qualquer Cristão. O importante de nossa vida é Jesus!

O Precursor indica-nos também a nós o caminho que devemos seguir: o importante é que Cristo seja anunciado, conhecido e amado. Só Ele tem palavras de vida eterna, só n’Ele se encontra a salvação. A atitude de João é uma clara e enérgica advertência contra o desordenado amor próprio que sempre nos incita a colocar-nos indevidamente em primeiro plano. Uma preocupação de singularidade, a ânsia de sermos protagonistas, não deixaria lugar para Jesus. Sem humildade, não poderíamos aproximar os nossos amigos de Deus. E então a nossa vida ficaria vazia.

Que tipo de testemunhas nós somos? Como é nosso testemunho Cristão entre os nossos colegas, na família? Tem força suficiente para persuadir os que ainda não crêem em Jesus, os que ainda não o amam, os que têm uma idéia falsa a seu respeito?

Temos que dar testemunho e, ao mesmo tempo, apontar aos outros o caminho. Dizia São Josemaría Escrivá: “Grande é a nossa responsabilidade, porque ser testemunha de Cristo implicará, antes de qualquer coisa, procurar comporta-se segundo a sua doutrina, lutar para que nossa conduta recorde Jesus e evoque a sua figura amabilíssima. Temos que conduzir-nos  de tal maneira que, ao ver-nos, os outros possam dizer: este é Cristão porque não odeia, porque sabe compreender, porque não é fanático, porque é sacrificado, porque manifesta sentimentos de paz, porque ama” ( É Cristo que passa, 122)

O mundo de hoje, em muitos casos, também não espere nada, como outrora não esperava o Messias. Muitos se acham debruçados sobre os bens materiais como se fossem o seu último fim; mas com eles jamais satisfarão o seu coração. Temos que apontar-lhes o caminho. A todos. “Sabeis – diz-nos Santo Agostinho – o que cada um de vós tem que fazer em casa, com o amigo, com o vizinho, com os dependentes, com o superior, com o inferior. Sabeis também de que modo Deus oferece as ocasiões, de que maneira abre a porta com a sua palavra. Não queirais, pois, viver tranquilos até conquistá-los para Cristo, porque vós fostes conquistados por Cristo”.

“Preparai o caminho de Senhor e endireitai suas estradas”. João aponta um caminho de purificação e de conversão!

Durante o tempo do Advento, preparando-nos para o Natal, busquemos o Sacramento da Penitência (Confissão) como um gesto que manifesta a vontade de conversão e esperança dos tempos novos. O Sacramento da Confissão é um encontro privilegiado com misericórdia de Deus que nos salva e nos perdoa!

A nossa grande alegria será termos aproximado de Jesus, como fez o Batista, muitos que estavam longe ou se mostravam indiferentes, sem perdermos de vista que é a graça de Deus, não as nossa forças humanas, que consegue levar as almas ao Senhor. Ensinava Sto. Agostinho: “ Não queirais viver tranquilos até conquistá-los para Cristo, porque vós fostes conquistados por Cristo”.

Peçamos a Nossa Senhora que aumente os nossos anseios e o nosso esforço por aproximar as almas do seu Filho, na certeza de que nenhum esforço é vão diante d’Ele.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

 

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