Católicos "Paz e Amor": Algo bom? Com certeza não!

09/08/2014 09:53

Católicos "Paz e Amor": Algo bom? Com certeza não!

Infelizmente está em voga já há algum tempo um certo tipo de católico, conforme dito acima. Ao contrário do que possa parecer, um católico paz e amor não é algo bom. Por quê?

Primeiramente é necessário esclarecer o que é um católico paz e amor. Basicamente, é aquele católico que acha que apenas o amor basta, que Jesus veio pregar o amor e tudo se resume ao amai-vos uns aos outros.

Não, o que Jesus disse obviamente não está errado, mas sim a interpretação que está completamente equivocada. O que acontece é que para esse tipo de católico não pode haver sequer uma correção fraternal que, para ele, equivale a julgar o irmão, numa clara deturpação ao “não julgueis para não ser julgado”.

Ocorre uma clara confusão entre julgar a pessoa e julgar o erro. Ora, como podemos pregar o Evangelho sem dizer a verdade? Como podemos dizer a verdade para uma pessoa que não a conhece sem obviamente confrontar com erros, os pecados que ela comete?

Apontar os erros, amando a pessoa e odiando seus erros/pecados é um ato de caridade, pois vamos retirando-a deles e deixando que a verdade do Evangelho a liberte. “Conhecerei a Verdade e a Verdade vos libertará”.

Quando Jesus pegou os vendilhões no templo, o que Ele fez? Deixou-os fazendo coisas erradas? Obviamente não, chicoteou e os expulsou!

São Paulo mesmo repreendeu São Pedro quando foi necessário (cf. Gálatas 2,11):

“Mas quando Cefas veio a Antioquia, eu o enfrentei abertamente, porque ele se tinha tornado digno de censura.”

Esse fato é, inclusive, deturpado e usado por protestantes, numa pífia tentativa de tirar a legitimidade do Primado de Pedro, mas isso é outro assunto.

O católico paz e amor infelizmente não pensa assim, ele esquece que ajudar o irmão a corrigir seus erros, caminhando para a verdade do Evangelho é falta de amor no coração. Ledo engano. Ao não ajudar comete um gravíssimo pecado, o da falta de caridade, pois está deixando o irmão se perder quando poderia fazer algo.

Vejam que ideia mais ardilosa do Maligno! Usar a própria noção de amor para fazer perder as almas! Deturpa completamente o sentido do verdadeiro amor de modo a que pensem que, ao se omitir, estão fazendo o bem, quando na verdade omissão também é pecado! Nessa situação pelo menos duas almas são perdidas, a que se omite em dizer a verdade, caso não se emende, e a que é deixada no erro!

Muitos poderão ainda dizer que todos erramos e isso é motivo para não apontarmos os erros dos outros. Ora, todos serem pecadores e passíveis de erros não significa que todos cometem exatamente os mesmos pecados e os mesmos erros. Apontar erros óbvios é, como já dito, caridade para com o irmão e é assim que vamos nos ajudando mutuamente. Cada um tem uma experiência diferente em lidar com determinados problemas/erros/pecados. Ora, se tenho um problema e vejo que alguém tem problema semelhante, por que não ajudar?

Ajoelhar e rezar pelo irmão é obrigação sim de todos, mas como diz São Bento, ora et labora (reze e aja!) Reze, mas colabore com a Providência Divina. Não estamos aqui para ficar apenas de joelhos rezando, mas temos uma missão a cumprir: Ide e pregai o Evangelho a toda a criatura.

Já parou para pensar o que aconteceria se os cruzados apenas ficassem de joelhos no chão rezando, sem impedir o islã de se expandir? E se Davi ficasse apenas rezando por Golias? E a Batalha de Lepanto?

Já no Novo Testamento, na carta de São Paulo aos Efésios, ele nos exorta a denunciar os erros:

“Não tenhais cumplicidade com as obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente.” (Ef. 5,11)

Mais adiante na Igreja primitiva, São João Crisóstomo (309 - 407), na Homilia 2 de “Da Incompreensibilidade de Deus”, diz:

"Vamos! Aprontemos-nos para combater os ímpios anomeus. Se eles se indignarem com a designação de ímpios, fujam da impiedade e eu retiro o nome; renunciem aos pensamentos incrédulos e eu desistirei do apelativo injurioso. Se, porém, eles pelas obras profanam a fé e não se escondem, cobertos de vergonha, debaixo da terra, por que se irritam contra nós, que condenamos com palavras o que eles manifestam com ações?"

Também podemos ver, mais adiante, Santo Inácio de Loyola (1491 - 1556) dar “nome aos bois” pelo que são:

“Aos hereges se há de chamar pelo seu nome, para que produza horror até nomear aos que o são e não se cubra o veneno mortal com o véu de um nome salutar.” (Santo Inácio de Loyola, Cartas de Santo Inácio de Loyola III, Edições Loyola, 1993, página 102).

São Francisco de Sales (1567 - 1622) vai mais longe e mostra que devemos sim apontar aqueles que tem más intenções óbvias onde quer que se encontrem:

“Os inimigos declarados de Deus e da Igreja devem ser difamados tanto quanto se possa, desde que não se falte à verdade, sendo obra de caridade gritar: 'Eis o lobo!', quando está entre o rebanho ou em qualquer lugar onde seja encontrado”. (Introdução à Vida Devota, parte III, capítulo 28)

Infelizmente, muitos dos problemas de nossa sociedade de hoje só estão tão graves devido à falta de atitude concreta, com ações, de boa parte dos católicos, que se omitem em propagar a Verdade do Evangelho.

Portanto, irmãos, não caiam na cilada do inimigo, achando que por se omitirem vocês estão fazendo o bem, façam sua parte de acordo com sua capacidade e conhecimento, não esquecendo, obviamente, de rezar.

Se o irmão em erro não quiser lhe dar ouvidos isso já não é problema seu, você já fez a sua parte, lembrando que quem converte não é você, mas sim a Graça de Deus. Num primeiro momento pode ser que suas palavras possam aparentar não ter surtido efeito, mas se a admoestação foi feita com caridade e paciência, é muito provável que uma semente tenha sido plantada e dará os frutos, pela Graça de Deus, no tempo oportuno.

E se além de suas palavras não surtirem efeito, ainda fizerem com que o irmão se afaste de você, não preocupe. Não se esqueça do Primeiro Mandamento, amar a Deus sobre todas as coisas, não se esquecendo, também, que quem O ama de verdade segue Seus ensinamentos e você, pregando a verdade, está cumprindo com isso.

“Quem diz verdades perde amizades.” – Santo Tomás de Aquino

 

Por Alexandre Dias

 

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