Depressão - Doença de quem ama sozinho

21/07/2014 13:59

Existe uma crescente no mundo de uma doença que está afetando cada vez mais pessoas, independente de sua classe, cor, sexo, condição social. A depressão.

Segundo números de 2013, 350 milhões de pessoas estariam depressivas e o número só tende a aumentar. Como podemos entender esse fenômeno.

Veja bem, não vou analisar clinicamente ou psicologicamente casos, não tenho competência técnica para isso, mas realizar uma abordagem sobre experiências que já vivi e tenho a certeza que você também já viveu.

É importante antes de ler as considerações que estão abaixo que em comunidades simples, o índice de depressão é baixíssimo, sendo proporcionalmente contrário nas cidades mais desenvolvidas, onde a “competição social” é voraz. Isso demonstra que nós criamos barreiras, impedimentos e complicamos aquilo que temos de mais belo: o convívio. Tudo isso em uma era de tecnologia e grande poder econômico.

 

Achamos que somos o princípio e o fim do mundo

Somos criados para sermos bons - os melhores - e de preferência sozinhos. Sim, somos treinados a sermos individualistas. Conheço pessoas que tem a “certeza” que após sua morte suas empresas vão falir. Que sua família vai se separar e que o sol vai para de nascer… Pessoas se deprimem, pois, vivem para elas, e começam a perceber que elas não podem suprir as suas expectativas.

Já reparou naquela pessoa que briga com um, termina o namoro com outro, e não consegue fica bem com ninguém? Sempre o problema é o outro. Eu chamo essas pessoas de “acendedores do sol” devido a grande importância que se dão sobre a vida dos outros.

Tenho uma triste notícia para você se acha assim: Após a sua morte, o mundo será mundo ainda, apesar de você não estar aqui, o sol vai brilhar, os pássaros cantar, as donas de casa irão a feira, enfim, vida normal até para aqueles que mais te amam… 1 mês triste, 2 meses de saudades, 3 meses de nostalgia, mas depois, vida normal.

Você se machuca, pois, faz uma ideia errada de sua pessoa, se dando importância que você não tem. Acorda!

Jesus nos ensina que Ele é o princípio e o fim (Ap. 1,8 e Ap. 22, 13). Aquele que já existia antes de tudo (Jo, 1, 1-5) não pode ser comparado a nossa vida. Ao tentarmos nos colocar no mesmo patamar (como se fosse possível) nós nos perdemos nesse abismo e criamos falsas expectativas. Isso deprime.

 

Achamos que estamos sozinhos no mundo

Outro extremo do “acendedor do sol” é o “eu sou a lenda”. O solitário que se acha desprezível e absolutamente incapaz de tudo. Ele pode pensar que já que não tem esses superpoderes, nada pode fazer. Errado. É um pensamento perverso o que “se limitar a sua limitação”.

Esse pensamento limita a ação da fé como instrumento de superação.

Jesus no Evangelho segundo São Mateus (Mt. 17, 20) nos ensina:

Jesus respondeu: “É porque vocês não têm bastante fé. Eu garanto a vocês: se vocês tiverem fé do tamanho de uma semente de mostarda, podem dizer a esta montanha: 'Vá daqui para lá', e ela irá. E nada será impossível para vocês.”.

A fé requer vontade e atitude. Não é uma fórmula mágica, um estado mental, mais um ato de abandono.

 

Achamos que não podemos fazer nada pelo mundo

Com essa tristeza profunda, podemos achar que não podemos fazer nada por nós, nem pelos outros. Veja bem, como disse, o problema principal do depressivo é ter uma pesperctiva do mundo a partir do “seu umbigo”. Se ele está mal no emprego “o mundo inteiro não presta”, se o pombo lhe deu um presente na camisa nova “o mundo inteiro não presta”, nada pode estar bom, por que ELE (ou ELA) está ruim.

Daí pode haver duas atitudes:

- Reconhecer-se impotente em relação a certas coisas, confiando seu caminho a Deus (o que não quer dizer passividade, no pior sentido do termo).

- Ou a famosa e consagrada “Síndrome da Gabriela”. Sim, do “eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim…” o que só vai fazer com que se agrave ainda mais o sofrimento, pois, criará uma falsa sensação de felicidade em alguns momentos, mas incapazes de preencher o vazio do coração.

 

Achamos que o tempo não passa para nós

Sim, o tempo passa para todos, eterno só Ele, o Senhor. Essa é uma verdade que deve nos perseguir. Eu não sou eterno, eu não vou botar semente, eu não controlo meu tempo aqui. Nunca vi ninguém dizer: “Eu ia morrer agora, mas achei melhor ficar vivo mais 34 anos… Poxa, tenho mais coisas para conquistar”. Não se tem controle sobre o tempo aqui, na terra que estamos de passagem.

 

Achamos que somos intocáveis pela vida

Acidentes, fatalidades, doenças e muitas coisas acontecem no mundo todos os dias. Mais quando acontece com você (ou com alguém próximo) sua reação é dizer: “Por que Senhor! Por que comigo?”. Bem, saiba, Deus deve olhar pra você e retrucar: “Por que com você não?”.

Nós nos achamos tão importantes, tão modelo da criação, tão protótipo da perfeição que quando acontece o que poderia acontecer com qualquer um nos revoltamos contra Deus.

Passamos assim a questionar Deus, que muda do “Senhor bonzinho de barba branca” ao “sanguinário manipulador de vidas e controlador de marionetes”. Esquecemos que o joio nasce com o trigo e que ao final, o ceifeiro cortará os dois, mas só irá ao fogo o joio e só será guardado o trigo, pois teve a origem na sua semente. (Mt. 13, 24-30). Como é difícil para alguém que está triste acreditar que é trigo.

Portanto, Deus sabe o que você passa. Peçamos a ele um coração novo, disposto a amar e aceitar ser amado. Disposto a perdoar e ser perdoado. Com força para lutar, mas sabendo que a verdadeira vitória é D’Ele, o princípio e fim do Mundo.

A depressão é a doença de quem ama sozinho.

 

 

Marco Antonio Alencar de Mesquita

Maria Regina Caeli intercedenti

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