DeMolay o grupo jovem da Maçonaria!

17/04/2013 18:21

O que é a DeMolay?

Em síntese: A Ordem DeMolay deriva seu nome do Grão-Mestre Jacques de Molai, da Ordem dos Templários, vítima de difamação e morto em 1314. Tal Ordem reunia Cavaleiros destinados a proteger os peregrinos que visitavam a Terra Santa; o nome de Templários lhes foi dado pelo fato de terem sua sede principal junto à Esplanada do antigo Templo de Salomão em Jerusalém.

 O mestre maçom Frank Shermann Land resolveu fundar em 1919 uma sociedade, dita "Ordem DeMolay", destinada a formar jovens de 13 a 21 anos no exercício de sete virtudes principais aptas a torná-los cidadãos úteis à sociedade. Não é dito ao público como ou segundo que estilo é ministrada a formação aos membros da Ordem.

 Tal iniciativa, patrocinada e orientada pela MAÇONARIA, é incompatível com os princípios do Catolicismo ou mesmo do Cristianismo (várias confissões cristãs não católicas condenaram a MAÇONARIA). Uma das razões desta incompatibilidade é o caráter relativista que a MAÇONARIA assume frente a Deus e à própria verdade; ademais a MAÇONARIA nos países latinos da Europa e da América se tornou explicitamente avessa ao Catolicismo; parece que até hoje é sociedade em que tendências anti-religiosas persistem. — Ora tal orientação fundamental das Lojas não pode deixar de influir nos quadros e nas atividades da Ordem DeMolay. Mais: para formar bons cidadãos, já existem várias escolas confessionais, inclusive católicas; a Ordem, porém, parece não reconhecer o valor destas, já que enfatiza unilateralmente o apoio às escolas públicas.

 A chamada "Ordem DeMolay" vem exercendo suas atividades entre colegiais, incitando-os a uma vida ética e procurando inscrevê-los em suas fileiras. O nome DeMolay é desconhecido à maioria, de modo que muitos perguntam qual a filosofia específica que possa estar implicada em tal título e na agremiação que o professa. É o que procuraremos explanar, valendo-nos da obra de Wilton Cunha: "Ordem DeMolay. Introdução à sua Filosofia" (Coleção MAÇONARIA Universal. Ed. Mandarino, Rio de Janeiro).

 1. QUEM FOI JACQUES DE MOLAI?

 Jacques de Molai (1245-1314) foi Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo. Esta foi fundada por Hugues de Payns em 1119 para manter a boa ordem na Terra Santa e proteger os peregrinos que desejassem visitar os lugares sagrados. Tiveram sua sede principal perto da Esplanada do antigo Templo de Salomão em Jerusalém; daí o nome de "Cavaleiros do Templo" ou "Templários". Desenvolveram atividades benéficas em favor dos cristãos que corriam o risco de peregrinar ao Oriente. Todavia, uma vez tendo caído o Reino Latino na Terra Santa, os Cavaleiros Templários perderam, de certo modo, a sua razão de ser; além do quê, eram proprietários de muitos bens, que lhes haviam sido doados pelos nobres e fiéis, em sinal de estima. O rei da França Filipe IV o Belo, cobiçoso de tais bens, moveu, a partir de 1307, candente campanha contra os Templários, difamando-os e mandando prender muitos que viviam em território francês. O Grão-Mestre Jacques de Molai foi especialmente visado: é de crer que tenha sido vítima de pressões violentas da parte dos agentes do rei: em 24/25-10-1307, na presença de um tribunal régio, confessou os crimes de que a Ordem dos Templários era acusada; mas em 1308 perante delegados do Papa Clemente V (que não lhe inspiravam o medo que os representantes do rei suscitavam), negou tais crimes. Em 1308, diante de delegados do rei, reconheceu graves faltas dos Templários; em 1309 tomou atitude contrária; e aos 18 de março de 1313 morreu protestando sua inocência.

 Esta figura de Grão-Mestre, que, como se crê, foi vítima de calúnias e morreu após muito sofrer, tomou-se, de certo modo, símbolo de heroísmo e magnanimidade. Eis por que no século XX um maçom, de origem protestante, como Frank Shermann Land, houve por bem fundar uma Sociedade ou Ordem destinada a fomentar honestidade, fidelidade, cortesia... entre adolescentes e jovens sob o patrocínio de Jacques de Molai.

