Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina - 2° Domingo da Páscoa,Domingo da Misericórdia 2015

10/04/2015 17:35

Em nome do Pai, e do Filho e do espírito Santo. Amém.

“Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; eterna é a sua misericórdia!” (Salmo 117)

Hoje, domingo, terminada a Oitava da Páscoa, como um único dia “feito pelo Senhor”, marcado pelo distintivo da Ressurreição e pela alegria dos discípulos ao ver Jesus.

Desde a Antiguidade, este domingo se chama In Albis, do nome latino Alba, significando a vestidura branca que os neófitos usavam no Batismo, da noite da Páscoa, e que tiravam depois de 8 dias. O venerável João Paulo II dedicou este mesmo domingo à Divina Misericórdia, por ocasião da canonização de Maria Faustina Kowalska, no dia 30 de abril de 2000.

De misericórdia e de bondade Divina  o Evangelho de  João deste Domingo está cheio (20, 19-31). Nele se narra que Jesus, após a Ressurreição, visitou seus discípulos atravessando as portas fechadas do Cenáculo. Santo Agostinho explica que “as portas fechadas não impediram a entrada desse corpo no qual habitava a divindade. Aquele que, nascendo, havia deixado intacta a virgindade da Mãe, pôde entrar no Cenáculo com as portas fechadas” ; e São Gregório Magno acrescenta que nosso Redentor se apresentou, após a Ressurreição, com um corpo de natureza incorruptível e palpável, mas em um estado de glória.

Jesus mostra os sinais da Paixão, até permitindo ao incrédulo Tomé que os tocasse. Como é possível, no entanto, que um discípulo possa duvidar? Na verdade, a bondade divina nos permite tirar proveito também da incredulidade de Tomé, e não só dos discípulos crentes. De fato, tocando as feridas do Senhor, o discípulo que antes vacilara cura não somente sua própria desconfiança, mas também a nossa.

A aparição de Jesus Ressuscitado não se limita ao espaço do Cenáculo, mas vai além, para que todos possam receber o dom da paz e da vida com o “Sopro Criador”. De fato, em dois momentos, Jesus disse aos discípulos: “A paz esteja convosco”. E acrescentou: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio.” E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos.” Esta é a missão da Igreja, perenemente assistida pelo Paráclito: levar a todos o alegre anúncio, a gozosa realidade do amor misericordioso de Deus, “para que – como diz São João – acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome” (20,31).

À luz desta palavra, seguindo o exemplo do Santo Cura de Ars, que, no seu tempo, “soube transformar o coração e a vida de muitas pessoas, porque conseguiu fazer-lhes sentir o amor misericordioso do Senhor. Também hoje é urgente igual anúncio e testemunho da verdade do Amor” . Dessa forma, tornaremos cada vez mais familiar e próximo Aquele que nossos olhos não viram, mas de cuja infinita misericórdia temos certeza absoluta.

Neste Domingo da Divina Misericórdia somos chamados a renovar a nossa fé, como o apóstolo São Tomé. Esta fé, no entanto, não é uma fé genérica. Devemos crer na misericórdia que se manifesta no Mistério Pascal: paixão, morte e ressurreição. Jesus recorda a Santa Faustina que os demônios sabem de outros atributos de Deus, mas a misericórdia é uma característica na qual eles não conseguem crer.

Esta incredulidade é uma verdadeira ferida no coração de Jesus. Por isto Nosso Senhor pede a Santa Faustina a instituição da festa da Divina Misericórdia. Nela os pecadores devem se aproximar com confiança do coração misericordioso que nos lava de nossos pecados (raio de luz branca – água) e nos imerge no amor de Deus (raio de luz vermelha – sangue).

"A misericórdia é a compaixão que o nosso coração experimenta pela miséria alheia, que nos leva a socorrê-la, se o pudermos" (Santo Agostinho, Cidade de Deus, 9, 5).

"Ser misericordioso é próprio de Deus e é pela misericórdia que ele principalmente manifesta a sua onipotência. Em relação ao que possui, a misericórdia não é a maior das virtudes, salvo se ele for o maior, não havendo ninguém acima dele, e todos lhe sendo submissos. Pois quem tem superior, é maior e melhor unir-se a ele do que suprir as deficiências do inferior. Eis porque, para o homem, que tem Deus como superior, a caridade que o une a Deus, é maior que a misericórdia" (Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, II-II, 30, 4).

“Os que temem o Senhor agora o digam: eterna é a sua misericórdia!” (Salmo 117,4)

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

 

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