33º Domingo do Tempo Comum

16/11/2013 23:51

- O Senhor julgará o mundo com justiça -

Na lectio do domingo passado, desenvolvendo a meditação sobre o enfrentar a morte, a Sagrada Liturgia orientava o pensamento sobre a realidade da ressureição dos mortos. Prosseguimos hoje ainda nesta direção e ao que nos acena para o “dia do Senhor”, quando, no fim dos tempos, - Do Juízo Universal - voltará Cristo, “na glória para julgar os vivos e os mortos”. É a verdade de fé que professamos com toda a Igreja no Credo!

 Usando de uma breve oração de Dom Bruno Forte, nesta lectio peçamos: Vem Espírito Santo, vem em nós, inquietos pela febre da qual Tu mesmo nos contagiaste; vem reapresentar em nós e para nós o mistério do Senhor que virá para julgar a terra inteira com justiça! Vem encher a nossa mente, e todo o nosso existir, para que a boca fale, finalmente, pela superabundância do coração. Amém! 

(Adaptado de Dom Bruno Forte – A Palavra para viver, pág. 49).

 Leia pausadamente e em oração: Ml 3,19-20a; SL 97,5-9; 2Ts 3,7-12 e Lc 21,5-19.

 A fé cátólica nos ensina que virá um dia em que o Senhor julgará todos os homens, – você e eu – em conjunto. Esse dia é chamado o último, porque então o tempo não existirá mais e este mundo visível será encerrado com o tempo e o espaço que ele se move. Assim o profeta Malaquias nos adverte desta realidade, onde que, para os ímpios haverá condenação e para os justos, se levantará o sol de justiça, e assim se perceberá que estes justos são verdadeiros vencedores.

 Aqui mergulhamos nesta verdade, e podemos “entrar” na cena, vendo o Justo Juiz que separará os povos, como o pastor separa as ovelhas dos bodes; colocando as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda, que dirá a uns: “Vinde, benditos do meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo”, mas aos outros dirá: “Retirai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para os demônios e seus anjos”. E nos perguntamos na sinceridade e verdade de nosso coração: Hoje, quem somos? O justo, a ovelha; ou o ímpio, o bode? Qual destas personagens somos, e que respostas ouviremos do Senhor para nós pessoalmente?

 Sabemos que o Senhor é rico em misericórdia, e assim como é infinita misericórdia, assim é em justiça, e virá para julgar a terra inteira com Sua amável justiça. Também sabemos que cada um terá a sorte que preparou com a própria conduta. Por isso, Paulo afirma que quem não quer trabalhar, também não deve comer, Em Tessalônica, havia alguns que, com o pretexto da iminente vinda do Senhor, viviam às custas de outros, alienados das realidades terrenas e em contínua agitação. Paulo ensina através do seu exemplo a termos nova consciência, nova postura, de homens e mulheres capazes de viver a realidade desta canção: “Eu tenho os meus pés no chão, mas sei que o meu coração está muito além do céu  e do que se possa ver.  Busco o que no alto está, busco o que não passará jamais.  Minha vida está escondida em Jesus”. Assim nos quer o Senhor! Certos de que breve e caduca é a nossa vida, e vivendo o aqui, com valor para a eternidade!

 Traz o Santo Evangelho, um trecho do discurso escatológico de Jesus que nos fala de fortes acontecimentos, de muitos sinais, que neste tempo nos convoca, desperta nossa atenção para os dons da perseverança e da fidelidade, que ambas nos impulsionam a salvação. 

 Sabemos que chegará dias onde compreenderemos porque se encheu a terra de tantos pecados, porque a história de povos, raças e nações, é marcada pela guerra, pela escravidão e sofrimento, pela enfermidade e dor, perseguições e traições, enganos generalizados... Tudo isso virá à claridade, será manifesto! Cristo voltará, com todo o seu poder e majestade, e os corpos dos que morreram ressuscitarão, e todos regressarão à primeira união de corpo e matéria que nos configurará como verdadeiros homens. Então veremos não só nosso destino individual, mas o Juízo Universal, e no quanto perseveramos e fomos fiéis ao Senhor... Este é nosso desejo...

 De coração agradecido por esta verdade que se avança em direção a todos nós, sejamos consolados e fortalecidos na fé, orando ao Senhor neste dia, que até o fim de nossa vida terrena, os dons da perseverança e da fidelidade ao Senhor e a Sua Igreja, sejam redobrados em nós, até que Ele venha. Dando-nos enfim a possibilidade de ouvir Sua voz suave, Suas palavras dirigidas ao justo, à ovelha. É o que pedimos pela intercessão da Mãe do Belo Amor, a Mãe da Misericórdia, vida, doçura e esperança nossa. Amém. 

 

A todos uma ótima semana. A paz.

Por Carlos Guilherme

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