De resto, entre Maçons e Templários há quem queira estabelecer um relacionamento. Os maçons são antigos pedreiros ; dizem ter origem remota nos pedreiros que construíram o Templo de Salomão no século X aC; a sua linhagem terá passado por todos os grandes construtores de templos e catedrais da Idade Média e também pelos Cavaleiros Templários dos séculos XII/XIV. — Não há dúvida, porém, de que esta filiação da MAÇONARIA Moderna às sociedades pré-cristãs e aos Templários medievais é fictícia. A MAÇONARIA dos séculos XVIII e seguintes é a sucedânea das corporações de pedreiros medievais, com a diferença, porém, de que os medievais eram profissionais cristãos da construção civil, ao passo que os maçons modernos já não praticam a construção civil, mas são filósofos movidos por intenções sócio-políticas e atuantes no campo da organização da sociedade.

 Vejamos agora os traços do fundador da Ordem DeMolay.

 2. O FUNDADOR: "TIO LAND"

O fundador da Ordem foi Frank Shermann Land, nascido no ano de 1890 em Kansas City (U.S.A.). Foi educado no protestantismo, freqüentando a Escola Dominical congregacional de Saint-Louis. Adolescente, Frank S. Land resolveu criar sua própria escola de formação bíblica no porão de sua casa, funcionando domingo à tarde; um pequeno órgão doado por amigos acompanhava suas preleções, de modo que ia aumentando o número de discípulos; Frank pregava enfaticamente a prática das virtudes essenciais a qualquer bom cidadão: honestidade, lealdade, fidelidade ao dever...

Tendo completado seus estudos escolares, Frank tomou parte ativa em projetos da igreja e da sua cidade. Com dezenove anos de idade, era dirigente de restaurante de sucesso; como artista amador, trabalhava para embelezar a cidade. Entrou na MAÇONARIA, onde foi tão bem aceito que, aos 25 anos de idade, era Diretor do Escritório de Serviços Sociais do Rito Escocês.

As atividades de Frank junto aos jovens levaram-no finalmente a fundar a Ordem DeMolay aos 18/03/1919 em Kansas City (U.S.A.), tendo em vista formar jovens de 13 a 21 anos de idade como bons cidadãos e líderes de personalidade desenvolvida. Tal Ordem não é uma instituição maçônica, mas é orientada e dirigida por maçons.

A imagem de Frank Shermann Land foi-se projetando sempre mais, a tal ponto que em 1958 o Presidente Eisenhower, dos Estados Unidos, o declarou "cidadão extraordinário".

Com 35 anos foi condecorado com o Grau 33o da MAÇONARIA, distinção esta que não é concedida a pessoas de tão pouca idade.

Após uma vida de esforços e luta em prol dos seus ideais, Frank Shermann Land, o "tio Land" (como era chamado), expirou aos 8 de novembro de 1959; foi então reconhecido como "um amigo do mundo" e "uma personalidade que tinha o poder de conseguir o melhor em todas as vidas onde sua vida tocava".

 Importa-nos agora examinar com mais atenção o que seja

 3. A ORDEM DeMOLAY

 A p. 21 do livro citado lê-se:

 "A Ordem DeMolay é uma organização de formação do caráter dos jovens de treze a vinte e um anos de idade, que estão procurando se preparar para serem melhores cidadãos e líderes para o futuro, desenvolvendo o conjunto de fatores que formam a personalidade de todos os homens de bem que lutam pela emancipação pacífica e progressista da humanidade.

 

Frank Shermann Land melhor definiu a Ordem DeMolay como 'DeMolay é conforme uma religião que é difícil definir. Trabalha de tantas maneiras e pratica tantas boas ações para e em benefício de um jovem que realmente tem que ser experimentada para ser totalmente compreendida, avaliada e apreciada... Falando literalmente, DeMolay é uma organização de jovens cuja finalidade é formar melhores cidadãos' ".

 A Ordem DeMolay é constituída de núcleos ou Capítulos, que devem obediência ao Supremo Conselho Internacional da Ordem DeMolay. Cada Capítulo é patrocinado e dirigido por um Grupo Maçônico regularmente reconhecido.

