Igreja Una Santa Católica e Apostólica


Imposição de mãos por leigos

04/08/2014 11:46

Antes de começar, devo ressaltar que não sou contra a RCC. Reconheço que ela possui seus valores e tem feito um bom trabalho para reaproximar as pessoas da Igreja ou, pelo menos, impedindo que estas saiam da Barca de Pedro.

O grande problema não é o movimento em si, mas os abusos cometidos por alguns de seus membros, principalmente em matéria litúrgica, mas não limitados a. Alguns empolgados encaram a RCC como maior que a Igreja e, por conta disso, começam a inventar coisas contrárias aos ensinamentos dela. Pior ainda são os membros que não suportam serem corrigidos em seus abusos.

Esclarecimento feito, vamos ao que interessa: o abuso de querer impor as mãos sem ser um sacerdote ordenado.

A imposição de mãos é um sacramental, que simboliza a efusão do Espírito Santo, o que pode ser confirmado no número 699 do Catecismo da Igreja Católica:

“A Igreja conservou este sinal da efusão onipotente do Espírito Santo em suas epicleses sacramentais.”

Existem várias ocasiões em a imposição de mãos é feita, como no Sacramento da Confirmação, ou Crisma, e no da Ordem.

Qual a utilidade de um leigo impor as mãos sobre outra pessoa para rezar por ela? Nenhuma. Conforme visto, a imposição de mãos é um sacramental e somente pode ser feita por sacerdotes, já que estes têm as mãos ungidas, algo que não um leigo não tem. Ora, se um leigo não possui as mãos consagradas, não pode fazer a efusão do Espírito Santo. Além disso, impor as mãos, sendo um gesto sacerdotal, é uma tentativa de igualar o sacerdócio leigo com o sacerdócio ordenado. Justamente para mostrar que leigos não são sacerdotes é que existe essa restrição.

A Carta encíclica “Mediator Dei”, de Sua Santidade o Papa Pio XII é clara nessa restrição:

“Somente aos apóstolos e àqueles que, depois deles, receberam dos seus sucessores a imposição das mãos, é conferido o poder sacerdotal em virtude do qual, como representam diante do povo que lhes foi confiado a pessoa de Jesus Cristo, assim representam o povo diante de Deus. Esse sacerdócio não vem transmitido nem por herança, nem por descendência carnal, nem resulta da emanação da comunidade cristã ou de delegação popular.”

Mesmo com tantas objeções em contrário, muitos leigos insistem em se utilizar desse gesto exclusivo de sacerdotes, muito utilizado por seitas pentecostais protestantes, onde não existe uma hierarquia.

Inclusive, alguns blogs carismáticos chegam ao cúmulo de distorcer as palavras da Bíblia na pífia tentativa de justificar a imposição de mãos por leigos. Primeiramente, existe uma clara tentativa de diferenciar, inutilmente, a imposição de mãos para crisma ou ordenação daquela para simples oração.

Feita essa diferenciação, utilizam-se dos seguintes trechos da Bíblia como argumentos para justificar o injustificável:

Argumento 1: O Segundo tipo de imposição de mãos é também conhecido nas Escrituras. Em Marcos 16,17-18, o Senhor Jesus ressuscitado promete. Ele não diz que estes sinais acompanharão somente os nomeados como apóstolos ou líderes.

Refutação 1: No trecho de Marcos 16,17-18 não há nada que mostre que leigos podem impor as mãos. O que mostra é que as pessoas que creem verão milagres, como expulsão dos demônios, falar novas línguas, manusear serpentes, beber veneno mortal sem consequências e cura dos doentes por imposição das mãos. No versículo anterior, que não foi citado na argumentação, vemos que Jesus estava presente com os onze apóstolos, ou seja, eles é que foram enviados, eles é que farão tais milagres e eles que imporão as mãos para a cura dos enfermos.

 

Argumento 2: Em At 9,17, vemos Ananias, um fiel comum que, que sendo guiado pelo Espírito Santo, impôs suas mãos sobre Saulo para que este recuperasse a visão e fosse cheio do Espírito.

Refutação 2: Mais uma vez, o contexto foi ignorado, pois ao se observar o versículo 10, vemos:

"Havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor, numa visão, lhe disse: Ananias! Eis-me aqui, Senhor, respondeu ele."

Ananias pode ter sido um discípulo comum, apenas um seguidor de Cristo, mas recebeu uma missão especial diretamente de Deus! Podemos notar que se trata de um caso especial, algo raro, uma exceção feita pelo próprio Deus, não uma regra. Seria absurdo qualquer pessoa sair declarando que recebeu uma “missão especial” diretamente de Deus. Pensamentos assim, muitas vezes, são causa de acontecimentos absurdos e até mesmo tragédias.

 

Argumento 3: Tiago 5,14-16, instrui a todo aquele que estiver enfermo “a chamar os sacerdotes da Igreja (presbíteros), e estes façam oração sobre ele, ungindo com óleo em nome do Senhor”, mas então acrescenta “confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados.

Refutação 3: É brincadeira forçar a barra dizendo que quem é para receber a oração e unção é o sacerdote que foi chamado. Isso não é pajelança, onde o índio chega, fazem todo um ritual com ele e o enfermo fica só olhando esperando ser curado. Que forçada de barra inocente, para não dizer desonestidade intelectual das bravas.

 

Argumento 4: At 13,3, a comunidade como um todo impõe as mãos sobre Barnabé e Saulo para prepará-los e rezar para a unção do Espírito em sua missão.

Refutação 4: Mais um caso de versículo pinçado à la protestante, desconsiderando os dois primeiros versículos do capítulo, onde se vê claramente quem impunha as mãos:

“Havia então na Igreja de Antioquia profetas e doutores, entre eles Barnabé, Simão, apelidado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo. Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.”

Segundo a nota de rodapé da Bíblia de Jerusalém, tais profetas e doutores representam o governo da Igreja. Logo, se representam o governo da Igreja, não são leigos.

Portanto, penso que já está mais que esclarecido que a imposição de mãos é algo destinado exclusivamente aos sacerdotes, sendo tal gesto "importado" de seitas protestantes pentecostais, onde não hierarquia com diferenciação entre fiéis e sacerdotes.

Por Alexandre Dias

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