Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Lectio Divina – 1º Domingo do Tempo da Quaresma 2015

21/02/2015 10:40

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Se o Advento é por excelência o tempo que nos convida a esperar no Deus-que-vem, a Quaresma renova-nos na esperança n'Aquele que nos faz passar da morte para a vida. São dois tempos de purificação, visto na cor litúrgica que têm ambas em comum, mas de modo especial a Quaresma, é o tempo totalmente orientada para o mistério da Redenção, e é definida como sendo “um caminho de verdadeira conversão”. (Homilia Papa Bento XVI, Missa e Imposição da Cinzas, 2008

A Quaresma é para nós é um tempo forte de conversão e renovação em preparação à Páscoa. É um tempo onde devemos rasgar o coração e voltar-nos ao Senhor, um tempo que retomamos o caminho e nos abrimos à graça do Senhor, que nos ama e nos socorre.

Já no Evangelho deste primeiro Domingo da Quaresma vemos Jesus sendo conduzido pelo Espírito ao deserto (Mc 1, 12) onde foi tentado pelo diabo. Esta tentação tem uma relação direta com a missão que ele recebeu e que tinha sido revelada à beira do Jordão.

A tentação vivida por Jesus é por excelência aquela de que fala o livro do Génesis: “ser como deuses” (Gên 3, 5); a tentação do orgulho radical que tem ciúmes de Deus deseja que tudo se refira a si mesmo, até a não dependência de Deus.

Jesus viveu de forma muito real e concreta a tentação. A carta aos Hebreus vai dizer que Ele “foi provado em tudo, à nossa semelhança, exceto no pecado” (Heb 4, 15). Até mesmo mais tarde, irá experimentar a tentação da violência na hora da paixão e será desafiado a descer da cruz para exibir o seu poder.

“Diariamente, nós cristãos temos de suportar um combate parecido ao que Cristo viveu no deserto da Judeia, no qual foi tentado pelo diabo durante quarenta dias”... Trata-se de um combate espiritual dirigido contra o pecado e, no fundo, contra Satanás. É um combate que implica toda a pessoa e exige uma constante e atenta vigilância. (Papa Bento XVI)

Meditar sobre as tentações às quais Jesus é submetido no deserto é um convite para cada um de nós a responder a uma pergunta fundamental: o que é que conta verdadeiramente na nossa vida?Pergunta não muito fácil de ser respondida, mas, em síntese com tal preciso é antes que respondamos a outra questão: Qual é o fundamento das tentações sofridaspor Jesus?A resposta será sempre a de querer manipular Deus, de usá-Lo para os próprios interesses, para a própria glória e o próprio sucesso. E também, em sua essência, de colocar a si mesmo no lugar de Deus, removendo-O da própria existência e fazendo-O parecer supérfluo. Cada um deveria perguntar-se então: que lugar tem Deus na minha vida? É Ele o Senhor ou sou eu?

Somos constantemente chamados a superar e vencer as tentações. Mas como? Como não deixar ser instigado pela voz do maligno tentador? Como podemos deixar a voz da graça ser mais forte que minhas tendências, que minhas fraquezas?

A resposta está na luta de superar em nós o fechamento ao nosso egoísmo e nos abrir-nos ao amor de Deus e dos outros, podemos dizer que corresponde à alternativa das tentações de Jesus: alternativa, isso é entre o poder humano e amor da Cruz, entre uma redenção vista somente no bem-estar material e uma redenção como obra de Deus, a quem damos o primado da existência.

Precisamos superar a tentação de submeter Deus a nós mesmos e aos nossos próprios interesses, ou de colocá-Lo em um canto, e converter-nos à justa ordem de prioridade, de dar a Deus o primeiro lugar, a primazia do ser, é um caminho que nós devemos percorrer sempre e de novo. “Converter-se”, é um convite que escutamos muitas vezes na Quaresma, não é verdade? Significa que nós precisamos seguir Jesus de modo que o seu Evangelho seja concreto na nossa vida; significa deixar que Deus nos transforme, parar de pensar que somos nós os únicos construtores da nossa existência; significa reconhecer que somos criaturas, que dependemos de Deus, do seu amor, e somente “perdendo” a nossa vida Nele podemos ganhá-la.

O Bispo de Hipona Agostinho diz que,“na nossa passagem por este mundo, nossa vida não pode escapar à prova da tentação, dado que nosso progresso se realiza pela prova. De fato, ninguém conhece a si mesmo sem ser experimentado, e não pode ser coroado sem ter vencido, e não pode vencer se não tiver combatido e não pode lutar se não encontrou o inimigo e as tentações”.

Sempre na quaresma seremos chamados ao deserto, para um confronto conosco mesmos, com Deus e com o próximo e os bens materiais. Somos chamados a despojar-nos de nós mesmos para nos revestir de Deus.

É preciso lembra-nos sempre que o demônio promete sempre mais do que pode dar. A felicidade está muito longe das suas mãos. Toda a tentação é sempre um engano miserável! Mas, para nos experimentar, o demônio conta com as nossas ambições. E a pior delas é desejar a todo o custo a glória pessoal; a ânsia de nos procurarmos sistematicamente a nós mesmos nas coisas que fazemos e projetamos. Muitas vezes, o pior dos ídolos é o nosso próprio eu. Temos que vigiar, em luta constante, porque dentro de nós permanece a tendência de desejar a glória humana, apesar de termos dito ao Senhor que não queremos outra glória que não a d’Ele.

Na Quaresma sentiremos ressoar com frequência o convite a converter-nos e a crermos no Evangelho, e seremos constantemente estimulados a abrir o espírito ao poder da graça divina. Façamos tesouro dos ensinamentos que a Igreja nos oferecerá abundantemente nestas semanas.

Jesus “é a mão que Deus estendeu ao homem, à ovelha perdida, para salvá-la. Como ensina Santo Agostinho, Jesus tomou de nós as tentações, para dar-nos sua vitória”. (Santo Agostinho)

Que a Mãe de Deus, a Virgem e doce Maria esteja ao nosso lado neste tempo quaresmal em busca de uma conversão sincera e autêntica para que decididos a um esforço maior de penitência, de jejum e de oração vençamos a voz do maligno tentador.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

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