Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina - 12º DOMINGO Tempo Comum

21/06/2015 10:10

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

No Evangelho da Missa desse Domingo, em duas ocasiões, conforme lemos, a tempestade surpreendeu os Apóstolos no lago de Genesaré, enquanto navegavam em direção à margem oposta por indicação do Senhor. São Marcos narra que Jesus estava com eles na barca e aproveitou para descansar, depois de um dia particularmente intenso de pregação. Encostou-se na popa sobre um travesseiro, provavelmente um saquinho de couro recheado de lã, simples e grosseiro, que essas barcas levavam para descanso dos marinheiros.

Nesse caso, os discípulos, vários deles homens do mar, pressentiram a tempestade, que chegou muito rapidamente e com grande violência: As ondas lançavam-se sobre a barca, de sorte que estava prestes a inundar-se. Enfrentaram a situação, mas o mar se agitava mais e mais, e o naufrágio parecia claro. Então, como último recurso, recorreram a Jesus. Acordaram-no com um grito de angústia: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?” (Mc 4, 38).

E o Senhor acordou e precisou intervir. E Ele, despertando, repreendeu os ventos e disse ao mar: “Silêncio,cala-te”(Mc 4, 39). E acalmou-se o vento, e fez-se completa calmaria. E a paz chegou também ao coração daqueles homens assustados.

Em muitas ocasiões da nossa vida, levanta-se uma grande tempestade à nossa volta ou dentro de nós. E a nossa pobre barca parece não conseguir resistir mais. Dá-nos a impressão de que Deus permanece em silêncio, ou até mesmo que Ele nos abandonou,e as ondas precipitam-se sobre violentamente nós.

Jesus nunca nos deixará sós. Devemos aproximar-nos d’Ele e dizer-lhe a todo o momento, com a confiança de quem o tomou por Senhor, de quem quer segui-lo sem nenhuma condição: “Senhor, não me deixe!” E passaremos as tribulações junto d’Ele, e as tempestades deixarão de inquietar-nos.

È imporatnte entender que nos começos da Igreja, os Apóstolos não demoraram a experimentar, juntamente com frutos muito abundantes, as ameaças, as injúrias, a perseguição. Mas não se importaram com o ambiente, favorável ou adverso, mas sim de que Cristo fosse conhecido por todos e os frutos da Redenção chegassem até o último recanto da terra. A pregação da doutrina do Senhor, que do ponto de vista humano era escândalo para uns e loucura para outros, foi capaz de penetrar em todos os lugares, transformando as almas e os costumes.

De lá para cá, mudaram muitas daquelas situações que os Apóstolos enfrentaram, mas outras continuam a ser as mesmas, e ainda piores; o materialismo, a ânsia desmedida de comodidade e de bem-estar, a sensualidade, a ignorância, voltam a ser vento impetuoso e forte ressaca em muitos ambientes. E a isso soma-se a tentação de adaptar a doutrina de Cristo aos tempos, com graves deformações da essência do Evangelho.

Se quisermodar testemunho no meio do mundo, deveremos contar com alguns que não quererão entender-nos, às vezes, na nossa própria casa ou entre amigos de longa data, e teremos de ganhar maior firmeza de ânimo, porque ir contra a corrente não é uma atitude cômoda. Teremos que trabalhar com decisão, com serenidade, sem nos importarmos com a reação daqueles que, em não poucos aspectos, se identificaram com os costumes do mundo moderno ,e por isso estão praticamente incapacitados para entender um sentido transcendente e sobrenatural da vida.

Com a serenidade e a fortaleza que nascem do trato íntimo com o Senhor, seremos rocha firme para muitos.

Dando um exemplo muito concreto, é de especial importância a influência das famílias na vida social e pública. Elas próprias devem ser “as primeiras a procurar que as leis não apenas não ofendam, mas sustentem e defendam positivamente os direitos e deveres da família”, promovendo assim uma verdadeira “política familiar”. Não podemos permanecer inativos, enquanto os inimigos de Deus querem apagar todo o rasto que assinale o destino eterno do homem.

Caminhemos com alegria e passo firme no nome do Senhor. Sem pessimismos! Se surgirem dificuldades, mais abundante será a graça que nos chega de Deus; se surgirem mais dificuldades, mais eficaz será a graça de Deus que nos desce do Céu; se houver muitas dificuldades, haverá muita graça de Deus. A ajuda divina é proporcional aos obstáculos que o mundo e o demônio levantam ao trabalho apostólico. Por isso, até me atreveria a afirmar que convém que haja dificuldades, porque assim teremos mais ajuda de Deus: Onde abundou o pecado, superabundou a graça (Rom 5, 20).

Todas essa ocasiões precisamos para purificar a nossa intenção, para estar mais unidos a Jesus, para nos fortalecermos na Fé. A nossa atitude sempre será a de perdoar sempre e manter a serenidade, pois o Senhor está com cada um de nós. “Cristão, na tua nave dorme Cristo recorda-nos Santo Agostinho, desperta-o, que Ele admoestará a tempestade e far-se-á a calma”. Tudo é para nosso proveito e para o bem das almas. Por isso, basta-nos estar na companhia do Senhor para nos sentirmos seguros. A inquietação, o medo e a covardia nascem quando a nossa oração murcha. Deus sabe bem tudo o que se passa conosco. E se for necessário, silenciará os ventos e o mar, e fará uma grande calmaria.

Como nos ensina São Bernardo “se se levantarem os ventos das tentações, olha para a estrela, chama por Maria. Não te extraviarás se a segues, não desesperarás se lhe rogas, não te perderás se nela pensas. Se ela te sustenta, não cairás; se te protege, nada terás a temer; se te guia, não te fatigarás; se te ampara, chegarás ao porto”,ela nunca nos abandona.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva 

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