Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina - 2º Domingo do Tempo Comum

17/01/2015 19:07

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito santo. Amém.

João estava de novo com dois de seus discípulos e, vendo Jesus passar, disse: “Eis o Cordeiro de Deus”! (Jo 1, 35-36)

Terminadas as festas Natalinas onde consideramos principalmente os mistérios da vida oculta de Nosso Senhor, damos início nesta liturgia ao longo tempo chamado de tempo Comum, onde meditaremos a vida pública de Jesus.

E tudo começa as margens do rio Jordão, local onde João, o Batista após o batismo de Jesus, vendo descer sobre Ele o Espírito Santo em forma de pomba, anuncia-o como o cordeiro de Deus: ‘aquele que tira o pecado do mundo’.

É  salvação anunciada pelos profetas. Essa salvação começa quando Nosso Senhor vence no alto da Cruz a pior realidade já encarada pelos homens: o pecado.

O anúncio que acontece ás margens do rio Jordão Jesus revela que de fato Ele é o cordeiro “tirar o pecado do mundo” ( Jo 1, 36), e Ele não hesitou de chegar até a morte trágica para isto, o que iremos meditar ao longo do tempo litúrgico. Agora, sendo ele o Vencedor do pecado pela sua morte e ressureição, mistérios esse que meditaremos logo mais no tempo Quaresmal e Pascal, pelo ministério da Igreja, dá o perdão a todos os homens. Jesus disse aos apóstolos na Última Ceia: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). Guardar os mandamentos é a prova do amor por Jesus. Quem obedece aos Seus mandamentos, foge do pecado.

Guardar os mandamentos requer de nós uma docilidade e uma prontidão obediente que só pela Sua graça podemos alcançar se não os mandamentos da lei de Deus se torna um peso insuportável

O grande São Basílio Magno (329-379), bispo e doutor da Igreja, ensina, em seus escritos, que há três formas de amar a Deus: a primeira é como o mercenário, que espera a retribuição; a segunda é como escravo que obedece, por medo do chicote, o castigo de Deus; e o terceiro é o amor filial, daquele que obedece, porque, de fato, ama o Pai. É assim que devemos amar o Senhor; e, a melhor forma de amá-Lo é repudiando todo mal.

O Catecismo da Igreja Católica nos mostra toda a gravidade do pecado: “Aos olhos da fé, nenhum mal é mais grave do que o pecado e nada tem consequências piores para os próprios pecadores, para a Igreja e para o mundo inteiro” (CIC 1488).

São palavras fortíssimas, pois mostram que não há nada pior do que o pecado. Por outro lado, o Catecismo afirma que ele é uma realidade: “O pecado está presente na história dos homens: seria inútil tentar ignorá-lo ou dar a esta realidade obscura outros nomes” (CIC, 386).

No livro ‘O Diálogo', Deus disse a Santa Catarina de Sena as seguintes palavras:

”O pecado priva o homem de Mim, Sumo Bem, ao tirar-lhe a graça”. São Paulo, numa frase lapidar, explica toda a hediondez do pecado e razão de todos os sofrimentos deste mundo: “O salário do pecado é a morte” (Rom 6,23).

Tudo o que há de mal na história do homem e do mundo é consequência do pecado que começou com Adão. “Por meio de um só homem, o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rom 5,12). O Catecismo ensina que: “A morte corporal, à qual o homem teria sido subtraído se não tivesse pecado (GS,18), é assim o último inimigo do homem a ser vencido” (1Cor 15, 26).

Santo Agostinho dizia que: “É desígnio de Deus que toda alma desregrada seja para si mesma o seu castigo”, e acrescentava: “O homem se faz réu do pecado no mesmo momento em que decide cometê-lo.” Sintetizava tudo dizendo que “pecar é destruir o próprio ser e caminhar para o nada”. E falando de sí mesmo escreveu nas confissões: “Eu pecava, porque em vez de procurar em Deus os prazeres, as grandezas e as verdades, procurava-os nas suas criaturas: em mim e nos outros”. Por isso precipitava-me na dor, na confusão e no erro.

Portanto, irmãos, demos início a esse novo ano litúrgico com o pensamento de que devemos lutar contra os pecados que nos assolam, que causam ao nosso coração uma solidão e que pior, retiram de nós a caridade por Deus.

A esse pecados sejam eles mortais, veniais, ou os próprios vícios que vamos ao longo do tempo adquirindo, precisamos imediatamente colocá-los aos pés da Cruz através do Sacramento da Confissão, onde o próprio Deus curará todas as feridas deixadas pelo pecado.

Que possamos sentir-nos consolados por essas palavras de Bento XVI dita em uma de suas homilias: “Deus introduziu a cura. Entrou pessoalmente na história. Opôs à fonte permanente do mal uma fonte de bem puro”.

E prossegue: “Cristo crucificado e ressuscitado, novo Adão, opõe ao rio impuro do pecado, um rio de luz e de graça. E este rio está presente na história: vejamos os santos, os grandes santos, mas também os santos humildes, os simples fiéis. Vemos que o rio de luz que provém de Cristo está presente, é forte, ele vence o pecado e a morte”. (Bento XVI)

Ancorados sob a proteção e o auxílio D’aquela que é invocada na ladainha como “Auxílio dos cristãos” e também como “Refúgio dos pecadores” o nosso coração, e sustentados pela certeza de que Jesus é ‘o cordeiro de Deus que tira o pecado mundo’ caminhemos decididos rumo ao certame que nos é proposto, a saber: “O céu, o Coração Sagrado de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

 

 

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