Domingo de Ramos

24/03/2013 22:39

Evangelho (Procissão): (Lc 19, 28-40) Primeira Leitura: (Is 50, 4-7) Segunda Leitura:(Fl 2, 6-11)Evangelho: (Lc 23, 1-49)

 

Lectio Divina

“Bendito o que vem,

O Rei, em nome do Senhor!”

Mas quem é esse Rei? É Cristo Jesus, a Sabedoria encarnada, o Verbo de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, por Quem todas as coisas foram feitas, consubstancial ao Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, o Senhor do Céu e da Terra.

Mas é cheio dessa glória que este Rei se apresenta na sua entrada messiânica em Jerusalém? Não! Pois não se apegou a condição divina, Cristo rebaixou-se de uma maneira inimaginável para a razão humana, jamais a limitada sabedoria humana poderá alcançar a grandiosidade deste mistério.

Este rebaixamento, por si próprio já seria o suficiente para servir de exemplo, mas Jesus não se contenta com o suficiente, Ele vai além: priva-se de toda gloria humana. Ele, que é maior do que qualquer Rei terreno e maior que todos eles juntos, realiza  sua entrada messiânica em cima de um jumentinho, não em grandes carruagens nem em cavalos imperiais, mas num simples jumentinho. Não cercado de poderosos guardas, mas por pescadores, cobradores de impostos, enfim por seus humildes discípulos.

Jesus, entretanto é maior que todos os reis, maior que Salomão, pois antes de Salomão ser Ele é. O Senhor, portanto sendo o homem perfeito, a plenitude do que Deus quis para a natureza humana experimentará, por meio daqueles por quem se entrega, toda a miséria da natureza humana decaída, manchada pelo pecado, privada da graça divina; a inconstância do homem inclinado para mal levará o Senhor a viver a exaltação e a mais profunda humilhação.

Mas foi para isso que este Rei veio, para dar uma palavra de consolo a esta humanidade cansada com o fardo do pecado, uma palavra que traz esperança, que traz salvação, oferecendo-se a si mesmo em sacrifício, apresentando as espáduas aos que Lhe feriam e as faces àqueles que lhe arrancavam a barba; não desviando o rosto dos ultrajes e dos escarros, entregando-se por completo até a morte e morte de cruz pelos homens que O exaltam e O condenam a morte.

O Rei Jesus é aquele que conhece perfeitamente a sua missão e a cumpre plena e integralmente. Ele sabe bem para quê está vindo à Jerusalém, e por isso até o fim é fiel e coerente a tudo que Lhe cabe: reafirma Sua divindade e Sua realeza, entrega-se sem oferecer resistência ou invocar legiões de anjos para salvá-lo; consola os desesperados, vive toda sua paixão sem abster-se de nada, necessitando inclusive da ajuda do Cirineu; suporta a zombaria; pede perdão pelos que o condenam e salva aquele que na dor O reconhece como Senhor e Rei.

Por fim, Cristo Deus morre humilhado na Cruz... pois não veio salvar-Se a Si mesmo, mas para dar a vida por suas ovelhas  – como bom Pastor – para ser o Bendito Fruto da Árvore da Cruz, arvore da Vida,  para fazer nascer do Seu lado sua Esposa a Santa Igreja.

Corramos então a este Rei, com ramos na mão, e não deixemo-nos calar pelo relativismo, pelas vicissitudes da vida, pelas perseguições, pelas zombarias, pelo respeito humano, pela covardia. Corramos ao encontro do Rei com os pulmões plenos anunciando a Verdade que é Cristo Deus, e não nos permitamos testemunhar as pedras falarem por nós.

Sejamos coerentes com o que professamos, e que podemos professar graças a Esposa de Cristo a qual confiada o depósito da Fé, e na qual, podemos rasgar o véu do tempo e em cada Santa Missa, na Sagrada Liturgia, e entrar com Jesus em Jerusalém e estar aos pés da Cruz no Calvário.

Atentemo-nos para não ir ao encontro de Jesus com soberba, com pobre curiosidade ou mero interesse humano para não nos travestirmos de Herodes e não reconhecer a Cristo, zombando do Senhor, com nossas palavras, com nossa negligência em anuncia-Lo, em nosso contratestemunho, com nossa vergonha de professá-Lo, com nossa covardia em nos expor, com a nossa mediocridade em “lavar as mãos”, com nossa infidelidade e desamor a Mãe  Igreja instituída por Ele, que como Rei nos deixa esta Monarquia Santa que tem o Papa por Imperador.

Deixemo-nos ser inflamados do Santo Espírito, para irmos ao encontro do Rei Jesus bendizendo a Deus e decididos a mergulhar no mistério da Sua Paixão e Morte com nossas mentes, corações e principalmente com nossas vidas.  Permitindo que esta sublime realeza do Senhor se estabeleça em nossa alma,  para que nossas aflições, nossas tristezas, nossas  alegrias , nossos desejos sejam conduzidos por Ele e para Ele, onde tudo ganha verdadeiro sentido e real valor e a glória humana não é desejada.

Que nesta nossa vida permeada de dificuldades - onde nos cansamos da batalha diária, nos decepcionamos frequentemente com as pessoas, frustramo-nos em relação às nossas expectativas, magoamos e somos magoados, falhamos nos nossos projetos, somos humilhados  e por fim desanimamos - possamos nos abandonar  confiantes e determinados nas mãos  deste Rei, que conhece a nossa humanidade, para que Ele nos mergulhe na sua Misericórdia, e lá ouçamos aquela palavra que consola, pois traz a esperança da Salvação e a certeza do Seu amor infinito.

Por fim, que nesta esperança e certeza, sirvamos ao mesmo Jesus levando o Senhor para que outros possam gritar: ”Bendito o que vem, o Rei, em nome do Senhor”, transformando-nos em canais do consolo divino ainda que rodeados de tribulação, afim de nos assemelharmo-nos a Nosso Senhor, que consola humilhado e carregando a Cruz.    

 

Por Wellington Vieira

 

 

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