 — número de associados de um Capítulo é limitado a rapazes

— que não tenham ainda 21 anos de idade,

— que professem uma crença em Deus e reverência a seu Santo Nome,

— que afirmem lealdade a seu país e respeito à Bandeira Nacional,

— que aderem à prática de moral pessoal,

— que fazem votos de seguir os elevados ideais típicos das sete virtudes cardeais da Coroa da Juventude,

— que aprovem a filosofia da Irmandade Universal do Homem e a nobreza de caráter exemplificada pela vida e morte de Jacques DeMolay,

— que estejam cientes de que o ingresso na Ordem DeMolay, que não é uma organização maçônica juvenil, não lhes garantirá no futuro a iniciação em um corpo Maçônico.

 As sete virtudes cardeais atrás mencionadas são: Amor Filial, Reverência pelas Coisas Sagradas, Cortesia, Amizade, Fidelidade, Pureza e Patriotismo.

 O objetivo do cultivo destas virtudes é "a compreensão mútua dos valores culturais e sociais de cada nação, independentemente de origem, raça, cor, nacionalidade, religião e língua".

 A ética de um DeMolay se exprime nos seguintes itens:

 "Um DeMolay serve a Deus.

Um DeMolay honra todas as mulheres.

Um DeMolay ama e honra seus pais.

Um DeMolay é honesto.

Um DeMolay é leal a ideais e amigos.

Um DeMolay executa trabalhos honestos.

Um DeMolay é sempre um cavalheiro.

Um DeMolay é um patriota tanto em tempo de paz quanto em tempo de guerra.

Um DeMolay sempre permanece inabalável a favor das Escolas Públicas.

Um DeMolay sempre possui a fama de um bom cidadão, cumpridor das leis.

A palavra de um DeMolay é tão válida quanto sua confiança. Um DeMolay é o orgulho de sua Pátria, seus Pais, sua Família e seus Amigos.

Um DeMolay, por preceito e exemplo, deve manter os elevados níveis aos quais ele se comprometeu" (p. 24 da obra citada).

 Como se vê, o texto não toca em religião; a Ordem exige, sim, que cada um de seus membros creia em Deus e Lhe sirva... Pouca coisa mais se encontra no livro de Wilton Cunha sobre as exigências e as atividades da Ordem DeMolay. Pode-se dizer, em síntese, que ela pretende contribuir para a formação do caráter dos jovens de 13 a 21 anos, incutindo-lhes a prática das virtudes humanas na base do respeito a Deus, respeito que não é explicitado num Credo religioso. Nada mais se pode apurar da leitura da obra de Wilton Cunha; o leitor ignora quais os métodos aplicados para obter os objetivos colimados ou qual o estilo de vida dos membros da Ordem DeMolay.

 Wilton Cunha ainda pode acrescentar:

"Mais de três milhões de jovens já se ajoelharam perante os Altares da Ordem DeMolay em todo o mundo; atualmente existem mais de 111.000 jovens DeMolay em doze países espalhados pela superfície da Terra, com mais de 5.000 Capítulos sob o patrocínio de Grandes Lojas, Grandes Orientes, Supremos Conselhos, Lojas Simbólicas, Corpos Filosóficos, agrupamentos de maçons..." (p. 16).

 Resta a pergunta:

 4. QUE DIZER?

 Três observações parecem impor-se:

 4.1. MAÇONARIA e Cristianismo

 A Ordem DeMolay é de inspiração e orientação maçônicas, como dizem claramente os seus mentores. Notemos que existem dois ramos na MAÇONARIA: a) o Regular, que conserva a crença no "Grande Arquiteto do Universo", o respeito a Deus e à Bíblia, como o tinham os fundadores da primeira Loja Maçônica Moderna em 1717. Tal é a MAÇONARIA dos países nórdicos da Europa e da América; b) o Ramo Irregular da MAÇONARIA é o que renega a Deus e tem militado contra a Religião nos países latinos da Europa e da América.

 Ora a Ordem DeMolay parece orientada pela MAÇONARIA Regular. Todavia em nossos dias a MAÇONARIA em geral segue uma linha de pensamento preponderantemente relativista não só em relação a Deus, mas também em relação à própria verdade. Esta é uma das razões pelas quais a Igreja Católica não aceita a MAÇONARIA.

 A Ordem DeMolay, inspirada pelos líderes maçônicos, adota conseqüentemente tal modo de pensar relativista. Mais: não pode deixar de estar impregnada de outras concepções maçônicas, as quais de modo geral não se coadunam com os princípios do Catolicismo. Aliás, é de notar que a rejeição da MAÇONARIA não é atitude exclusiva da Igreja Católica; é a posição também de outras confissões cristãs na própria Inglaterra, onde a MAÇONARIA Moderna teve origem. A propósito já escrevia o Pe. Jesus Hortal S.J. em PR 369/1993, p. 77:

 "A Igreja da Inglaterra (Anglicanos) é conhecida pelas suas estreitas relações com a MAÇONARIA. O antigo arcebispo de Cantuária, Fisher, era sabidamente maçom. Mesmo entre nós, no Brasil, vários dos ministros da Igreja Episcopal, incluindo bispos, são ou foram maçons. Apesar desses laços históricos, em 1986, uma comissão especial anglicana de sete membros, incluindo dois maçons, publicou um documento com o título Franco-MAÇONARIA e Cristianismo são incompatíveis? A conclusão era claramente afirmativa e baseava-se no caráter pelagiano da concepção maçônica de aperfeiçoamento e salvação do homem. O Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra, realizado em York, em 1987, aprovou, por 394 votos contra 52 e 5 abstenções, a declaração de incompatibilidade entre MAÇONARIA e fé anglicana.

 Em 1985, a Igreja metodista (da Inglaterra) condenou o sincretismo anticristão da MAÇONARIA. As Igrejas evangélicas americanas do Missouri e do Wisconsln já haviam-se pronunciado na mesma linha em 1967. A Igreja Ortodoxa nunca retificou a declaração contra a MAÇONARIA, publicada em 1933. Também a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa Antioquena mantém, no Brasil, essa atitude.

 Conforme um jornal católico da Holanda (23/05/89), em 20 de maio de 1989, o Sínodo Geral da Igreja Presbiteriana da Escócia aprovou, por grande maioria, o texto duma circular dirigida aos membros maçons da Igreja, convidando-os a abandonar a MAÇONARIA, por ser ela inconciliável com a fé cristã.

 As três principais Igrejas luteranas dos Estados Unidos (American Lutheran Church, Lutheran Church Missouri Synod, Lutheran Church in America) proíbem que seus pastores pertençam a MAÇONARIA; no que respeita aos membros leigos, não há atitude unânime: a LCMS o proíbe, a ALC o desaconselha, a LCIA o permite".

 

4.2. Escola Pública e Escola Particular

 A Ordem DeMolay enfatiza grandemente "inabalável apoio às Escolas Públicas". Esta é, entre outras, uma tese maçônica. A Igreja Católica propugna, ao lado da Escola Pública, a existência da Escola Particular. Esta pertence ao regime democrático. Com efeito; compete aos genitores o direito de educar seus filhos segundo a filosofia que mais oportuna lhes pareça; para que isto possa acontecer, é necessário que, além da escola pública (devedora da filosofia do Estado), haja a escola particular, orientada por outras cosmovisões, inclusive por concepções religiosas. 0 exercício deste direito não pode ser sufocado pelo Estado mediante o monopólio do ensino. Donde se conclui que o apoio à escola pública, com detrimento da escola particular, é antidemocrático. Infelizmente, porém, é um traço da atuação da Ordem DeMolay.

 4.3. Formação da Juventude

 É louvável o interesse da MAÇONARIA pela juventude, visando a formar cidadãos úteis à sociedade. Este programa é certamente um foco de atração para a Ordem DeMolay. É preciso, porém, registrar que a formação da juventude pode e deve ser obtida fora de ambientes maçônicos. Precisamente os educandários confessionais têm oferecido notável contingente de homens beneméritos à sociedade do Brasil e do estrangeiro; de modo especial a escola católica inclui sempre um programa de cultivo dos valores éticos e religiosos; além do quê, em muitas instituições católicas há agremiações que reúnem alunos interessados em adquirir formação ainda mais esmerada ou aprofundada.

 Talvez a penetração da Ordem DeMolay dentro de educandários católicos se torne um estímulo a que estes aprimorem o seu serviço educacional, mantendo vivo o interesse dos alunos pelos valores oferecidos na própria instituição confessional.

 

 Dom Estêvão Bettencourt

Fonte: http://www.pr.gonet.biz/revista.php

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